Mosca Deadpool? Cientistas nomeiam insetos em homenagem à Marvel

Por Claudio Yuge | 13 de Agosto de 2020 às 19h45
Divulgação/CISRO

Você provavelmente nunca deve ter visto uma “mosca Deadpool” ou uma “mosca Loki”. Mas desde o final de julho elas passaram a “existir” por aí: cientistas australianos descobriram uma série de novas espécies da família mosca ladrão (Asilidae) e as nomearam com vários personagens da Marvel Comics e sua mais ilustre figura, o já finado Stan Lee.

A Organização de Pesquisa Industrial Científica da Comunidade (CSIRO, na sigla em inglês) é uma agência científica federal da Austrália. A cada ano, o órgão lança uma lista de novas espécies nomeadas na temporada. Em junho de 2019, batizou uma mosca de abelha (Bombyliidae) em homenagem ao vilão Rei da Noite, de Game of Thrones, com o nome cietífico Paramonovius nightking.

Já em 2020, o CSIRO decidiu fazer referências aos quadrinhos de super-heróis. Os insetos recém-descobertos foram nomeados pela estudante de entomologia Isabella Robinson, que trabalha com a National Research Collections Australia, uma filial da CSIRO. Ela até brincou com a novidade no Twitter, citando o ator Tom Hiddleston, que interpreta o Loki nos filmes do Marvel Studios.

Rob Liefeld, criador do Deadpool, respondeu à notícia: "A natureza se adapta. Vivi para ver meu trabalho se tornar uma espécie. É aqui que o microfone cai?". E a própria “mãe” respondeu no Twitter: "Assim que vi as marcações no microscópio, soube que tinha isso tinha que ser feito".

Abaixo estão como ficaram os nomes científicos de cada mosca baseada, com o trecho em latim basicamente descrevendo as características de cada figura:

  • Stan Lee: Daptolestes leei faz referência ao bigode e aos óculos;
  • Thor: Daptolestes broneflavis menciona um “trovão loiro”;
  • Loki: Daptolestes illusiolautus cita "ilusão elegante";
  • Viúva Negra: Daptolestes feminategus, que significa "mulher usando couro";
  • Deadpool: Humorolethalis sergius, literalmente traduzido como “molhado” (humorosos, que faz menção à comédia inerente ao personagem) e letal.

A importância de nomear espécies

"Dar a uma espécie um nome científico pela primeira vez pode ser divertido, mas também é uma ciência vital. Espécies desconhecidas são invisíveis para a ciência e a conservação", destaca Bryan Lessard, entomologista da CSIRO. Ele explica que as queimadas na Austrália durante o verão de 2019 destruíram muitas das áreas onde ele coletou novos insetos. "Algumas dessas espécies podem ter sido exterminadas antes que eu tivesse a chance de nomeá-las", complementou.

A "mosca Deadpool" (Imagem: Divulgação/CISRO)

Embora nomear uma espécie seja divertido para o cientista, também é vital para o nosso entendimento científico, pois assim ela passa a “existir” oficialmente. Isso ajuda a identificar onde e como ela vive, o que come e de que maneira sobrevive. Quanto mais se sabe, mais se pode fazer para conservá-la — e o primeiro passo é batizá-la.

De acordo com a CSIRO, apenas 1/4 dos insetos australianos têm nomes científicos. Isso significa que, somente na Austrália, há centenas de milhares de animais ainda não identificados e documentados. Este ano, junto com essas novas supermoscas, a organização nomeou 151 novos insetos, oito novas plantas, dois peixes, um ácaro que vive em um lagarto e ajudou batizar de três novas subespécies de ave.

Fonte: Comic Book  

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