Mineradora de bitcoins é acusada de causar aquecimento de lago em Nova York

Mineradora de bitcoins é acusada de causar aquecimento de lago em Nova York

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 06 de Julho de 2021 às 21h30

Uma operação de mineração de bitcoins localizada no estado de Nova York foi acusada pelos moradores locais de transformar o Seneca Lake em uma verdadeira banheira quente. A fábrica, equipada com pelo menos 8 mil máquinas dedicadas à atividade, retira água do local para resfriamento e a joga de volta com temperaturas aquecidas.

Segundo a NBC News, a operação acontece em uma usina elétrica movida a gás que foi convertida pela Greenidge Generation LLC em uma mineradora de criptomoedas. A estrutura tem a permissão para captar 526 milhões de litros de água diários do lago e pode devolver a ele 511 milhões de litros.

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A estimativa é que a água enviada de volta ao local chega a 42 graus Celsius no verão, ou 30 graus durante o inverno, o que tem trazido consequências notáveis pela população local. “O lago está tão quente que você sente como se estivesse em uma banheira quente”, afirmou Abi Buddington, uma moradora próxima ao local.

O local foi adquirido pela Atlas Holding em 2014 e convertido para uma fábrica de gás natural em 2017, mas somente em 2019 a eletricidade produzida passou a ser direcionada para a mineração de criptomoedas. Segundo a NBC, a administradora Greenidge planeja instalar ainda mais máquinas no local, o que aumentará seu uso de energia para 45 megawatts até dezembro e pode chegar a 500 megawatts até 2025.

Empresa garante operar dentro da lei

O CEO da empresa, Jeff Kirt, garantiu que “o impacto ambiental da planta nunca foi tão bom quanto agora” e que a companhia opera dentro dos limites impostos por suas licenças ambientais. Ele também afirma que, por meio da compra de créditos, pretende tornar o local neutro em carbono em pouco tempo.

A vice-procuradora do programa de carvão da Earth Justice, Mandy DeRoche, explicou que a Greenidge precisa renovar em setembro sua licença de emissões de carbono. Ela afirma que pediu rigidez ao Departamento de Conservação Ambiental dos Estados Unidos ao analisar o caso, para que ele como uma nova solicitação de permissão, e não apenas como uma renovação.

Segundo um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge, somente a mineração de bitcoin mundial consome mais energia do que todo o Chile. O maior impacto ambiental é causado pela queima de combustíveis fósseis, que têm contribuído para maiores emissões de carbono na atmosfera — situação que já preocupa governos ao redor do mundo, que veem nas criptomoedas um obstáculo para atingir seus objetivos ambientais futuros.

Fonte: NBC News

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