Dia da Educação | Como o YouTube se tornou uma verdadeira sala de aula

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 28 de Abril de 2021 às 15h04
Alexander Shatov/Unsplash

A tecnologia busca trazer soluções para as pessoas. No que diz respeito a aprender novos conteúdos, não é diferente. Por meio de vídeos, plataformas e apps, é possível estudar para se preparar para os vestibulares ou para as provas. Nesta quarta-feira (28), dia da educação, mostramos como o YouTube pode se tornar uma verdadeira sala de aula.

Com o passar do tempo, a famosa plataforma de vídeos foi conquistando cada vez mais adeptos. E o que antes era feito puramente para fornecer entretenimento, acabou se tornando o emprego de muitos: os youtubers. Na área da educação, isso não foi diferente: os professores passaram a utilizar a plataforma para compartilhar seus conhecimentos e complementar suas aulas, até que isso tomou lugar em suas profissões. Surgiram o que chamamos de edutubers.

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Tendo em mente essas mudanças, a própria plataforma decidiu investir em um braço exclusivamente voltado para a educação: o YouTube Edu. "É uma plataforma que reúne conteúdos de educação gratuitos e de qualidade para estudantes, professores e escolas de todo o país. A essência da plataforma é baseada em dois pilares: a democratização do acesso ao conteúdo de qualidade e aumentar a diversidade na oferta de conteúdo", conta a porta-voz Clarissa Orberg.

O espaço oferece conteúdos curados pela Fundação Lemann, além de aulões preparatórios para o ENEM e outros vestibulares. "Ao longo dos anos, mais de 450 canais passaram por um rigoroso processo de avaliação e foram aprovados para fazer parte do projeto. Juntos, esses canais superam 70 milhões de inscritos e, em janeiro deste ano, no período da prova do ENEM 2020, mais de 25 milhões de usuários estudaram por meio dos vídeos disponíveis nos canais que fazem parte do YouTube Edu", Clarissa acrescenta.

Canais vinculados ao YouTube Edu

Um desses canais citados por Clarissa é o da Khan Academy, uma organização sem fins lucrativos voltada a proporcionar uma educação gratuita. O canal brasileiro une 467 mil inscritos, e disponibiliza vídeos de diversas disciplinas.

O gerente sênior de marketing da Khan Academy no Brasil, Paulo Bellé, conta que o processo de levar os conteúdos para o YouTube foi natural. "A Khan Academy surgiu pois Sal Khan, fundador da empresa, ajudava sua prima Nádia em matemática através de vídeos postados online. Hoje, todos os conteúdos em vídeo presentes na plataforma estão dentro do YouTube", afirma.

Na visão do executivo, as redes sociais permitem que mais pessoas tenham acesso a conteúdos que antes não eram tão conhecidos. O diferencial delas é o poder de amplificar o alcance de qualquer coisa. Questionado sobre quais dicas a Khan Academy pode dar aos alunos que estudam por meio de vídeos do YouTube, Bellé declara: "Acreditamos que o professor é fundamental no processo educacional, nunca havendo a possibilidade de ser substituído pela tecnologia. Sabendo disso, fazer um roteiro de estudos que inclua prática e buscar por conteúdos de qualidade são essenciais neste processo".

Já sobre a importância de se ter um dia mundial da educação, o gerente sênior afirma que a data visa trazer cada vez mais atenção a este que é um direito humano. "A pandemia e, consequentemente, o fechamento das escolas trouxeram uma série de desafios para alunos, professores e famílias. Que esta data, especialmente neste ano, sirva como incentivo para avaliarmos o cenário atual e pensarmos em formas de melhorar o futuro através da educação", aponta.

Outro dos vários canais vinculados ao YouTube Edu é o do Stoodi, que já está com 1,29 milhões de inscritos. Tradicionalmente, é um site de preparação para vestibular/ENEM e reforço escolar, que contempla diversas disciplinas. Entre os vídeos, o conteúdo obedece essa mesma proposta. "A ideia [de levar o conteúdo para o YouTube] surgiu através da demanda dos estudantes, muitos buscam informações nesta plataforma e temos a oportunidade de passar o conteúdo de forma completa, num formato parecido com sala de aula", conta Marina Sestito, coordenadora pedagógica do Stoodi.

"Se por um lado as redes sociais podem causar distrações e desviar o foco dos estudos, por outro lado podem ser um excelente canal de disseminação de conteúdo pedagógico. Com a ascensão das redes sociais, o conteúdo pedagógico de qualidade deixa de estar somente em instituições de ponta ou em enciclopédias empoeiradas, e passa a estar no dia a dia do estudante, no celular, na palma da mão", observa a coordenadora pedagógica.

A coordenadora pedagógica recomenda que, ao estudar pelo YouTube, o aluno tenha um planejamento. "Pesquise sobre os conteúdos que serão cobrados na prova que você quer realizar e priorize o estudo desses conteúdos para potencializar os resultados na nota final", aconselha. "É muito mais difícil aprender tudo de uma vez do que ir se preparando aos poucos, com regularidade. Ter um Dia da Educação é importante porque nos faz refletir sobre esse processo de construção do conhecimento e sobre como é possível melhorá-lo", conclui Marina.

Do presencial ao virtual

Em tempos de pandemia, a área da educação migrou radicalmente para a tecnologia, e isso também impactou o YouTube, com um aumento drástico de demanda. "Para se ter uma ideia, entre março e novembro de 2020, os canais do YouTube Edu foram acessados por mais de 23 milhões de usuários únicos por mês, um aumento de 25% em relação à média de acessos únicos mensais no mesmo período de 2019. As visualizações de pessoas com 35 ou mais cresceram 28%, um possível indício da necessidade de pais e professores em achar conteúdo de qualidade para ajudar a complementar suas aulas/estudos dos filhos", explica Clarissa.

A porta-voz conta que, com a pandemia e o distanciamento social, viu um número grande de professores de todas as disciplinas abrirem canais para poder dar aulas. Até mesmo as Secretarias de Educação dos Estados recorreram à plataforma para disponibilizar conteúdos educativos. Em janeiro e fevereiro de 2020, pouco mais de 300 vídeos foram carregados no YouTube com a tag "ensino a distância" ou o mesmo termo no título. Pouco tempo depois, só em março de 2020, esse número era superior a 23 mil.

Clarissa disserta que 2020 foi um ano diferente de todas as formas, e para a educação, o mundo virtual tornou-se o único local possível para grande parte dos alunos ao redor do mundo continuarem a ter aulas. No entanto, a plataforma não almeja substituir as salas de aula.

"Hoje, o YouTube Edu está consolidado como um espaço de referência na internet e o formato de videoaulas alterou a dinâmica de estudos de muitos alunos, professores e escolas, que atualmente contam com o apoio desses YouTubers na sua rotina de estudos", aponta a porta-voz. "O YouTube não substitui a sala de aula e tampouco o professor, mas se tornou um aliado muito importante para os estudantes, principalmente neste momento", completa.

Vale apontar que em julho de 2020, o YouTube lançou a seção Aprender, um hub que agrega conteúdos para o usuário explorar diferentes áreas de conhecimento na plataforma. Neste espaço, o usuário encontra novas playlists semanais, com vídeos de diversos assuntos, como educação financeira, temas voltados à carreira, questões sociais, etc. O hub pode ser acessado pelo menu lateral esquerdo pelo botão “Aprender”, na guia “Explorar”, ou diretamente pelo link.

Conteúdo verificado

(Imagem: Szabó Viktor/Pexels)

Uma das grandes questões em torno de aprender pela internet é como saber quais conteúdos educacionais hospedados estão corretos, e é aí que o YouTube Edu entra. O YouTube em si é uma plataforma aberta que permite que qualquer pessoa possa criar um canal e publicar conteúdos, desde que respeitem os termos de uso e regras da comunidade, mas no que diz respeito a conteúdos educacionais, a plataforma fez uma parceria com a Fundação Lemann, justamente para destacar canais e vídeos de professores, selecionados com a ajuda da Fundação.

Segundo a porta-voz, os canais que participam do YouTube Edu tiveram seus vídeos avaliados por uma equipe de professores da Fundação Lemann de acordo com acuracidade do seu conteúdo e qualidade audiovisual. Além disso, os vídeos que aparecem na página do canal do YouTube Edu, atualmente organizados em playlist por ano letivo e por matéria, foram 100% curados por esse time de experts apontados pela Fundação Lemann.

Clarissa conta que anualmente os canais do YouTube Edu se reúnem para uma conferência de capacitação e treinamento chamada EduCon, para que possam aprender sobre os novos recursos da plataforma, discutir boas práticas e compartilhar histórias.

Questionada se o YouTube ajuda a democratizar a educação, a porta-voz reflete: "Se o estudante tem algum acesso à Internet, ele encontra gratuitamente no YouTube conteúdos educacionais de altíssima qualidade para complementar seus estudos. O mesmo vídeo de matemática ou de química pode ser assistido por um aluno de uma comunidade rural do interior do Brasil e por um aluno de classe alta que frequenta uma escola particular em alguma capital do país".

E se os canais vinculados ao YouTube Edu forneceram dicas para os estudantes que buscam aprender com a ajuda dos vídeos, a própria plataforma também tem as suas: "A primeira dica é navegar pelos conteúdos do canal e achar aquele professor que ensina de um jeito que funcione para você: existem professores que usam lousa, tem outros que preferem usar apresentações ou mesa digitalizadora. Há conteúdos apresentados no formato de animação ou de documentário, com duração mais longa ou mais curta. Cada professor e cada canal tem seu estilo próprio e o aluno pode escolher aquele com o qual mais se identifica", afirma Clarissa.

A porta-voz da plataforma ainda diz que, caso o aluno esteja se preparando para uma prova específica, como o ENEM, é importante criar um plano de estudos para organizar sua rotina e garantir que vai revisar todos os conteúdos cobrados na prova. "Além disso, caso sinta necessidade de companhia na hora de estudar, existem vários canais que ajudam com isso. Vídeos de 'estude comigo' – uma tendência que surgiu e ganhou força originalmente em 2019 – se tornaram ainda mais presentes em 2020 com as escolas fechadas e a necessidade do isolamento social", recomenda.

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