Google vai reduzir salários de parte dos trabalhadores remotos após a pandemia

Google vai reduzir salários de parte dos trabalhadores remotos após a pandemia

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 11 de Agosto de 2021 às 14h00
Divulgação/Google

A pandemia mostrou, na prática, que o trabalho remoto funciona. Muitas empresas até decidiram mudar paradigmas, fechar escritórios e adotar opções híbridas. Nesse contexto, uma decisão do Google pode ser polêmica: entre os empregados de uma mesma unidade, aqueles que decidirem trabalhar de forma remota permanentemente podem ver seus salários diminuírem.

O experimento começa no Vale do Silício e os trabalhadores que moram mais longe aparentemente serão os mais atingidos. Para ajudar os funcionários na escolha, o Google lançou uma calculadora em junho que permite saber quais serão os efeitos financeiros de uma mudança. Na prática, porém, alguns empregados podem ter cortes no salário mesmo sem mudar de endereço.

Segundo um porta-voz da empresa, os pacotes salariais da companhia sempre tiveram relação direta com a localização. “Sempre pagamos o máximo do mercado local, com base em onde o colaborador trabalha”, afirma. O representante da companhia diz, ainda, que os salários vão variar entre cidades e entre estados.

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Imagem: Divulgação/Google

Um trabalhador que pediu para não ser identificado diz que, conforme a ferramenta de cálculo, se mudar para a opção remota integral, pode ter um desconto de 10% no salário. Apesar de ter de viajar duas horas até o escritório e até em casa diariamente, ele vai preferir manter a rotina presencial. “Esse corte é equivalente ao aumento que tive na minha promoção mais recente”, lamenta.

De acordo com a reportagem da Reuters, uma funcionária que mora em Stamford, no Connecticut (a uma hora de trem da cidade de Nova York), receberia 15% menos se trabalhasse de casa. Um colega do mesmo escritório que more em Nova York não teria cortes no salário se optasse pelo mesmo. Nas regiões de Seattle, Boston e São Francisco as diferenças são de 5% e 10%.

O Google diz que a calculadora usa as estatísticas de áreas metropolitanas definidas pelo Departamento de Censo dos EUA. Nesse material, Stamford, no Connecticut, não está na mesma região da cidade de Nova York, mas muitos profissionais que moram em Stamford trabalham em Nova York.

A empresa informa que os salários não serão alterados apenas pelo fato de o empregado optar pelo trabalho remoto permanente se ele ficar na mesma cidade em que o escritório está. Assim, colaboradores do escritório da cidade de Nova York, por exemplo, receberão o mesmo que aqueles que trabalharem remotamente de outra localidade da cidade.

Imagem: Divulgação/Google

Vale destacar que, embora essa seja uma decisão específica da companhia, de acordo com suas diretrizes e cálculos de remuneração em seu quadro de funcionários, tudo o que acontece nos grandes grupos corporativos de tecnologia influencia as empresas do setor no mercado global — ou seja, algo parecido também pode acontecer no Brasil.

“O Google não precisa fazer isso”, diz professor

Jake Rosenfeld, professor de sociologia da Universidade de Washington em St. Louis diz que a estrutura salarial do Google aponta quem, de fato, vai sentir os impactos mais fortemente. "Está claro que o Google não precisa fazer isso", avalia. "A empresa sempre pagou 100% do salário anterior. Não é como se eles não pudessem continuar a pagar o mesmo para quem escolhe trabalhar remotamente."

É comum que práticas adotadas pelo Google no Vale do Silício sejam incorporadas por outros empregadores. Facebook e Twitter, por exemplo, cortaram pagamentos de colaboradores que moram em áreas com custo de vida menor. Já Reddit e Zillow escolheram modelos de remuneração que não consideram a localização do trabalhador. Segundo as empresas, isso ajuda na hora de contratar e de reter, bem como na diversidade.

Fonte: Reuters

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