Doação bilionária de criptomoedas para combate à COVID-19 gera confusão na Índia

Doação bilionária de criptomoedas para combate à COVID-19 gera confusão na Índia

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 13 de Maio de 2021 às 11h42
Ay S/Pixabay

Uma doação de mais de US$ 1,5 bilhão para o combate à COVID-19 na Índia se transformou em um testamento sobre como criptomoedas também podem mexer, muitas vezes negativamente, com o mundo da filantropia. O montante foi entregue pelo fundador da Ethereum, Vitalik Buterin, em sua maior parte em forma de Shiba Inu Coin, com o movimento derrubando o valor da moeda de forma quase imediata ao repasse.

A modalidade faz parte do grupo das chamadas “meme coins”, criptomoedas criadas de forma experimental pela comunidade que rodam em blockchain e ganham valor monetário na medida em que vão sendo utilizadas pelas próprias pessoas. O lote de Shiba Inu Coins (sim, da raça de cachorros) foi dado a ele de presente na época da criação dessa alternativa e, agora, ficou provado que ela possui lastro o suficiente para ser alvo de especulação e volatilidade.

A entrega de US$ 1 bilhão em Shiba Inu Coins foi vista pelo mercado como uma tentativa do bilionário em se livrar delas, o que levou a um movimento forte de venda e redução de 40% no valor das moedas. Ou seja, a doação de US$ 1 bilhão se transformou, em questão de minutos, em US$ 600 milhões, o que levou a India Covid-Crypto Relief, que recebeu o montante, a pedir responsabilidade ao mercado para que os valores tão necessários nas medidas contra a doença não evaporassem.

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Entre os usuários, houve muita especulação sobre os motivos por trás da doação, com muitos encarando a entrega como uma tentativa de Buterin de se livrar das Shiba Inu Coins — o montante doado é o mesmo dado de presente a ele pelos criadores das moedas, que nasceu como uma alternativa à sempre visada Dogecoin, também criada a partir de um meme de cachorro. Uma prova disso seria o fato de que, no total, a doação envolveu US$ 1,5 bilhão em criptomoedas, incluindo alternativas mais “fortes” como a própria Ether.

As Shiba Inu Coins nasceram como um meme alternativo a outro, no caso, das Doge Coins. Mas quando metade do montante de moedas existentes foi doado, alertas bem reais começaram a soar (Imagem: Divulgação/Shiba Inu Coin)

Não ajudava, ainda, a ideia de que o bilhão que passou das mãos de Buterin para a ICCR representa metade do volume total de Shiba Inu Coins existentes no mercado. Com a especulação, ao mesmo tempo em que analistas financeiros começaram a se debruçar sobre a questão, houve perda de valor e relevância para todos os envolvidos, com reflexos que se mantêm até o momento em que esta reportagem é escrita, quando a modalidade opera em baixa de 36% nas últimas 24 horas.

Acima de tudo isso, o papo também gira em torno do próprio caráter da doação e sobre como movimentos desse tipo podem ser encarados pelo mercado como ações de negócios. Não é algo que acontece com moedas tradicionais e, mesmo entre as criptomoedas, doações polpudas feitas por empreendedores em Bitcoin e Ethereum não alteraram a estabilidade dos mercados, já que elas foram encaradas como nada mais do que uma ajuda financeira. Com a especulação sobre a tentativa de se livrar das Shiba Inu Coins, entretanto, sempre existe a possibilidade de investidores enxergarem essa como uma possibilidade de adicionar uma capa de bons motivos às suas ações.

A doação bilionária levou a baixas, também, em outras meme coins como a Akiba Inu, que teve baixa de 50%, e a Elon (sim, inspirada no fundador da Tesla), que caiu impressionantes 90%. As Doge Coins operam em baixa de 16,2% no momento em que esta reportagem é escrita, enquanto Bitcoins e Ethereums passam por um momento de perdas de cerca de 10%, mas isso não estaria relacionado à ação de Buterin.

Fonte: Recode

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