Cofundador do Netflix fala sobre O Mecanismo e Festival de Cannes

Por Stephanie Kohn | 19 de Abril de 2018 às 11h46
Leonardo Pavini

Nesta quinta-feira (19), durante coletiva de imprensa no evento Innovation Week, o Canaltech conversou com Mitch Lowe, cofundador do Netflix, a respeito da polêmica envolvendo a mais recente produção brasileira da plataforma. 

Para quem não se lembra, a série O Mecanismo, estrelada por Selton Mello, deu o que falar logo após a sua estreia em março passado. Assinantes do serviço de streaming acusaram o seriado de distorcer a realidade ao atribuir falas verdadeiras, vazadas durante a investigação da Operação Lava Jato, a certos personagens, e iniciaram uma campanha de boicote à empresa.

"Nós do Netflix, diferente de empresas como a HBO, que disponibiliza apenas uma pequena seleção de conteúdos que sabem que vão agradar a todos, deixamos disponível a maior quantidade de filmes e séries sobre os mais variados assuntos. Nós deixamos os assinantes decidirem o que querem ver. O Netflix não quer assumir o papel de decidir o que será polêmico. Se você não gostar de algo, não assista", disse. 

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Segundo Lowe, hoje em dia existem tecnologias que podem modificar um roteiro ou sinopse para melhor se adequar à audiência. Mas a comunidade artística não gosta dessas ferramentas e a companhia respeita a decisão, pois muitas vezes os próprios produtores querem usar da controvérsia para atrair o público.

"É comum atribuírem a responsabilidade ao Netflix e outras companhias que essencialmente fazem curadoria de conteúdo. Mas nós abraçamos a comunidade artística."

Cannes X Streaming

Ainda durante a coletiva, Lowe comentou sobre a exclusão do Netflix, e demais plataformas de streaming, do festival de cinema de Cannes.

"Pessoalmente acho louco a indústria do cinema banir o Netflix das premiações, principalmente porque, para exibir nossos filmes nos cinemas, basta pagar algumas salas", disse. "Para mim parece uma forma da indústria se proteger de um novo estúdio. O Netflix é um estúdio. Nós gastamos somente este ano US$ 8 bilhões em conteúdo", finalizou.

Esta batalha entre Netflix e Cannes acirra uma disputa intelectual, sobretudo encabeçada por Steven Spielberg, de que as produções de streaming e do cinema são diferentes e não podem ser concorrentes. Em março deste ano, o renomado diretor e produtor chegou a afirmar que os filmes da Netflix não deveriam concorrer ao Oscar.

O responsável pelo evento, Thierry Frémaux, durante o anúncio de que os filmes de streaming não concorrerão, chegou a defender a tese de Spielberg. “O cinema triunfa em todos os lugares, mesmo nesta era de ouro do streaming. A história do cinema e a história da internet são duas coisas diferentes”, disse.

A polêmica começou no ano passado, quando a Netflix concorreu ao prêmio com duas produções: Okja, do diretor Bong Joon-ho; e Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe, de Noah Baumbach.

Para saber mais sobre o boicote à plataforma, leia matéria publicada pelo Canaltech.

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