Startup lança programa gratuito para formar programadoras trans ou negras

Por Rui Maciel | 03 de Fevereiro de 2021 às 14h30
Divulgação / reprograma

Startup social paulistana, que ensina programação para mulheres transgênero e/ou negras, a {reprograma} anunciou nesta terça-feira (3) o lançamento do programa “Todas em Tech”. Ele será gratuito e com duração de 18 semanas, que vai contar com a participação de, aproximadamente, 2,4 mil mulheres em oficinas online.

Serão oferecidos cursos, online e gratuitos, de formação completa em front-end com foco no react, basicamente uma biblioteca do JavaScript de código aberto, e o back-end que tem como ponto central o node.js, aplicação que possibilita o processamento, renderização e execução de elementos escritos em linguagem.

Para as interessadas, as inscrições para primeira fase do processo seletivo vão até o próximo dia 05 de fevereiro e serão destinadas a mulheres de qualquer região do Brasil - com preferência para negras e/ou transgênero. O cadastro pode ser feito neste link.

Como será o cronograma do curso?

Após a aprovação das alunas na primeira etapa, vão acontecer as oficinas de seleção online, com duração de um dia inteiro, agendadas para o final de fevereiro. Elas visam apresentar o universo de programação e desenvolvimento para mais de 2 mil mulheres em dois anos.

Com o curso iniciado, as participantes terão uma introdução a HTML e CSS. Na sequência, como resultado do aprendizado, elas produzirão uma página pessoal para enviarem a recrutadores ou clientes, para estimular a entrada no mercado de tecnologia.

Já a segunda parte do processo envolve o preenchimento de 400 vagas, sendo que o percentual mínimo será de 55% para mulheres negras e 5% para mulheres trans, para participar dos bootcamps, os cursos online de back-end e front-end, que serão iniciados em março e têm duração de 18 semanas.

O que será ministrado?

No total, o “Todas em Tech” terá quatro módulos, com projetos ao final em cada um, que serão ministrados pela plataforma de videochamadas Zoom, com as aulas ao vivo. Abaixo, confira os tópicos que serão apresentados para as alunas:

  • Lógica de programação: sequência lógica para construir um programa, os tipos de dados utilizados, repetições, decisões e variáveis;
  • HTML e CSS: o primeiro item é utilizado para estruturar as regiões e conteúdos de um site, já o segundo se trata da parte de estética, como cores e fontes;
  • JavaScript: códigos escritos que realizam várias atividades, entre elas atualizar parte de uma página para acelerar a navegação, validar dados de um formulário até permitir usar jogos dentro do navegador;
  • Bibliotecas e Frameworks: agrupam códigos e ajudam a fazer seu trabalho mais rápido, também conhecido como react;
  • UX Design: com o nome de experiência do usuário, é uma área do conhecimento que envolve os fatores e princípios que influenciam positivamente a nossa percepção sobre um produto ou serviço digital;
  • Git & Github: é uma ferramenta de sistema de controle de versões que é utilizada principalmente no desenvolvimento de softwares.

Como material de apoio as alunas têm ainda acesso ao sistema de repositório com exercícios e os conteúdos das aulas, por meio do Github e Google Classroom. Ao final do curso todas irão receber um certificado de conclusão.

Aulas, reforços e atividades práticas

Ainda no primeiro semestre de 2021, o “Todas em Tech” formará duas turmas e, ao longo dos dois anos de duração do programa, serão estabelecidos 10 grupos, que terão a formação completa de programação.

As aulas do curso de front-end acontecerão durante um sábado inteiro e a revisão do conteúdo acontecerá às quartas-feiras à noite. Já as aulas do curso de back-end serão realizadas ao longo de um domingo inteiro, com a revisão acontecendo às quintas-feiras no período noturno. Além disso, as alunas terão que realizar um exercício semanal obrigatório e atividades complementares. Plantões para solucionar possíveis dúvidas estarão disponíveis para ajudar no desenvolvimento.

Alta demanda no mercado de trabalho na área de T.I

Após a finalização do programa, a {reprograma} visa conectar as alunas formadas à área de Tecnologia, para atuarem em grandes empresas do mercado, que também são parceiras do “Todas em tech”. Para isso, elas terão auxílio na montagem do currículo e portfólio.

Participantes dos cursos do {reprograma} (Foto: divulgação / {reprograma}


O contato das alunas com as empresas é realizado por meio de uma feira de contratação, a Speed Hiring, e por sua plataforma de conexão entre programadoras e empregadores, que está em desenvolvimento. A falta de profissionais digitais qualificados para o desenvolvimento de tecnologias e a lacuna de vulnerabilidade social, econômica e de gênero são dois grandes desafios enfrentados no Brasil, de acordo com o relatório da BrazilLAB.

“Cerca de 82% das nossas alunas conseguem atuar na área de tecnologia em até seis meses depois da formação", afirma a CEO da {reprograma}, Mariel Reyes Milk. "Temos cases de participantes que não entendiam nada sobre tecnologia e, após a conclusão do curso, hoje estão em grandes empresas como, Itaú, IBM, iFood, entre outras grandes do mercado”.

A primeira edição do projeto conta com a parceria do BID Lab, laboratório de inovação do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento, e grandes empresas da área de tecnologia como, Creditas, Accenture, iFood e Facebook, que ajudaram no aporte financeiro da iniciativa, que equivale a R$ 4 milhões de reais.

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