Amazon retira 20 mil avaliações de produtos por suspeita de que seriam pagas

Por Felipe Ribeiro | 08 de Setembro de 2020 às 12h04
Pascal Rossignol/ Reuters
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Uma investigação feita pelo Financial Times revelou um esquema no mínimo estranho que estaria sendo praticado no site da Amazon no Reino Unido. De acordo com a publicação, a gigante do varejo removeu cerca de 20 mil avaliações de produtos porque, segundo indícios, foram pagas para serem feitas.

A reportagem mostrou que nove dos dez maiores revisores britânicos da Amazon enviaram críticas cinco estrelas a produtos de marcas chinesas pouco conhecidas. Os produtos foram encontrados em grupos e fóruns do Facebook que oferecem brindes ou dinheiro em troca de classificações positivas no site.

Depois da reportagem do Financial Times, a Amazon removeu 20 mil avaliações de imediato, além de também excluir milhares de avaliações que foram analisadas pela University of Southern California (USC) e pela University of California, Los Angeles (UCLA), que identificaram mais de 2.500 grupos em fóruns e no Facebook.

Uma das pessoas identificadas pela reportagem do periódico era Justin Fryer, um dos avaliadores mais bem classificados dentro do site da Amazon do Reino Unido. Segundo a publicação, ele avaliou produtos que, somados, custariam algo na casa dos US$ 20 mil, como laptops, brinquedos e artigos para o lar. Esses produtos, aliás, acabaram listados para uma conta no eBay com seu nome e endereço, o que pode indicar que ele estaria recebendo alguns desses itens e, depois, revendendo-os.

Em contato com o pessoal do Financial Times, Fryer negou ter recebido os produtos de graça em troca de análises positivas e disse que as listagens do eBay eram de produtos duplicados que ele recebeu. Ele excluiu seu histórico de resenhas da Amazon depois de ser contatado pela reportagem.

Influência das avaliações

As avaliações positivas no site da Amazon estimulam o algoritmo de classificação de produtos no portal e determinam se eles recebem o cobiçado rótulo de "escolha da Amazon". Por causa disso, os fornecedores começaram a oferecer a esses avaliadores seus produtos gratuitamente - ou mesmo por uma comissão - em grupos e fóruns do Facebook.

A Amazon, por sua vez, alega que investiu mais de US$ 500 milhões no combate a fraude e abuso online em 2019, tanto em software quanto em profissionais. "Queremos que os clientes da Amazon comprem com confiança, sabendo que as avaliações que leem são autênticas e relevantes", disse um porta-voz da Amazon em comunicado enviado ao Financial Times.

E no Brasil?

O Canaltech entrou em contato com a Amazon do Brasil para verificar se algo parecido aconteceu por aqui, mas, até o final da edição desta matéria, não obteve retorno.

Fonte: Business Insider, Financial Times

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