400 vagas ou mais: como o Luizalabs busca profissionais de TI no mercado

400 vagas ou mais: como o Luizalabs busca profissionais de TI no mercado

Por Rui Maciel | 16 de Julho de 2021 às 08h45
Divulgação / Magalu

A falta de profissionais de tecnologia no mundo já é mais um tema mais do que conhecido. E no Brasil, esse quadro é especialmente crítico. Segundo um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o setor demandará 420 mil especialistas em diversas áreas até 2024. Porém, apenas 46 mil pessoas se formam por ano no ensino superior com o perfil necessário para atender essas vagas.

Essa equação é especialmente complicada de se resolver em empresas que crescem exponencialmente, principalmente a partir de produtos baseados em tecnologia. E esse é o caso do Magazine Luiza que, mesmo em um período marcado pela pandemia, registrou aumento em suas vendas ao longo do ano passado e 2021, principalmente no ambiente online. Para ficar em um exemplo, no primeiro trimestre deste ano, as vendas totais da companhia cresceram 63%, sendo que 70% delas vieram do e-commerce — o percentual mais alto da história da rede varejista.

E para manter esse crescimento em alta é preciso investir em tecnologia em seu site, na parte de logística, que garante rapidez e capilaridade de entregas, ou em seu cada vez mais robusto superapp, cujo ecossistema abrange não apenas a venda de produtos, mas também serviços como entrega de refeições, compras de supermercados, cursos online e muito mais. Sem contar, claro, toda a infraestrutura de pagamentos que roda por trás da plataforma.

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Ou seja, a necessidade de profissionais qualificados de tecnologia nesse cenário é gigantesca. E contratá-los é igualmente desafiador.

E nesse cenário, o Luizalabs, área de inovação e tecnologia do Magazine Luiza, mantém um ritmo de contratações acelerado. A divisão já recrutou 400 funcionários no Labs até junho desde ano e até a Black Friday — uma das datas mais movimentadas do e-commerce brasileiro — pretende contratar outras 400 pessoas. Ou até mais...

Luizalabs: divisão de inovação do Magalu é fator-chave para o crescimento contínuo da empresa (Imagem: Divulgação / Magalu)


Mas como atrair profissionais qualificados de tecnologia para seus quadros? Basicamente, o processo passa por algumas etapas bem definidas. E isso envolve até mesmo o profissional de RH "manjar" de TI para fazer a coisa toda rodar.

Confira abaixo como funciona o processo no Luizalabs

Planejamento

Em entrevista ao Canaltech, Caio Nalini, Gerente de Gestão de Pessoas com foco em Tecnologia no Magazine Luiza, explica que, ao começar uma seleção, o RH senta com gestores e coordenadores da posição disponível, entende o que é esperado em termos de requisitos técnicos e quais serão os desafios do cargo. Além disso, o RH também toma conhecimento de quais são as metas da área, que negócio do Magalu está envolvido e quais as entregas previstas do roadmap de desenvolvimento.

"Tudo isso para. na busca pelo profissional, o recrutador possa olhar não apenas os requisitos técnicos, mas também entender se é possível encontrar pessoas que, além do conhecimento, já tenham alguma aderência com a área ou com o desafio", afirmou o executivo. 

Com os requisitos técnicos definidos, os profissionais de RH do Luizalabs passam a seguir a base de valores e comportamentos do Magalu, que é única para processos seletivos de qualquer área, incluindo TI. Segundo Nalini, são cinco valores e 17 comportamentos esperados e que funcionam como norteador.

RH dedicado em TI

O Luizalabs conta com uma vertical de RH especializada em sua estrutura. Dessa forma, a contratação dos profissionais pode ser feita de forma mais assertiva e certeira. Esse time é formado por especialistas em recrutamento e seleção dedicados, consultores internos que vivem o dia a dia do Labs e estão dentro até mesmo da ferramenta de comunicação partilhada entre desenvolvedores, programadores e outros especialistas da divisão.

"Ter uma vertical dedicada acelera muito o processo de contratações, já que o profissional de RH está inserido no dia a dia do Luizalabs", afirmou Nalini. "Eles têm total conhecimento de todos os alinhamentos, metas e todas as entregas previstas pelo Luizalabs e podem priorizar as contratações que permitirão que um objetivo seja alcançado com mais rapidez". 

Outra vantagem desse RH dedicado no Luizalabs é que os profissionais desse setor têm um domínio de perfis técnicos que facilita o alinhamento no momento de chegada de uma vaga. "Com isso, é possível saber o que é uma determinada linguagem de programação, a diferença entre um back-end e um front-end, onde atua um full stack, o que é esperado de cada nível de senioridade", explica Nalini. "Isso cria um filtro muito eficiente na hora de selecionar os profissionais e acelera o processo".

Nalini conta também que, quando um membro do RH passa a fazer o recrutamento para o setor de tecnologia do Labs, ele passa por um processo de onboarding muito específico que possibilita que o profissional consiga entender rapidamente termos do setor.

"Ela passa a entender o que é um squad, o que é uma tribo, quais as linguagens de programação utilizadas, qual o stack de sistema, entre outros termos", afirmou. "Além disso, nossos recrutadores e consultores de gestão de pessoas estão divididos em um modelo de atendimento por vertical. Então, aquele recrutador respira a rotina dessa divisão, já que fica dentro da mesma rotina e dos mesmos rituais".

Profissionais que já venham prontos ou formados em casa?

Salini diz que o Luizalabs busca profissionais com diferentes perfis de senioridade, com espaço tanto para os mais experientes, quanto para aqueles que ainda precisam ser moldados. "Ainda que a maior parte da nossa equipe seja de desenvolvedores, temos em nossos quadros Product Owners (PO), Gerentes de Produtos (PM), times de Agilidade, Infra e Segurança, então há diversas possibilidades", explicada.

"Logo, dentro do nosso roadmap de contratação, temos cadeiras para o nível Júnior, onde temos a oportunidade de oferecer a possibilidade de desenvolvimento para alguém que não tenha tanta experiência ou conhecimento. Inclusive, oferecemos programas de formação tanto interno, quanto externo, para ampliar esse conhecimento. Mas também temos uma grande quantidade de vagas de nível pleno e sênior, onde buscamos profissionais com bagagem mais sólida em TI, já que nossos desafios são complexos". 

Escassez de profissionais e retenção de talentos

Para enfrentar a escassez de profissionais de tecnologia, Salini afirma que o Luizalabs tem algumas ações para responder a esse cenário. A primeira delas é entender ser papel da própria empresa contribuir para a formação do profissional de tecnologia de forma geral, independentemente da contratação deles ou não para os quadros da companhia.

"Uma ação concreta para isso foi a criação do Luiza Code, que é um programa onde são formadas mulheres em tecnologia. Tivemos, até agora, mais de 300 formandas e ainda temos duas turmas para esse ano. Logo, devemos fechar 2021 com quase 500 formandas. São 100 horas de conhecimento técnico em programação e, no final, as formandas ainda podem participar do processo seletivo no Luizalabs.

O Luizalabs tem ainda um programa de formação interno, chamado de Labs School, onde os profissionais mais experientes são estimulados a compartilhar conhecimento com aqueles que ainda não tenham uma expertise em determinada habilidade (skill).

O Luizalabs quer contratar mais de 400 profissionais até a Black Friday (Imagem: Divulgação / Magalu)

Outro ponto importante destacado por Salini é a realização de uma seleção consistente, com o objetivo de recrutar profissionais não apenas pelo salário, por exemplo, ou outros benefícios. Para eles, os profissionais também devem avaliar o propósito do Magalu, para verem valor nas funções que eles vão desempenhar, tendo uma visão de macro.

Na questão da retenção de talentos, o executivo afirma isso se dá de diversas formas para que o profissional permaneça na empresa. Além de uma remuneração competitiva e de um propósito claro, a companhia busca oferecer um ambiente onde o profissional encontre grandes desafios, compartilhamento de conhecimento, um norte do caminho a ser seguido e o que deve ser feito, além da possibilidade de impactar milhões de pessoas com o que é desenvolvido no Luizalabs.

"Sabemos que a área de TI tem um turnover muito alto, além da escassez e do alto nível de competitividade com outras empresas. Mas, para promover essa retenção de talentos, temos cada vez mais investido internamente no desenvolvimento dos colaboradores em duas frentes: primeiro é desenvolver os líderes, que estão no dia a dia do time e representam a visão da organização no cotidiano do funcionário. Queremos que ele realize uma boa gestão de pessoas e isso é essencial. 

E a segunda frente é trazer para as pessoas o sentimento de que elas estão se desenvolvendo. E isso envolve um conjunto de coisas, como ações de movimento, de pessoas que desafiam, provocam e ensinam. As pessoas precisam de metas e entregas que a forcem a sair da zona de conforto e buscar conhecimento. E aqui elas têm um ecossistema que permite acesso à informações que contribuam para o seu aperfeiçoamento. Os colaboradores precisam ter essa visão de que estão evoluindo". 

O home office expandindo fronteiras

O título acima pode parecer contraditório, mas, para os profissionais de tecnologia, faz todo sentido. Isso porque a consolidação do home office devido à pandemia da Covid-19 permitiu que as empresas buscassem talentos de TI em todos os estados do Brasil, já que, nesse setor, o trabalho remoto pode ser executado com mais facilidade.

E esse fenômeno também funcionou muito bem para o Luizalabs. Segundo Nalini, essa possibilidade ampliou o leque para atrair profissionais em todo país. No ano passado, a divisão de inovação do Magalu decidiu oficializar o modelo full remoto de trabalho. Logo, para tecnologia, já está claro que muitos dos colaboradores da área não atuarão presencialmente, nem mesmo no modelo híbrido, onde se alterna dias trabalhados em casa e no escritório.

"Com isso, começamos a explorar regiões no Brasil onde não tínhamos escritórios físicos e, consequentemente, não havia acesso aos talentos. E isso nos impedia de encontrar ótimos profissionais em locais que já são pólos reconhecidos de tecnologia no país. Hoje temos muitos devs que estão em Recife, na região Sul, Rio de Janeiro, Brasília. Esse remoto forçado pela pandemia nos trouxe muitas possibilidades". 


As vagas disponíveis no Luizalabs são voltadas majoritariamente para desenvolvedores, mas também há oportunidades em outras áreas. Para acessar as posições e participar do processo seletivo, você pode se cadastrar na página de carreiras da empresa.

Boa sorte!

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