Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

Crítica Morte Morte Morte | Filme é uma boa crítica social sobre a GenZ

Por| Editado por Jones Oliveira | 06 de Outubro de 2022 às 22h00

Link copiado!

Reprodução/ A24
Reprodução/ A24

Dirigido por Halina Reijn, Morte, Morte, Morte chegou aos cinemas prometendo unir comédia e terror em uma só história, mas acabou entregando um slasher que faz crítica ao modo como a Geração Z, ou genZ como é popularmente chamada, vive.

Na trama, conhecemos Sophie (Amandla Stenberg) e Bee (Maria Bakalova), um casal de namoradas que decide passar um final de semana na casa de um amigo milionário de Sophie.

Continua após a publicidade

No local, elas encontram antigos amigos da garota, que estão reunidos para esperarem uma tempestade passar. Já no início, é perceptível o desconforto de Bee e a maneira estranha e pouco acolhedora que os amigos recebem Sophie.

Atenção: esta crítica contém spoilers de Morte, Morte, Morte!

Neste momento, o espectador já pode supor que coisas estranhas irão acontecer, ainda mais durante uma tempestade. E é desse modo que a diretora conduz o mistério, mesclando pequenas doses de comédia e inserindo termos da nova geração de maneira vazia nos diálogos, como gaslighting, cancelamento, entre outros.

Aliás, isso faz parte da crítica social que Reijn constrói, retratando os jovens como vazios, superficiais e egocêntricos, uma vez que só focam em seus próprios problemas e estão sempre com a cabeça enfiada em uma tela de celular.

Continua após a publicidade

Mesmo reunidos, eles não constroem conexões verdadeiras, não compartilham momentos de suas vidas e não se importam com o bem estar do próximo. A maior representante disso é Emma (Chase Sui), que faz com que qualquer situação seja sobre si mesma.

Outra sátira que a diretora faz é sobre a banalização da droga. São várias as cenas em que os amigos abusam dos entorpecentes, remédios e ansiolíticos apenas pelo prazer de se deslocarem das suas realidades.

Continua após a publicidade

Festa virou um enterro

Com esse plano de fundo de individualismo e ode às redes sociais, Morte Morte Morte avança e cria a atmosfera perfeita para que a paranoia se instale e comecem as acusações de quem seria o assassino.

As mortes começam logo no início, quando um dos amigos, David (Pete Davidson), aparece degolado no quintal da casa. Vale lembrar que o grupo estava jogando morte, morte, morte, um jogo fictício de assassinato, que de um momento para o outro se tornou real.

Continua após a publicidade

Após a morte de David, os amigos tentam se unir para se protegerem do susposto assassino, mas fica claro que ninguém ali se conhece de verdade e que mesmo com amizades tão duradouras, eles só sabem do outro aquilo que é compartilhado na internet. Desse modo, a desconfiança se instala e se torna a força motriz para que comece a matança.

É nesse momento que o filme perde um pouco a força e chega a ser entediante em algumas cenas, com repetições exageradas de situações já vistas em vários longas de terror. Aliás, este é outro ponto negativo: enquanto crítica social Morte, Morte, Morte brilha, mas enquanto comédia e/ou terror, decepciona.

Boas atuações

Na frente das lentes, o elenco de Morte, Morte, Morte não fez feio. Maria Bakalova carrega o protagonismo e entrega uma personagem misteriosa e ao mesmo tempo inocente, enquanto Myha'la Herrold (que dá vida à Jordan) faz o contraponto ideal, criando uma mulher forte, decidida e arrogante.

Continua após a publicidade

Desfecho surpreendentemente bom

Após alguns bons minutos vendo mortes e mortes acontecerem sem razão aparente, chega a hora de finalmente descobrir quem começou a onda de assassinatos e degolou David. Nesse momento, temos duas hipóteses: ou foi Bee ou Sophie, as duas única sobreviventes.

O que o plot twist entrega, no entanto, é que, ao descobrirem o celular do rapaz enterrado na lama, as duas veem um vídeo do momento que ele mesmo se cortou com uma espada ao tentar abrir um champanhe.

Continua após a publicidade

Ou seja, nunca houve um assassino em série, David apenas cometeu um erro fatal e as outras mortes foram frutos da desconfiança generalizada do grupo. Essa cena, além de quebrar a expectativa, gera algumas risadas pelo desfecho improvavelmente bom.

Vale a pena assistir Morte, Morte, Morte?

Vale. Com um enredo crítico e satírico sobre a nova geração, Morte, Morte, Morte se firma como uma boa opção de entretenimento. No entanto, se você realmente busca uma produção que entregue muito terror ou comédia, melhor procurar outro título.

Morte, Morte, Morte está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil; garanta o seu ingresso na Ingresso.com.