Amazon é acusada de destruir milhões de produtos em boas condições em armazéns

Amazon é acusada de destruir milhões de produtos em boas condições em armazéns

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 25 de Junho de 2021 às 14h00
Divulgação/Amazon

Imagine um galpão gigantesco de produtos da Amazon repleto dos mais variados produtos, como TVs, notebook, jogos, livros e até máscaras de proteção contra a COVID-19. Agora imagine tudo isso sendo destruído sem qualquer razão aparente. Pois é disso que a gigante do varejo está sendo acusada no Reino Unido após denúncias feitas por um ex-funcionário, que chegou a registrar imagens do que acontece em um desses depósitos.

As gravações foram feitas em um dos armazéns da empresa em Dunfermline, na Escócia, e mostram dezenas de produtos em caixas sinalizadas com ordem para que sejam destruídos, muito embora todos eles estejam em perfeitas condições de uso.

Conforme revelou a emissora local ITV, são itens que foram devolvidos por clientes, que tiveram suas embalagens originais danificadas ou mesmo que nunca foram vendidos. E o que choca é que esses produtos estão em ótimo estado e poderiam ser doados, por exemplo, mas a política da Amazon é que eles sejam destruídos em vez disso.

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Segundo esse ex-funcionário, milhões de descartes assim são realizados anualmente só nesse depósito britânico. Ele conta que, em média, são 130 mil pacotes que acabam inutilizados por semana e que nenhum deles tinha razão para isso. Entre os produtos que diz já ter visto nessa pilha de lixo estavam iPads, MacBooks e até uma caixa com 20 mil máscaras de proteção contra a COVID-19 — todas devidamente embaladas.

“No geral, 50% de todos os itens estão fechados e ainda em suas embalagem original. A outra metade são devoluções e em boas condições”, explica o homem em condição de anonimato à ITV. “E os funcionários têm de se tornar alheios ao que é pedido para eles fazerem”.

Além disso, o destino dos restos também vem sendo alvo de polêmica. A emissora colocou câmeras para acompanhar a movimentação dentro do armazém e identificou que parte do material descartado é levado para unidades de reciclagem, enquanto outro tanto é jogado em aterros sanitários — algo que é negado pela Amazon, apesar das imagens.

(Imagem: Divulgação/Amazon)

A explicação para toda essa destruição que parte o coração de todo apaixonado por tecnologia é simples: para a empresa, é mais barato descartar esses milhares de produtos do que mantê-los ocupando espaço em seus depósitos ou mesmo arranjar uma forma de doá-los, o que poderia trazer custos logísticos. A companhia tem um modelo de negócio que permite que vendedores usem seus armazéns como estoque e, quando o preço de manter tudo isso fica elevado para ambos os lados, a solução é jogar fora.

Procurada pela ITV, um representante da Amazon no Reino Unido afirmou que a quantidade de itens destruídos pela empresa é extremamente pequena e que ela segue focando seus esforços para reduzir essa quantia para zero. “Nossa prioridade é revender, doar para organizações de caridade ou reciclar esses produtos que não são vendidos”, afirma o chefe da divisão britânica da empresa, John Boumphrey à ITV. Contudo, não é isso que as imagens mostram. Segundo as denúncias feitas pelo jornal, a média de itens destruídos semanalmente em Dunfermline é de 130 mil produtos, enquanto as doações ficaram na casa dos 28 mil.

E a questão toda é que, apesar de chocante, esse tipo de coisa não é considerada ilegal perante as leis do país. Ainda assim, um porta-voz do governo britânico afirmou que devem ser estudadas mudanças na legislação para incentivar a reutilização e a reciclagem de produtos eletrônicos.

Fonte: ITV

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