Como a internet pode te ajudar a estudar língua portuguesa

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 12 de Maio de 2021 às 18h45
DragonImages/Envato

A tecnologia pode dar uma força quando o assunto é aprender. Várias disciplinas estão presentes em aplicativos, plataformas e até mesmo canais no YouTube, e a língua portuguesa é uma delas. Com isso em mente, o Canaltech traz algumas sugestões que podem ajudar quem precisa estudar para prestar vestibulares, provas, ou apenas para reforçar o aprendizado mesmo.

Canais do YouTube

No YouTube, vários professores se aventuram em compartilhar seus conhecimentos por meio de videoaulas. É o caso de Letícia Góes, do canal Português com Letícia, que une mais de 400 mil inscritos. A professora conta que, no início, relutou bastante em fazer o canal porque trabalhava em duas escolas e tinha uma rotina bem corrida, mas, em janeiro de 2018, acabou criando. Logo depois, saiu de uma das escolas para se dedicar mais ao canal.

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Letícia conta que é professora de escola pública há mais de dez anos, e sente muitas diferenças entre falar para trinta alunos e falar para uma câmera. "Na sala de aula, além dos problemas estruturais do sistema educacional, temos de lidar com desatenção e indisciplina, interferências que não existem na hora de gravar. Por outro lado, quando estamos ao vivo, olhamos nos olhos dos alunos e sabemos se eles estão acompanhando e compreendendo, o que é determinante para administrar o ritmo da aula", afirma.

"A gravação para o YouTube exige mais preparação, porque eu entendo que o público será bem mais diverso do que os alunos de mesma faixa etária da sala de aula. No YouTube, tenho alunos de muitas idades, assistindo às aulas com diferentes objetivos, por isso, na hora de preparar, eu cuido para que a abordagem possa contemplar perfis diversos. Há, entretanto, uma semelhança entre a escola e a internet: o abismo educacional provocado pela desigualdade social. A educação de qualidade, a que todos têm direito, não é realidade para muitos", acrescenta a professora.

Questionada sobre os principais desafios de ser uma EduTuber, Letícia aponta: "O primeiro deles é trazer o ambiente de trabalho para a minha casa; os limites entre trabalhar e descansar nem sempre são claros e aí entra outro grande desafio: lidar com a enorme carga de trabalho. À medida que o nosso público no YouTube cresce, eu sinto que minha responsabilidade é cada vez maior. Para preparar uma aula, costumo consultar cinco ou seis gramáticas diferentes. Além disso, surgem novas ideias e demandas: no final de 2019 lançamos um site e atualmente temos um curso focado em concursos públicos e um curso voltado para o uso da Língua Portuguesa no ambiente profissional".

Durante a conversa com nossa equipe, Letícia ainda afirmou que com a ascensão das redes sociais, aprender tornou-se mais fácil, uma vez que existem muitos conteúdos gratuitos disponíveis. "As pessoas aprendem de formas diferentes, em ritmos diferentes e, nos ambientes virtuais, há uma diversidade não só de conteúdos, mas também de abordagem. Então, o estudante tem a possibilidade de encontrar o mesmo assunto sendo abordado de formas distintas, o que amplia as chances de compreensão", reflete a criadora de conteúdo.

No entanto, a professora destaca que, embora haja, nas redes sociais, muitos conteúdos relevantes e que facilitam a aprendizagem, trata-se de um ambiente muitas vezes destinado ao entretenimento. "O estudante precisa ter uma disciplina para estipular o tempo de estudo e não se distrair, já que os estímulos são muitos e a tentação de assistir a um outro conteúdo sugerido é grande", afirma.

Segundo Letícia, para estudar pela internet, é necessário aprender a pesquisar. Há muito conteúdo disponível e o estudante precisa filtrar, julgar e escolher. "Esse processo é bastante interessante porque desenvolve o senso crítico, característica preciosa para os estudos e para a vida. Além disso, é necessário ter disciplina: escolher um cronograma de acordo com o objetivo a ser alcançado, estabelecer uma rotina e, durante os momentos de estudo, silenciar os aplicativos de entretenimento e de troca de mensagens, fechar as abas e estar concentrado", declara.

Por fim, questionada sobre os aprendizados trazidos por sua carreira no YouTube, observa: "Acredito que meu maior aprendizado com o Português com Letícia foi me dar conta de que sempre há algo novo para aprender. Isso criou em mim um senso crítico maior em relação às gramáticas. Até então, quando surgiam dúvidas, eu consultava um único autor. Agora, para preparar uma videoaula, eu consulto várias gramáticas diferentes para comparar os entendimentos e as abordagens. Eu tenho mais questionamentos em relação ao Português agora do que eu tinha antes porque estar no YouTube me deixou mais curiosa e estimulada".

Plataformas

Aplicativos, plataformas e canais no YouTube são algumas maneiras da tecnologia ajudar o internauta a estudar a língua portuguesa (Imagem: fotografierende/unsplash)

Em contrapartida, os aprendizados online não se imitam apenas ao YouTube. Várias plataformas voltadas aos vestibulares, por exemplo, trazem conteúdos da língua portuguesa. A própria Letícia conta com uma plataforma paga, com conteúdos que vão além do que ela oferece gratutiamente em seu canal. Uma semelhante é a do professor Noslen, que também conta com planos mensais, trimestrais e anuais, todos destinados ao aprendizado da disciplina em questão.

Diferente das plataformas anteriores, que contam com planos, na Superprof os alunos pagam por aula. O usuário pode inserir o nível de português que possui (se está no ensino fundamental, médio, universidade) e aparecem vários professores disponíveis para dar aula por meio de vídeo para aquele nível específico.

Há sites gratuitos também, como o Gramática on-Line, dedicado a conteúdos de fonética, morfologia, sintaxe e até mesmo produção de textos. Enquanto isso, o Só Português traz conteúdos, exercícios, provas on-line, artigos, jogos, curiosidades e até mesmo fóruns de discussão a respeito da disciplina.

Já a Khan Academy vem de uma Organização sem fins lucrativos, visando oferecer de maneira totalmente gratuita as disciplinas (o que inclui a língua portuguesa, claro) da grade básica e também cursos livres. O foco está nos Ensinos Fundamental e Médio. O site disponibiliza alguns cursos por meio de vídeos.

Aplicativos

Os famosos apps também podem ajudar a aprender essa disciplina. Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP desenvolveram o Corretor Inteligente de Redações Automático (CIRA), que corrige uma redação de maneira automática. Gratuito (Android, versão web), o app não apenas dá uma nota para a redação, como também grifa em vermelho os erros presentes no texto, com direito a uma breve explicação sobre o porquê daquela palavra estar errada.

E já que tocamos no assunto redação, o Dicionário Sinônimos Offline (Android) pode te ajudar na tarefa. Isso porque ele traz, após uma rápida busca, sinônimos para a palavra que você deseja usar, impedindo que a redação tenha repetições.

Enquanto isso, o aplicativo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, VOLP (Android, iOS) foi criado pela famosa Academia Brasileira de Letras (que é composta de escritores renomados e é o principal órgão que protege e incentiva nossa língua no Brasil e no mundo) e é destinado ao estudo de gramática, com direito a verbetes e classificações gramaticais. Vale ressaltar que o app está de acordo com o novo Acordo Ortográfico.

Já o app Português Panda para Concursos e Provas (Android) trabalha com simulados de português (que conta com as 1000 questões de concursos mais comentadas) e vídeoaulas (1000 vídeoaulas organizadas em um catálogo). Também há 12 modos de treinamento, além de recursos como interpretação de texto.

Ensino infantil

O público infantil também consegue aprender a língua portuguesa com o auxílio da tecnologia (Imagem: Reprodução/Rawpixel)

Para as crianças, também não falta conteúdo online. Desenvolvido pelo Instituto ABCD, o app EduEdu (Android) possui avaliações e materiais didáticos de língua portuguesa para crianças que estão entre o 1º e 3º ano do ensino fundamental, e também atende os anos finais da Educação Infantil, crianças de 4 e 5 anos, contribuindo para o desenvolvimento de alunos com alguma dificuldade de aprendizado. Após uma avaliação inicial, o EduEdu identifica quais pontos a criança precisa melhorar e desenvolve atividades personalizadas para cada uma. Além de acompanhar a evolução do usuário, monitora o processo, gerando novas atividades. Vale ressaltar que o aplicativo é completamente gratuito.

No YouTube, o canal da professora Maria Izabel Ferreira ajuda com breves aulas destinadas aos pequenos, várias delas focadas justamente na alfabetização. A proposta do canal Educação Infantil Divertida é bem semelhante: auxiliar na alfabetização, focando principalmente em assuntos como as sílabas, consoantes, vogais, os sons das letras, etc.

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