Qual o verdadeiro impacto ambiental da mineração de bitcoin?

Por Nathan Vieira | 06 de Dezembro de 2019 às 08h47

A mineração de bitcoins é algo que demanda muito poder computacional e, no intuito de aumentar seus lucros, há quem crie verdadeiras ”fazendas” de GPUs para tal prática. Em maio de 2018, um pesquisador resolveu fazer alguns cálculos e descobriu que essa atividade pode consumir mais energia do que a Áustria inteira. Nessa mesma linha, o Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI) fez um levantamento em julho de 2019 para medir quanta energia é necessária para manter a rede do bitcoin em funcionamento. O resultado apontou que a rede consome mais energia do que toda a Suíça, país que possui mais de 8 milhões de habitantes, e a República Checa, com 10 milhões. Entretanto, um novo estudo publicado na revista Environmental Science & Technology estima que os impactos ambientais passados e futuros da mineração de bitcoin podem ser menores do que se pensava anteriormente.

O estudo aponta que, em contraste com os bancos tradicionais, que mantêm registros de saldos e transações em um local centralizado, todas as transações em bitcoin são armazenadas digitalmente na blockchain, que é mantida por uma rede P2P. Utilizando computadores especiais, os mineradores de bitcoin competem nesta rede para resolver um quebra-cabeça matemático. O vencedor, que ganha o direito de adicionar o próximo bloco de dados à cadeia, é recompensado com uma nova moeda bitcoin. Essa mineração requer eletricidade para alimentar computadores especiais, mas as estimativas atuais do impacto associado a esse uso de energia sofrem com a falta de dados exatos.

Impacto ambiental da Bitcoin pode ser inferior ao apontado anteriormente

A pesquisadora Susanne Köhler estimou o consumo de eletricidade e as emissões de dióxido de carbono em 2018 para cada etapa da mineração de bitcoin, desde a extração de matérias-primas para fabricar o equipamento até sua produção, uso e reciclagem, e calculou que a rede bitcoin consumiu 31,3 Terawatt-hora de eletricidade e gerou o equivalente a 17,3 megatons de dióxido de carbono em 2018, que eram inferiores às estimativas anteriores. Com isso, a cientista estimou que cerca de 99% do impacto ambiental vêm do uso dos equipamentos de mineração, com contribuições mínimas de produção e reciclagem.

Sendo assim, de acordo com esse estudo, a localização dos mineradores teve o maior impacto no meio ambiente, com áreas que utilizam principalmente combustíveis fósseis para eletricidade, como na Mongólia, na China, contribuindo mais para a emissão de carbono do que regiões que utilizam recursos renováveis, como Sichuan, também na China. Apesar disso, a pesquisa também previu que o impacto ambiental por minerador diminuirá se o equipamento de mineração se tornar mais eficiente, seja utilizando fontes renováveis ​​de energia ou os mineradores se mudando para regiões com clima mais frio, onde menos energia é necessária para resfriar os computadores. No entanto, o número de mineradores provavelmente continuará aumentando, pelo menos a curto prazo.

Fonte: EurekAlert

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