Samurai Shirô | Conheça a HQ brasileira que inspirou novo filme da Netflix

Por| Editado por Jones Oliveira | 22 de Abril de 2022 às 21h05

Link copiado!

DarkSide Books
DarkSide Books
Tudo sobre Netflix

Um dos grandes lançamentos da Netflix neste mês de abril tem um toque bastante brasileiro, apesar da cara oriental. O filme A Princesa da Yakuza, que chegou ao streaming na última quarta-feira (20), é uma superprodução baseada em uma HQ nacional — o que mostra que não são apenas Marvel e DC capazes de entregar histórias assim.

O longa é uma adaptação da graphic novel Samurai Shirô, do paulista Danilo Beyruth, um dos principais nomes do quadrinho brasileiro contemporâneo. E apesar da trama carregar vários elementos da cultura oriental, como os samurais e a própria Yakuza, a trama tem um ritmo e um gingado bastante tupiniquim.

Continua após a publicidade

Isso tudo porque o gibi traz todos esses elementos tipicamente nipônicos para o nosso país, mais especificamente para o bairro da Liberdade, em São Paulo, tradicional reduto oriental da cidade. Assim, ele mistura todo esse imaginário da máfia japonesa que temos do cinema e da literatura com a familiaridade geográfica para criar uma história bem surpreendente.

Lançado em 2018, Samurai Shirô rapidamente virou um clássico. Não por acaso, a graphic novel ganhou o Troféu HQ Mix no ano seguinte como Melhor Publicação de Aventura e Fantasia — o que serviu para chamar ainda mais a atenção da Netflix na adaptação.

Sobre o que é Samurai Shirô

Como toda boa história de mistério, Samurai Shirô começa com um homem sem memória carregando apenas uma katana. E é ao trombar com essa estranha figura que Akemi — uma jovem paulista descendente de japoneses — vê sua vida virar de cabeça para baixo.

Continua após a publicidade

Isso porque o encontro com o homem da katana parece tê-la colocado na mira da Yakuza. Perseguida por esses criminosos, ela precisa correr pelas ruas de São Paulo e lutar para sobreviver ao mesmo tempo em que passa a descobrir mais e mais sobre a sua própria história.

E é a partir disso que o quadrinho entrega muito daquilo que a gente espera de uma história assim. Mais do que ser apenas correria e fuga desenfreada, a HQ explora muito bem a riqueza do bairro da Liberdade para integrá-lo a um submundo criminoso que é invisível às pessoas que transitam todos os dias por ali.

Continua após a publicidade

Assim, temos todos os pontos clássicos dessas tramas, como a disputa por poder, a luta pela honra da família e, é claro, aquela pancadaria frenética com espadas e movimentos quase acrobáticos.

Apesar de tudo isso soar como um mangá tradicional, Samurai Shirô se aproxima muito mais de thriller policial do que essa coisa mais aventuresca — o que traz um tom mais sério à história. Assim, essa tensão se mistura ao drama da própria Akemi, que precisa lidar não só com a confusão de estar na mira da yakuza, mas também com a própria dor de ter perdido o avô e as revelações sobre sua própria origem.

Entre as referências que o autor admite ter usado para criar o mundo de Samurai Shirô estão alguns clássicos da literatura e do próprio cinema. Segundo Beyruth, obras como Lobo Solitário e filmes do cineasta Akira Kurosawa — Yojimbo, Guarda-Costas e Sete Samurais — foram as principais referências na hora de criar a ação do gibi.

Continua após a publicidade

Referência nacional

Para quem acompanha o cenário de quadrinhos, o nome de Danilo Beyruth já é um dos mais conhecidos nos últimos anos. E apesar da passagem pela Marvel em histórias dos Guardiões da Galáxia e Motoqueiro Fantasma, o autor ganhou espaço mesmo graças ao seu trabalho autoral.

Samurai Shirô é a sua primeira HQ a ganhar uma versão em live action e que chega já com toda a pompa de ser distribuída internacionalmente pela Netflix. Só que, antes de Akemi lutar pela própria vida na Liberdade, o quadrinista já emplacava outros sucessos.

Continua após a publicidade

O principal deles foi justamente a trilogia do Astronauta pelo selo Graphic MSP, que reimaginou personagens de Maurício de Sousa — o mesmo que deu vida ao filme Turma da Mônica: Lições. Beyruth foi o escolhido para iniciar o projeto e trouxe uma versão do personagem muito mais puxada para a aventura em 2012.

Além disso, ele também é autor das séries Necronauta e Bando de Dois, também muito elogiadas e premiadas em diversos países.

A Princesa da Yakuza está no catálogo da Netflix para os assinantes assistirem.