Crítica | A Enfermeira Exorcista é o melhor fruto da criatividade nonsense

Por Natalie Rosa | 30 de Setembro de 2020 às 11h47
Divulgação: Netflix
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Ao ler um título de série chamado A Enfermeira Exorcista, antes mesmo de ler a sinopse, a expectativa é de uma produção de terror bizarra, no melhor estilo "trash", com muito sangue, espírito e almas perturbadas perambulando por um hospital, ou algo do tipo, certo? Errado.

No mais recente drama sul-coreano da Netflix que, sim, se chama A Enfermeira Exorcista, a temática é sim de espíritos que estão perturbando os humanos, mas no lugar de sustos e imagens gráficas o que vemos é muita geleia, gosmas, cores, plantas e armas de brinquedo em uma série com muita fantasia e mistério.

A premissa é a seguinte: uma escola está repleta de espíritos que estão perturbando os alunos, e eles tem forma de geleia. Porém, ninguém consegue os ver além da enfermeira Ahn Eun-young (Jung Yu-mi), que trabalha no local e tem a missão de proteger aqueles adolescentes. Então, para combater essas geleias que são os restos de ectoplasma originados de desejos humanos, ela usa uma pistola de pressão e uma espada de plástico, que mais parece um sabe de luz colorido.

Atenção: esta crítica contém spoilers de A Enfermeira Exorcista!

Imagem: Divulgação/Netflix

Logo no começo da série, lá no primeiro episódio, já conferimos situações bizarras e "nonsense", com os acontecimentos sendo bem intensificados para corresponder à promessa de ser um drama. As reações dos adolescentes, que estão sendo afetados por aqueles espíritos, são bem exageradas e um pouco assustadoras, com olhares sem rumo, gritos sem sentido, choros e berros.

Voltando às geleias, esses espíritos não chegam a ser tão nojentos, uma vez que muitas dessas gosmas têm o formato de bichos simpáticos, como pequenos polvos e outras criaturas do mar. Outras, no entanto, chegam a ser mais bizarras do que assustadoras, como uma meleca que se conecta da nuca de um aluno da escola até a nuca de outro. Lembrando que apenas a enfermeira exorcista consegue ver isso, além de nós, claro, afinal ela é uma pessoa sensitiva que também vê os espíritos em formas de pessoas, podendo conversar com elas, e até as auras de quem está perto.

Imagem: Divulgação/Netflix

Para acabar com esses espíritos, Ahn costuma passear pela escola com a sua espada colorida, encostando o objeto no ectoplasma enquanto caminha, realmente como se fosse uma tarefa simples do dia a dia. Mas como nem tudo são gosmas fofas, esses fantasmas perturbados também podem representar perigo para a instituição e as pessoas que ali vivem. Os espíritos vivem ali na escola porque são liberados pelo fundador do local, que já morreu, deixando todos ali vulneráveis.

A situação só piora quando a protagonista entra no porão da escola, que tinha a entrada proibida, e acaba liberando milhares de geleias de espíritos por aí. Felizmente, para salvar as pessoas dessa perturbação, ela conta com a ajuda de Hong In Pyo (Joo-Hyuk Nam), um professor do colégio que consegue se proteger das almas devido a uma aura que contorna o seu corpo.

Quanto mais os espíritos tomam conta do local, mais indiferentes as pessoas ficam, parecendo que nada pode abalar quem está ali. Isso, porém, é o que todos pensam, mas, na verdade as consequências da abertura do porão estão se manifestando física e psicologicamente nas pessoas, que de repente aparecem suando, rindo, chorando e fazendo escândalo sem muita explicação.

Imagem: Divulgação/Netflix

Em meio a tudo isso, entra uma das personagens mais inusitadas e simpáticas da série: uma adolescente que, na verdade, é uma alma que aparece em forma humana de tempos em tempos para ingerir as criaturas que estão fazendo mal aos humanos, sendo essa a sua única missão no mundo dos vivos. Na escola, ela surge para comer uma infestação enorme de ácaros, que também têm forma de geleia, pois o ácido do seu estômago é a única coisa que pode matá-los.

Ela chamou tanto a atenção da dupla de caçadores de espíritos que a sua história comoveu e fez com que eles pagassem a ela uma cirurgia de remoção do estômago, pois seria a única forma para que ela se tornasse uma humana de verdade e tivesse uma expectativa de existência maior que 20 anos. Outro personagem interessante é Mackenzie (Teo Yoo), um professor norte-americano que aparece como alguém misterioso e com más intenções, que confronta a enfermeira por também ter poderes sobrenaturais, mas que quando parece que a sua história vai desenrolar ele simplesmente some e fica de fora dos principais acontecimentos. Seria algo guardado para uma segunda temporada?

Imagem: Divulgação/Netflix

O drama A Enfermeira Exorcista, de fato, preza muito pela bizarrice. Inspirada no romance de 2015, School Nurse Ahn Eun-Young, a série traz uma história que até pode ser considerada sem sentido, mas que é muito bem estruturada, principalmente no quesito visual. Com geleias de todos os tipos, criaturas estranhas, melecas coloridas, armas de brinquedo luzes e diálogos estranhos, não existe uma cena sequer sem que nossos olhos fiquem presos à tela.

Às vezes é difícil acompanhar e entender tudo o que está acontecendo, já que em cada episódio missões diferentes são seguidas pela heroína que vai até o fim para proteger os alunos. No final, ela chega até mesmo a desistir de ajudar todo mundo, após situações exaustivas e fora de controle, mas todo o trabalho ainda está longe de acabar, o que pode nos render uma segunda temporada.

A Enfermeira Exorcista está disponível na Netflix em seis episódios de quase uma hora cada.

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