E3 2019 | O que a Square traz à mesa, além de Final Fantasy VII e Vingadores?

Por Rafael Arbulu | 06 de Junho de 2019 às 13h48
(Imagem: Divulgação/Square Enix)
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Houve um tempo em que a Square Enix era a empresa mais procurada pela imprensa especializada, fãs e outros especialistas do setor durante qualquer edição da E3. Em uma época em que o mercado mundial de jogos era menos pulverizado e as grandes novidades se concentravam em algumas poucas empresas, qualquer boato remetente a algum Final Fantasy ou Dragon Quest já era suficiente para fazer com que todos ficassem bem ávidos por informações.

Mas, digamos, nos últimos cinco a 10 anos, a Square Enix vem tendo sua majestade tomada por uma indústria cada vez mais aberta a outros formatos de jogos e, hoje, qualquer nota publicada sobre qualquer uma de suas longevas franquias rendem um “Ok, isso é bacana. O que mais você tem?”.

Porém, em 2019 isso dá sinais de mudança. A Square Enix tem pelo menos dois grandes projetos que, de uma forma ou outra, serão apresentados na E3 deste ano e, com a ressalva de que um deles já é mais do que esperado, devagarinho ela vai retomando seu brilho de outrora. A questão é: os fãs vão ligar o suficiente?

Veja abaixo algumas coisas que a empresa já confirmou, e outras que podem muito bem acontecer:

Final Fantasy VII

Ok, vamos começar com o óbvio: o remake de Final Fantasy VII, possivelmente um dos maiores e mais rentáveis da publisher japonesa, já era algo almejado por fãs desde a apresentação técnica do PlayStation 3, em 2006. De lá para cá, o projeto tomou diversos rumos, sendo desmentido repetidas vezes até que, em 2015, também em uma E3, a conferência da Sony anunciou que o jogo seria totalmente refeito para a atual geração de consoles.

Mais ainda, contrariando o jeito Square Enix de ser, já até sabemos alguns detalhes do jogo: talvez para simular o ato de “trocar o CD” no original do PlayStation (PSX), Final Fantasy VII Remake será distribuído em formato episódico. Isso também pode trazer uma outra possibilidade: a de que o jogo apareça para os fãs antes do que se espera. Como o formato é fragmentado, episódios já prontos podem ser disponibilizados sem que os posteriores estejam terminados. Eventuais feedbacks da comunidade podem ser implementados por atualizações posteriores, tornando a experiência mais coesa.

Mais além, o jogo não trará de volta a batalha em sistemas de turnos, e sim uma espécie de híbrido entre
Final Fantasy XIII e Final Fantasy XV — ou seja, um funcionamento mais direcionado para a progressão em tempo real. Isso pode fazer com que alguns torçam o nariz, mas, querendo ou não, o combate foi bem recebido. Especialmente na edição mais recente da franquia.

A Square Enix prometeu “novidades sobre o jogo”, tentando manter o ar de mistério para a E3 2019. Com isso, esperamos (“torcemos”, talvez seja a palavra mais adequada) ter ao menos uma data de lançamento — nem que seja do primeiro episódio — ou então informações comentadas de jogabilidade. Mais além, Tetsuya Nomura, que foi designer dos personagens no jogo original e dirige o remake, disse que considera usar material do universo expandido, ou seja, é possível que a empresa anuncie a entrada de Before Crisis: Final Fantasy VII, Crisis Core: Final Fantasy VII e o shooter Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII em algum grau. O que definitivamente não devemos apostar as fichas: hands-on para a imprensa, já que a publisher é notoriamente evasiva nesses assuntos.

Marvel’s Avengers

O jogo da empresa para a franquia Vingadores perdeu o timing do lançamento de Vingadores: Ultimato nos cinemas, mas dado o fato de que a Square Enix nunca fez qualquer promessa do projeto desde seu anúncio na E3 2017, isso já era esperado. Recentemente, porém, algumas informações sobre o jogo acabaram vazando e nos levando a especulações mais densas sobre o que é, afinal, esse título. E tambem há um tuíte da Marvel, prometendo a revelação oficial do jogo na feira. Veja bem: tuíte da Marvel, não da Square Enix. Embora isso seja provavelmente uma decisão de negócios, é também outro atestado de como a publisher "segura o jogo" com seus projetos maiores.

Segundo o site da E3, o jogo será do estilo ação-aventura, permitirá jogar tanto sozinho quanto em modo cooperativo, e colocará os heróis em equipes de quatro personagens, oferecendo ainda aos jogadores opções de customização dos personagens. Há quem pense que isso aproxima Marvel’s Avengers de suas contrapartes no mercado mobile (jogos como Marvel Strike Force oferecem opções similares).

Entretanto, outras informações publicadas no site indicam que o jogo trará “algum elemento online parecido com títulos como Destiny e Anthem". Isso porque o jogo terá uma mistura de cenas cinemáticas (CG) com “gameplay contínuo”. Desta forma, a comparação com os dois títulos mencionados acima podem indicar que o jogo terá um forte apelo para partidas online, multiplayer.

Evidentemente, a Square Enix não comentou os boatos, preferindo deixar tudo para sua conferência na E3 2019.

Outriders

Entrando na primeira confirmação da Square Enix nesse período pré-E3, temos Outriders. O jogo foi revelado na segunda, dia 3, e já possui até uma conta oficial no Twitter cheia de pistas aparentemente desconexas e um teaser, intitulado Awaken (“Despertado” ou “Acordado”, pela tradução).

Como já se esperava, informações concretas sobre o jogo são poucas: evidentemente, traz uma abordagem de ficção-científica. Também óbvia será a presença dele em algum grau na keynote da Square dentro da E3. O que se especula é que o jogo esteja em desenvolvimento pelos estúdios People Can Fly (de Bulletstorm), já que em maio de 2018 foi divulgado que o estúdio e a publisher estavam trabalhando juntos em um jogo de tiro de alguma propriedade intelectual grande (AAA), mas desde então o silêncio tomou conta.

Sobre o enredo, mais especulações: aparentemente Outriders é ambientado no ano de 2076. A Terra já não é mais a casa da humanidade e, das duas, uma: ou tornou-se inabitável, ou tornou-se perigosa demais. Algo levou a raça humana a buscar abrigo no espaço, e espera-se uma aterrissagem em Enoch — o nome, aliás, faz referência ao antepassado de Noé, segundo o Cristianismo. Se isso tem algo a ver, não sabemos, mas a Square Enix costuma usar elementos de várias religiões para compor as suas narrativas.

Considerando que Outriders se trata de uma nova franquia, podemos muito bem ver uma boa entrada da empresa em algum shooter espacial. Ou, de repente, o jogo tem uma abordagem totalmente diferente e a Square Enix vai nos surpreender. De uma forma ou de outra, sairemos ganhando — e, convenhamos, depois que a Square apostou suas fichas no desastroso Quiet Man, tem como piorar?

Dying Light 2

A Square Enix prometeu trazer novidades sobre o jogo de zumbis desenvolvido pelos estúdios Techland na E3, entretanto os detalhes sobre ele ainda são bem nublados.

"Essa parceria representa uma oportunidade incrível para que ambas as empresas tragam as eras negras modernas para o público das Américas”, disse o chefe de marketing da Techland, Ed Lin, quando anunciou a parceria com a Square em maio. “Nossa parceria começa na E3 deste ano e estamos ansiosos por uma grande campanha que mostre o DNA de Dying Light tão amado pelos fãs, no mundo expansivo e selvagem dos infectados”.

Dying Light 2 foi oficialmente revelado na E3 do ano passado e seu enredo se passa 15 anos depois dos eventos vistos no primeiro jogo, onde o que sobrou da humanidade luta pelo controle do que parece ser a última cidade do planeta Terra. A Techland também informou que o jogo terá um mundo semiaberto (sandbox), onde as decisões tomadas pelo jogador vão estruturar e moldar a progressão narrativa do título. Tal qual seu predecessor, Dying Light 2 também terá suporte ao multiplayer, mas à parte da confirmação de que não haverá um modo battle royale, isso ainda segue sem detalhes.

Dragon Quest

Uma das mais famosas séries de RPG da Square Enix já tem confirmadas duas novas entradas: Dragon Quest Builders 2 chegará às lojas em 12 de julho deste ano para Nintendo Switch e PlayStation 4, trazendo um modo multiplayer, estruturas mais amplas para construção e outros recursos de evolução em relação ao seu predecessor de 2016.

Dragon Quest XI deve ganhar uma edição definitiva sabe lá Deus quando. A Square Enix apenas anunciou a releitura do jogo, sem data nem informações extras.

Babylon’s Fall

Esse entra na categoria do “nossa, nem lembrava”. Babylon’s Fall foi originalmente anunciado na E3 2018 como um título de RPG cheio de ação, com CGI bastante detalhada. Em outras palavras, tudo o que a Square Enix sempre teve.

A diferença é que o jogo está em desenvolvimento pela PlatinumGames, que tem um currículo sólido em parcerias com grandes publishers (vide Metal Gear Rising: Revengeance, com a KONAMI e a Kojima Productions, em 2013). O teaser exibido no ano passado tem leves retoques de gameplay e insinuam que a movimentação e os combates progridem de forma rápida e intensa, tal qual é a “pegada” da PlatinumGames.

O que se sabe sobre o enredo até agora: a humanidade encontrou um novo tipo de energia chamado Oversoul, que permite coisas magníficas desde a forja de armas evoluídas até capacidades precognitivas (enxergar o futuro imediato e distante). Com isso, a raça humana elevou-se a um status quase divino. Há também menções aos Nomads, grupos de guerreiros que não sabemos se são humanos ou de alguma outra raça. Especula-se que os antagonistas principais sejam divindades de algum tipo (várias menções a “Gaia”), mas nada que nos dê muito espaço para adivinharmos.

Mas e o que já está por aí?

As novidades acima representam possíveis — OK, “prováveis” — anúncios da empresa, mas nada que reflita algo muito próximo (ainda). Entretanto, a publisher japonesa tem outras cartas na manga, algumas, inclusive, já presentes no varejo.

É o caso de Kingdom Hearts III. O jogo, lançado em janeiro deste ano, era um dos mais aguardados pelos fãs de RPG, mas segundo relatos recentes, falhou em gerar muita receita para a empresa. Ao final de abril, o jogo teve anunciada o seu primeiro DLC — intitulado Re:Mind. Detalhes sobre ele ainda são escassos. Ainda não se sabe quando ele estará disponível para download, nem preços. Mas Sora, o protagonista do jogo, ganhará uma nova keyblade, além do conteúdo extra trazer novos inimigos, um novo chefão e até um novo final para a aventura.

A Square Enix está se preparando para apresentar algo magnânimo dentro da E3 deste ano. Isso abre a guarda da empresa para toda a sorte de reações: se o material desapontar, a publisher se verá exposta a críticas veementes — arrisco dizer, mais até do que a maioria das outras empresas do evento: uma das vantagens da Ubisoft e seu recente vazamento de Watch Dogs, por exemplo, é a de que o público já vem gerando uma expectativa bem positiva para algo que sequer foi mostrado.

Por outro lado, se a Square Enix mostrar metade do que exibimos neste texto com a maestria que lhe era costumeira em anos passados, então ela pode muito bem ser vista como um dos maiores destaques da E3 2019. O portfólio é denso demais para ser ignorado. Resta saber como a empresa vai jogar com as cartas que tem na mão.

A conferência da Square Enix na E3 2019 está marcada para o dia 10 de junho, a partir das 22h, no horário de Brasília.

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