Brasileiros são os os que mais sentem solidão na pandemia, segundo estudo

Por Nathan Vieira | 04 de Março de 2021 às 20h40
Adrien Olichon/ Unsplash

Já não é segredo algum que a pandemia mexe com a saúde mental de toda a população. Inclusive, aqui no Canaltech já fizemos até um especial de duas partes (parte um; parte dois) referente aos impactos da pandemia na mente das pessoas. Dito isso, durante esta semana, o instituto de pesquisa Ipsos apontou que os brasileiros são os que mais sentem solidão durante esse período tão conturbado.

Para chegar a essa conclusão, o instituto ouviu 23 mil pessoas, de 28 países diferentes, durante o período de 23 de dezembro do ano passado a 8 de janeiro deste ano. Dentre essas pessoas, mil são brasileiras, e 50% dessas mil disseram sentir solidão "muitas vezes", "frequentemente" ou "sempre".

Esses 50% acabam sendo o maior percentual, se comparado com todas as outras populações que foram ouvidas pela pesquisa. Atrás dos brasileiros estão os turcos, com 46%. Em terceiro lugar, ficam os indianos (43%) e, em quarto lugar, os sauditas (43%).

A solidão do brasileiro na pandemia

Brasileiros são os os que mais sentem solidão na pandemia, segundo estudo realizado pelo instituto Ipsos; presidente do instituto comenta (Imagem: Anthony Tran/Unsplash)

Para 52% dos participantes brasileiros da pesquisa, a sensação de solidão passou por um crescimento nos últimos seis meses. Inclusive, desses mil, 21% disseram que o último semestre deve impactar em sua saúde mental no futuro. Marcos Calliari, presidente da Ipsos no Brasil, atribui aos efeitos da pandemia de COVID-19 o aumento o sentimento de solidão da população brasileira.

Para ele, o brasileiro sofreu demais na pandemia, e os números de contágio e de mortes, um dos piores índices do mundo, assim como o longo período de quarentena, ajudam a explicar esse sentimento. O analista reitera que houve também muita turbulência em relação às informações e procedimentos sobre a pandemia. As pessoas ficaram e estão muito confusas e tristes sobre isso.

Outro ponto que pode ter influenciado o resultado no Brasil, segundo o analista, é o período de festas de fim de ano. Calliari argumenta que o brasileiro é um povo bastante gregário, que gosta de estar com a família nas festas de fim de ano, e como vivemos um período de distanciamento social, muita gente se sentiu sozinha nesse período (que foi justamente o período em que a pesquisa foi feita).

Na projeção do analista, o futuro a curto prazo não deve trazer mudanças, uma vez que, sob seu ponto de vista, vivemos o pior momento da pandemia e a tendência é que o sentimento de solidão aumente e, somado à ansiedade e tristeza, isso pode causar problemas sérios de saúde mental no futuro. 

Em contrapartida, durante a pesquisa, os holandeses são os menos afetados pelos sentimentos de solidão, ficando lá no fim do ranking (15%). Em penúltimo lugar ficam os japoneses (16%) e em antepenúltimo ficam os poloneses (23%).

Fonte: Folha de S. Paulo

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