Crítica | A Desordem que Ficou traz mistério envolvente e intenso

Por Natalie Rosa | 20 de Dezembro de 2020 às 16h00
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Se tem uma coisa que espanhol sabe fazer, essa coisa é um bom drama. Provas disso podem ser encontradas facilmente no catálogo da Netflix, entre séries e filmes, e agora também com o mais novo lançamento do país, a série A Desordem que Ficou, original da plataforma de streaming. A produção traz, em oito episódios, uma história envolvente de drama que conta com romance, sexo, crimes e algumas outras ilegalidades, tudo isso regado a muito mistério.

A trama acontece em torno da vida de duas professoras de literatura, Viruca (Bárbara Lennie) e Raquel (Inma Cuesta). Viruca, no entanto, está morta, e Raquel tomou o seu lugar na sala de aula, a substituindo após a tragédia que tirou a sua vida. A vida de Raquel já estava em um processo de superação depois de perder a mãe, se mudando então para a cidadezinha do marido para recomeçar a vida, mas o luto se tornou ainda mais complicado depois de descobrir o que havia acontecido com Viruca.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica contém spoilers de A Desordem que Ficou!

Raquel nunca pediu para viver o que ela viveria nos próximos episódios, mas assim que soube que Viruca teria, supostamente se suicidado, criou uma forte obsessão sobre o acontecimento, que foi alimentada com chantagens misteriosas que aconteceram justamente para que ela se envolvesse no caso. Então, desde o começo, entendemos que a morte não teria se tratado de suicídio.

A Desordem que Ficou teria tudo para ser uma série confusa, pois ela funciona em duas linhas do tempo, a de Viruca e a de Raquel, e transição entre essas linhas é constante, mas não faz com que o espectador se perca nos acontecimentos, afinal sabemos que uma das personagens morreu. Ambas, no entanto, se envolvem com a mesma intensidade com os mesmos alunos: Iago (Arón Piper), Roi (Roque Ruíz) e Nerea (Isabel Garrido), que tornaram as vidas das suas professoras em um inferno em terra firme.

Imagem: Divulgação/Netflix

A cada sinal apresentado à Raquel de que a morte de Viruca esconde algo sujo, tornando a sua obsessão a cada vez maior, nos envolvemos com ela nessa saga de entender tudo o que aconteceu até chegar nessa tragédia. Alguns acontecimentos da vida de Viruca são repetidos por Raquel, sem que ela saiba, claro, com tudo apontando para que ela tenha o mesmo destino da professora antecessora. Comparando as duas linhas do tempo, a sintonia das atrizes é inegável, mesmo que elas não tenham coexistido na história ao mesmo tempo, com exceção de uma cena em um hospital, sem se conhecerem. Isso, claro, é mérito não só do roteiro praticamente impecável, mas também do talento das atrizes, que são dignas de orgulho para a Espanha.

E como um bom mistério que se preze, todos os personagens são suspeitos de alguma coisa, e isso é possível ver até em expressões faciais constantes de quem está em segundo plano, nitidamente propositais para confundir quem está assistindo ainda mais e deixar a situação mais intrigante. Ninguém ali é perfeito, todos têm seus segredos graves ou inocentes, e também passados que deveriam ser mantidos como secretos.

Imagem: Divulgação/Netflix

O reforço de que todo mundo é suspeito de alguma coisa é evidenciado ainda mais por se tratar de uma cidade pequena, com diálogos que muitas vezes repetem as afirmações de que todo mundo se conhece, todo mundo tem uma conexão de alguma forma e todo mundo cuida de todo mundo, seja para o bem ou para o mal. A partir da segunda metade, a história se mostra ainda mais intensa e os desdobramentos finalmente começam a dar uma luz para o que realmente aconteceu.

O elenco jovem também precisa ter o seu mérito reconhecido. O personagem Iago, por exemplo, já conhecido da série dramática adolescente Elite, interpreta uma pessoa de personalidade completamente oposta ao papel anterior, conseguindo reproduzir em suas atitudes as dores enfrentadas na vida desde que era criança, que no final se revelam ser o centro da história. A sua forma violenta de se relacionar com Viruca e com Raquel o tornam o principal suspeito do esquema de chantagem, e a revelação da sua história acaba sendo a reviravolta principal.

Imagem: Divulgação/Netflix

Roi e Nerea também conseguem se envolver na trama e criar motivos para serem suspeitos. Aliás, no começo, o envolvimento de ambos com a história principal é bastante confusa, sendo difícil entender se eles são vítimas, culpados, testemunhas ou cúmplices, e somente no episódio final acabamos tendo essa resposta. O mesmo acontece com o marido de Raquel, Germán (Tamar Novas), que diversas vezes age de forma suspeita, tendo o seu envolvimento no caso como uma incógnita na maior parte da série.

A Desordem que Ficou tem esse nome de forma literal aos fatos da série, mostrando toda a bagunça deixada na pequena cidade após a morte de Viruca, revelando um esquema asqueroso de prostituição e pedofilia envolvendo o pai de Iago, com o personagem se mostrando o verdadeiro grande vilão da história. A trama se tornou, definitivamente, uma grande surpresa entre os últimos lançamentos do ano da Netflix, podendo se consagrar como uma das minisséries originais mais envolventes da plataforma de streaming.

A minissérie A Desordem que Ficou está disponível na Netflix em oito episódios.

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