Como fazer compras parceladas sem precisar de um cartão de crédito

Como fazer compras parceladas sem precisar de um cartão de crédito

Por Rui Maciel | 18 de Agosto de 2021 às 11h20
Envato / pulsar75

A compra parcelada é uma daquelas modalidades de consumo tipicamente brasileiras e pouco usada no resto do mundo. Ela permite que boa parte da população tenha acesso a bens e serviços que, de outra forma, não conseguiriam pagar por eles.

No entanto, segundo dados do Instituto Locomotiva, divulgados em abril deste ano, o país conta 34 milhões de desbancarizados. Além disso, menos de 35% dos brasileiros têm cartão de crédito e, de acordo com um levantamento do Serasa Experian, mais de 24 milhões de brasileiros não conseguem acesso a crédito no mercado, principalmente, devido ao baixo score do CPF. Isso significa haver um nicho bem promissor de consumidores em potencial e que busca maneiras de realizar compras de forma parcelada. Desde que, claro, caiba no seu orçamento.

E de olho no potencial desse público, algumas fintechs estão oferecendo produtos que permitem aos usuários parcelarem compras sem precisar, por exemplo, de um cartão de crédito. Em maior ou menor escala, elas apostam em um modelo de negócios conhecido como Buy now, pay later ("Compre agora, pague depois" em tradução livre) e que funciona como uma espécie de crediário, mas turbinado com tecnologias como Inteligência Artificial para análise rápida de liberação de crédito. Tudo feito de forma online e, em muitos casos, via aplicativo ou WhatsApp. E, o que é melhor, em poucos minutos.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Logo, conheça abaixo quatro fintechs que estão apostando nesse formato e podem ajudar a comprar aquele "brinquedinho" que você já está de olho há algum tempo:

ADDI

Esta fintech colombiana chegou ao Brasil em março deste ano e aposta forte no "Buy Now, pay later". A empresa oferece uma solução que permite ao consumidor parcelar compras, principalmente, em lojas virtuais (e também algumas lojas físicas) sem precisar de um cartão de crédito, podendo usar o boleto ou o Pix.

Basicamente, a fintech oferece crédito ao usuário, que pode pagar à vista para a loja, mas de forma parcelada a fintech. E, segundo a companhia, sem a cobrança de juros. 

Para simular seu crédito o usuário precisa apenas de um documento de identidade (RG/CPF/CNH), endereço de e-mail válido e um número de celular com acesso ao WhatsApp. Uma vez no e-commerce, ele escolhe a Addi como meio de pagamento; na sequência, ele insere seus dados, aceita os termos de uso e escolhe o número de parcelas que deseja pagar pelo produto — nesse último será informado, inclusive o total que será pago, com os juros incluídos.

Solução de crédito ao consumidor da ADDI: juros cobrados são menores que os praticados pelos cartões de crédito (Imagem: Divulgação/ADDI)


Ao visualizar e concordar com o valor a ser pago, o consumidor confirmará sua identidade enviando as fotos que serão solicitadas por WhatsApp. Com tudo aprovado, ele dará o aceite e confirmará seu crédito, digitando o código que receberá em seu celular. Pronto! Basta guardar o comprovante de crédito e usufruir do que foi comprado.

Atualmente, a ADDI já está disponível em mais de 50 varejistas e integrada às plataformas da VTEX, Nuvemshop e WooCommerce. Em maio último, a fintech captou R$ 350 milhões em uma rodada de investimentos e usará parte desse montante para é expandir sua solução de crédito aos varejistas, para que estes ofereçam a seus clientes. Nos próximos dois anos, ela espera emprestar mais de R$ 1 bilhão no Brasil, tornando o país o seu principal mercado já em 2022.

Para saber quais lojas já aceitam o ADDI como forma de pagamento, clique aqui.

Nubank

A solução do Nubank é (e não é) uma concessão de crédito aos seus correntistas. Lançada no começo deste mês, ela permite aos seus clientes pagar depois compras feito no débito. Segundo a empresa, a função é uma boa alternativa e pode ser usada em diversas situações, como: parcelar compras que não oferecem a opção de parcelamento no ato da transação, aproveitar um desconto relevante à vista – e que valha a pena parcelar depois – ou mesmo quando o limite do cartão de crédito é baixo e você não quer comprometê-lo com uma determinada aquisição.

A nova função pode ser usada para dividir compras em até 12 vezes. A quantia precisa ter sido paga à vista, em transações em que não há possibilidade de parcelamento no ato da compra. Na sequência, para pagar depois a compra, o usuário precisa acessar o app e realizar o seguinte procedimento:

  1. Acesse a compra que deseja parcelar e clique na opção “Pague essa compra no futuro” – ela deve aparecer no seu histórico;
  2. Selecione a opção “Pagar depois”;
  3. Leia os termos e clique em “Continuar”;
  4. Simule os prazos e condições de pagamento;
  5. Confirme



O Nubank afirma que o valor da compra volta automaticamente para a conta do usuário. Por exemplo: se ele fizer uma compra de R$100 e escolher parcelar em 2x, nos próximos dois meses, na data de vencimento, ele pagará R$50 + juros. Os valores são debitados da conta do Nubank de forma automática e também é possível ver todas as informações do contrato na hora da simulação. A fintch menciona também que o valor total da transação não pode ser menor do que R$ 30, e que esse recurso não deve ser usado para adiar o pagamento de qualquer compra já que o parcelamento tem juros.

A fintech afirma que solução de parcelamento no débito está em teste com alguns usuários que já possuem valor disponível para empréstimo e, em breve, estará disponível a todos os clientes que têm acesso ao empréstimo do Nubank.

Bom pra Crédito

Fintech que conta com um marketplace de crédito online desde 2013, a Bom pra Crédito começou a trabalhar com uma espécie de Crédito Direto ao Consumidor Digital — ou CDC Digital. A solução permite que o perfil do consumidor seja avaliado por mais um de credor — ao contrário de outros concorrentes, onde essa análise é feita por apenas uma instituição financeira. Uma vez que a fintech conta com 30 parceiros, onde muitos contam com critérios de avaliação diferente, as chances de ter o crédito aprovado são maiores.

Essa nova solução da Bom pra Crédito passa a operar dentro do comércio eletrônico como uma opção de crédito parcelado. A proposta do CDC Digital é ser mais uma opção de pagamento para auxiliar as lojas online no aumento das vendas, já que muitos sofrem com o abandono de carrinho no checkout. “Muitas vezes as pessoas abandonam as compras no e-commerce pois não têm poder de compra", comenta Ricardo Kalichsztein, CEO da fintech. ”Nosso objetivo é ser um meio de pagamento que dá ao comprador uma chance de aprovação mais ágil, no qual ele pode fazer o pagamento em até 24 vezes, sem comprometer o limite do cartão de crédito”.

O CDC da Bom pra Crédito funciona de forma semelhante ao da ADDI. Ao escolher o produto desejado, o usuário o coloca no carrinho do e-commerce e escolhe o CDC da fintech como forma de pagamento. Ao fornecer algumas informações (CPF e RG), o perfil é analisado para a liberação do crédito. Uma vez aprovado, as compras são liberadas, de acordo com o valor do carrinho. A compra deve ter valor mínimo de R$ 300 e máximo de R$25 mil e ainda há a opção do primeiro pagamento ser feito em 30 dias. Atualmente, a solução está disponível nas lojas operacionalizadas pela Vtex e também integrando a outras plataformas.

Desbankei

Essa fintech não opera diretamente nos e-commerces, mas seu modelo de negócios é interessante. Isso porque ela desenvolveu um app que transforma cartões de débito em crédito. Para isso, ela conecta limites de crédito disponíveis com quem precisa comprar parcelado. E esses limites de crédito pertencem às pessoas comuns, que podem se tornar investidores usando apenas um cartão de crédito. Basicamente, o app conecta esses dois perfis: quem quer comprar e quem quer emprestar.

Segundo Vinícius Lisboa, um dos fundadores da Desbankei, juntamente com Adílson Andrade, o aplicativo que faz esse processo de débito para crédito permite que o consumidor parcele compras com taxas de juros mais acessíveis. E isso vale mesmo se ele tiver um baixo score nos bureaus tradicionais – instituições que registram pagamentos de contas como Serasa Experian e Boa Vista e que e servem como grandes bancos de dados para varejos e afins.

Lisboa explica que o acesso facilitado ao crédito por meio do aplicativo se dá graças ao modelo próprio de análise de crédito e classificação de score da Desbankei. Segundo o empreendedor, a solução usa uma metodologia diferenciada das demais ferramentas disponíveis no mercado e que permite essa transformação de cartões de débito para crédito para aqueles que hoje têm seus pedidos de cartão do gênero negados por bancos e financeiras.

O primeiro passo para ter acesso ao crédito é baixar o aplicativo da Desbankei, que está disponível no Google Play (Android). A seguir, o usuário realiza o cadastro e, depois de enviar os documentos solicitados, recebe a resposta em até 24 horas. Com o crédito aprovado, ele tem o cartão de débito devidamente transformado em crédito, com o cliente podendo utilizá-lo da maneira que quiser. O que inclui compras, claro.

App do Desbankei: solução que pretende atingir público potencial de 24 milhões de brasileiros que não têm acesso ao crédito (Foto: Divulgação)


O crédito disponibilizado pela Desbankei pode ser parcelado entre 3 e 12 vezes. O valor é cobrado via boleto bancário. O cliente também pode escolher as opções de datas de vencimento. As taxas de juros são personalizadas, conforme o perfil de cada consumidor e há desconto para antecipação de parcelas.

Segundo os fundadores da Desbankei, os interessados em oferecer o crédito a quem não tem acesso têm diversas vantagens. Entre elas, eles podem investir sem a necessidade de desembolsar dinheiro, obter ganhos que, segundo a fintech, estão acima do mercado, gerar milhas aéreas de graça e ter a garantia contratual de rendimentos mensais, além da devolução do valor investido.

Andrade explica que o investimento do interessado é com o Desbankei e não com o tomador de crédito. Isso significa que mesmo se o cliente da outra ponta atrase o pagamento, o investidor não será afetado. Isso porque a fintech depositará os valores na conta do investidores antes do vencimento da fatura, para que ele pague tudo com tranquilidade.

Com informações do Valor Investe

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.