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Crítica Jogos Mortais X | Filme prova mais uma vez a genialidade de Jigsaw

Por| Editado por Durval Ramos | 28 de Setembro de 2023 às 09h11

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Lionsgate
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"Eu quero jogar um jogo!" Quem escuta essa frase tão emblemática já sabe que está prestes a ver um festival de torturas bem articuladas criadas para servirem de vingança contra aqueles que cruzaram o caminho de John Kramer (Tobin Bell), o temido Jigsaw de Jogos Mortais. E, dessa vez, no capítulo X da saga, o que vemos é mais um filme bem construído que, embora não agregue tanto à franquia, é muito gostoso de assistir.

Lançado como uma prequência e situado entre o primeiro (2004) e o segundo longa (2005), a história mostra John desiludido com o diagnóstico de câncer no cérebro e com a expectativa de vida de apenas mais alguns meses.

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Resignado, ele começa a escrever o seu testamento e procura ajuda em um grupo de apoio. É lá que conhece Henry (Michael Beach), um homem com câncer de grau 4 no pâncreas e que se curou, quase que milagrosamente, com a ajuda de um tratamento experimental realizado na Noruega. Com esse relato em mente, John não poupa esforços e nem dinheiro e se inscreve no programa, que agora está sendo feito no México por causa das perseguições sofridas pela indústria farmacêutica.

Como a sinopse já adianta, o tal tratamento não passa de uma fraude armada por um grupo de ambiciosos a fim de tirar dinheiro de pacientes desesperados. A farsa é tão mal feita que o espectador se pergunta como é que um homem tão inteligente como John pode ter caído em uma armadilha dessas, e podemos dizer que esse é o primeiro grande erro do filme que não se preocupou em criar um enredo mais verossímil para um dos vilões mais astutos do cinema.

O que talvez faça ao público fechar os olhos para esse erro seja o fato de que, quando estamos completamente desesperados, qualquer luz no fim do túnel parece convincente.

O problema é que o texto continua errando, apresentando personagens que só falam espanhol, mas que conseguem se comunicar sem maiores problemas com o vilão estadunidense. A derrapada mais significativa acontece na segunda, metade quando um garotinho mexicano que não consegue entender um simples "hello" acata uma ordem toda em inglês. Fica claro que a barreira linguística não foi bem trabalhada e teria sido mais inteligente se a narrativa tivesse sido ambientada em outro país como Inglaterra, Canadá, etc.

Apesar desses e outros erros bem perceptíveis — algo que não acontecia nos primeiros filmes —, Jogos Mortais X consegue ganhar fôlego e deslanchar sem maiores problemas na segunda metade, quando as brincadeiras começam de verdade.

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Novos jogos e um excelente plot twist

Como não poderia deixar de ser, quando John se dá conta da armação, ele captura os pseudomédicos e os coloca em um galpão abandonado para começar seus jogos sádicos. Sem poupar o espectador das cenas gores, o filme entrega novas brincadeiras igualmente chocantes às que já foram mostradas. Tem sangue, víscera, osso e tudo mais que faz o vilão (e os fãs da saga) sorrir de orelha a orelha.

A prova do cérebro, no entanto, soa mais irreal, já que não poderia ser realizada sem que a pessoa desmaiasse ou até mesmo morresse. Também fica falso o corpo de Valentina (Paulette Hernández) estirado no chão. Até os mais desatentos conseguem perceber que se trata de um boneco. Esses erros desapontam, já que, mesmo quando tinha menos orçamento, a franquia conseguia entregar uma melhor produção. Sendo assim, é o enredo que sustenta a obra e, claro, a belíssima atuação de Bell.

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Voltando ao texto, então, Jogos Mortais avança nas brincadeiras sádicas e entrega uma excelente virada que dá fôlego à trama e prende a atenção do público, mostrando o vilão refém de suas próprias ideias. Sem entrar em spoiler para não estragar a experiência do leitor, o que se pode dizer é que o plot twist só mostra (mais uma vez) como John é inteligente e ardiloso.

É prazeroso vê-lo vencer e isso só prova como a franquia construiu bem a figura do personagem, que apesar de macabro e vingativo, tem um lado justiceiro capaz de despertar empatia.

Ao seu lado, aparece novamente Amanda (Shawnee Smith), a ex-viciada que após ter vencido um dos jogos no terceiro filme, se redime e passa a trabalhar como braço direito de Jigsaw. A personagem continua sem graça e mais sentimental que o vilão, mas pra quem gosta dela é uma boa adição e reforça a nostalgia.

Quem aparece pouco é Billy— o bonequinho na bicicleta — o que é uma pena, pois sua presença é um dos maiores prazeres para os fãs da saga. Ele surge quando os participantes já sabem quem está por trás dos jogos, e, por isso, sua aparição fica avulsa na trama.

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Por fim, vale destacar que a presença de Synnøve Macody Lund (Headhunters) como a ambiciosa Cecília foi uma boa adição ao longa, já que ela foi construída como um ótimo contraponto a John. Ambos são vilões, mas enquanto ele tem um senso de justiça apurado, ela é impiedosa e implacável.

Jogos Mortais X tem potencial para encerrar a franquia com qualidade

Ainda é um mistério se o filme lançado em 2023 será o último da franquia, já que os criadores querem sempre revivê-la de algum modo. Ainda assim, seria muito bom para os fãs que a saga acabasse com essa prequência gostosa que, embora tenha erros evidentes, acerta em muitos pontos.

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Vale lembrar que quem quiser dar uma chance ao filme, poderá assisti-lo nos cinemas a partir do dia 28 de setembro.