Barco autônomo e drone “clonam” represa no Brasil para simular cheia e seca
Por Vinícius Moschen |

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) anunciou o uso de drones para monitorar o enchimento e a futura operação do Reservatório do Miringuava, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O equipamento ajuda a estabelecer uma base de dados científica para assegurar a eficiência do abastecimento de água nas próximas décadas.
Para isso, é feito um acompanhamento técnico rigoroso de todo o sistema de recursos hídricos. Durante a etapa final de retirada da vegetação para implementação do reservatório, um drone capturou milhares de fotografias a uma altitude de 120 metros.
Esse mapeamento digital é feito com ajuda de antenas GNSS de alta precisão, para obter a exatidão geográfica necessária para o desenvolvimento dos modelos cartográficos do terreno.
Segundo a Sanepar, o levantamento produziu um modelo digital do terreno com resolução de 20 centímetros, superando os mapas antigos que utilizavam curvas de nível de 5 metros.
Na prática, a nova precisão permite uma visualização detalhada de toda a superfície local, com "detalhes do terreno do tamanho de um palmo", segundo o engenheiro Mauricio Bergamini Scheer.
Simulações preveem enchimento do reservatório
A partir dos dados capturados, é possível formular modelos em três dimensões para simular digitalmente a ocupação da água, o que ajuda a orientar as tomadas de decisão. O recurso também auxilia em futuras inspeções e no gerenciamento completo do manancial de forma virtual.
Uma rede de estações de pesquisa registra o nível dos rios continuamente desde 2020, com mais de 150 mil registros por sensor. Um barco autônomo, equipado com sensores acústicos, mede a vazão que alimenta o reservatório em cenários de cheia ou estiagem, com detalhamento da velocidade e profundidade da água.
O acúmulo de água no reservatório passa por monitoramento ininterrupto durante as 24 horas do dia: análises indicaram que, por exemplo, a bacia produziu 30% menos água em 2021 do que nos anos posteriores.
Se você tem interesse em ecnologias aplicadas à gestão de recursos hídricos, pode gostar de um levantamento que identificou redes de rios no mundo todo.