Ligar TV e videogame no mesmo filtro de linha é perigoso? Engenheiro responde
Por João Melo • Editado por Léo Müller |
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Na hora de conectar o setup na tomada, muita gente se pergunta se ligar TV e videogame no mesmo filtro de linha é perigoso. E essa dúvida faz sentido, visto que o risco de sobrecarregar a rede elétrica com equipamentos de alto valor é uma preocupação válida em qualquer cenário.
A ameaça de incêndios ou de ter componentes queimados em frações de segundo costuma rondar essas réguas com muitos fios conectados. No entanto, a matemática do consumo de energia revela um detalhe que pouca gente considera na hora de montar a instalação.
Para explicar o que realmente acontece com o sistema elétrico quando uma TV e um console são conectados ao mesmo filtro de linha e se há riscos associados à prática, o Canaltech conversou com Alessandro de Oliveira Santos, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
O mito do consumo e o perigo das "réguas" baratas
De acordo com o docente, a análise do consumo mostra uma realidade diferente do que muitos imaginam quando pensam em sobrecarga. O especialista explica que um console de alto desempenho pode chegar a cerca de 250 watts em situações de uso intenso, enquanto TVs modernas costumam variar entre 30 e 200 watts.
Mesmo juntos, esses equipamentos normalmente consomem menos energia do que aparelhos como secadores de cabelo ou air fryers, ficando abaixo do limite de uma tomada de 10 amperes em uma rede de 127 volts, que é de cerca de 1.270 watts.
Diante disso, o engenheiro elétrico explica que o verdadeiro perigo está na qualidade e na construção dos acessórios usados para multiplicar as tomadas da casa.
"Às vezes, você compra um produto muito barato, com um fio muito fino ou uma placa interna muito fina. Isso não proporciona a pressão adequada, cria um mau contato e um ponto de aquecimento interno. Mesmo com potências relativamente baixas, você pode levar a peça ao limite", explica Santos.
Ou seja: o principal risco não está simplesmente em conectar vários eletrônicos juntos, mas sim em conectar equipamentos caros a extensões ou filtros de linha de baixa qualidade, que podem não suportar o uso contínuo com segurança.
Do calor ao curto-circuito: como o problema afeta os aparelhos
Ignorar a qualidade do acessório pode ter como consequência o início de um processo físico perigoso. Isso porque o mau contato ou fios inadequados aumentam a resistência à passagem da corrente elétrica, fazendo com que parte da energia seja transformada em calor.
Esse superaquecimento pode danificar o material isolante que protege os cabos e, quando essa proteção é comprometida, aumenta o risco de contato entre condutores. O resultado é uma maior chance de problemas como curto-circuitos.
“Se um condutor superaquecido estiver em contato com outro fio, o aquecimento pode acabar amolecendo também o isolamento do outro condutor. Isso reduz a proteção e começa a deixar as duas partes energizadas, aumentando muito a chance de ocorrer um curto-circuito”, destaca o professor.
Além do risco de incêndio, uma falha elétrica também pode gerar picos rápidos de tensão quando ocorre uma interrupção brusca da corrente. Dependendo da energia envolvida, essas oscilações podem atingir as fontes dos aparelhos e danificar componentes eletrônicos da TV ou do videogame.
Sinais de alerta no sistema elétrico
Mas, antes de uma falha mais grave acontecer, o sistema elétrico costuma emitir sinais de que algo está errado. Desligamentos inesperados, mau contato ao mexer no rack e plásticos com aparência amarelada ou deformada são indícios de superaquecimento.
Também existem sinais sonoros e olfativos, como zumbidos elétricos incomuns e cheiro de fio queimado no cômodo onde os dispositivos estão instalados. O especialista detalha ainda outro indício de que o isolamento dos cabos começou a apresentar problemas.
"Outro sinal é o cheiro de ozônio, que lembra um pouco o de um produto químico de limpeza. Isso pode indicar que está ocorrendo um arco elétrico, com centelhas passando de um fio para o outro e provocando esse efeito", detalha Santos.
Como evitar problemas com TV e videogame
Para evitar chegar a esse ponto, o engenheiro afirma que a regra principal é dimensionar corretamente a instalação. O segredo é somar o consumo em watts indicado nas etiquetas dos aparelhos para garantir que o valor final fique dentro da capacidade do filtro de linha e da tomada.
Vale também ressaltar que o famoso benjamin (“T”) funciona apenas como um multiplicador de conexões e não oferece proteção adicional. Segundo o especialista, seu uso não representa necessariamente um risco, desde que a soma da potência dos aparelhos permaneça dentro dos limites da tomada e do próprio adaptador.
Já os filtros de linha mais completos contam com componentes internos capazes de reduzir ruídos e interferências elétricas presentes na rede, oferecendo uma camada adicional de proteção aos aparelhos conectados.
Em setups mais sensíveis, também vale considerar utilizar um nobreak para reduzir impactos causados por oscilações e interrupções de energia.
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