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Crítica Wish | Filme que marca o centenário da Disney é uma animação genérica

Por| Editado por Durval Ramos | 12 de Dezembro de 2023 às 20h05

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Em 2023, a Walt Disney Studios completa 100 anos e, para celebrar a data, decidiu lançar Wish: O Poder dos Desejos, uma animação que conta a história de uma mocinha que é ajudada pela Star, a estrela cadente que já atendeu a pedidos de muitos outros personagens da marca, como Pinóquio, entre outros. Com uma trama bonita, o filme foi pensado para ser o lançamento mais importante da empresa em anos, mas infelizmente seu enredo ficou genérico demais, tornando-o esquecível.

Para começar, a trama acompanha a vida de Asha, uma jovem que vive no Reino de Rosas, um local que é governado pelo Rei Magnífico, um feiticeiro bonitão e, aparentemente, bonzinho que guarda todos os desejos dos moradores e tenta realizá-los sempre que pode. Acontece que, quando Asha participa de uma entrevista para se tornar sua aprendiz, descobre que, na verdade, ele não passa de um picareta que engana os súditos.

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Decepcionada e certa de que seu avô de 100 anos nunca conseguirá ter o desejo realizado, ela se isola na floresta e reza às estrelas para que tudo isso mude. E é a partir desse ponto que a “magia Disney” acontece e o filme tem sua reviravolta: Asha ganha a companhia de uma estrela mágica que além de realizar desejos ainda a coloca em várias situações complicadas.

Seguindo a mesma estrutura de sempre, Wish é uma obra totalmente previsível, especialmente para quem cresceu assistindo aos longas do estúdio do Mickey. Não há nenhuma inovação na narrativa, a não ser pelo fato de Asha não precisar de um príncipe encantado ou qualquer outro amor romântico para lhe salvar — uma "novidade" que já vemos há pelo menos uma década em filmes como Frozen e Moana.

Desse modo, o filme começa apresentando um problema para o público, depois há uma série de músicas e milagres no meio do caminho, e por fim, a trama encerra com um final feliz. Essa repetição não agrada, mas não seria um grande contratempo visto que o filme foi criado justamente com o intuito de homenagear o estúdio Disney e todos os outros longas que vieram antes deste.

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No entanto, as coisas começam a se complicar, de fato, quando prestamos atenção nos personagens. O Rei Magnífico parece uma colagem do Metro Man de Megamente (filme da DreamWorks), já o bode tem o mesmo carisma e espírito divertido do Burro do Shrek, ou seja, já vimos esse personagem antes. Asha, por sua vez, é comum e igual a qualquer outra princesa da Disney que você já tenha visto, especialmente aquelas mais determinadas. Não há nada que traga frescor para a trama.

Além disso, os easter eggs estão espalhados pelo filme de maneira bem nítida e servem apenas para dar um gostinho de nostalgia aos mais velhos, já que as crianças mal percebem que os sete amigos da mocinha fazem referência clara aos sete anões da Branca de Neve. E como o filme foca tanto nessa parte, poderia ter gastado alguns minutos para mostrar a relação da Star com a música When You Wish Upon a Star de Pinóquio.

Já os acertos ficam por conta daquilo que a Disney sabe fazer de melhor: música e animação. A mistura da técnica em aquarela com o efeito 3D fez os desenhos ficarem bonitos em cena, e as músicas não são comerciais e fogem do efeito chiclete.

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O melhor número musical é quando todos da floresta cantam, incluindo a Árvore Mãe que é dublada por ninguém menos que Alcione. É ótimo ouvir aquele vozeirão na personagem.

Wish é bonito e legal, mas comum

Ao final da sessão de cinema, o público certamente sairá com o gostinho de ter visto um clássico filme da Disney com tudo aquilo que todas as histórias entregam — menos o beijo do príncipe, o que é um acerto. Acontece que, por ter sido vendido como a grande novidade da marca e a celebração do centenário da empresa, Wish precisaria de muito mais potência e magia para ser impactante.

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Para quem é criança o filme é apenas mais um, já para os adultos a sensação que fica é que, se é para assistir um clássico, melhor rever qualquer outro título da empresa. Que tal Cinderela?

Não à toa o filme foi recebido com críticas negativas pela imprensa internacional e se firmou como o primeiro tomate podre do estúdio no Rotten Tomatoes desde Galinho Chicken Little.

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Claro que ele segue o padrão Disney de qualidade e não deixa de ser uma boa opção para as férias de janeiro, mas está longe de ser o que se espera do grande lançamento da marca, ainda mais em uma data tão simbólica. O centenário merecia mais.

Lembrando que se você quiser assisti-lo para tirar suas próprias conclusões, o encontrará nos cinemas do Brasil a partir do dia 4 de janeiro de 2024.