Crítica | Destruição Final é a diversão do caos em entretenimento quase puro

Crítica | Destruição Final é a diversão do caos em entretenimento quase puro

Por Sihan Felix | 07 de Dezembro de 2020 às 21h40
Paramount Pictures

Bons filmes-catástrofe são sempre bem-vindos. Na verdade, é um subgênero que pode, na maioria das vezes, necessitar de mais profundidade para ser levado a sério, mas que, raramente, deixa de ser minimamente divertido. Destruição Final: O Último Refúgio (Greenland no original) é, a princípio, isto: entretenimento puro.

Bebendo de algumas fontes óbvias, o filme de Ric Roman Waugh (de Invasão ao Serviço Secreto — lançado em 2019) carrega elementos de 2012 (de Roland Emmerich, 2009) e Impacto Profundo (de Mimi Leder, 1998), com suas relações entre a grandiosidade do universo e a pequenez do ser humano. Mas, a partir do roteiro de Chris Sparling (de Enterrado Vivo), parece existir uma busca por algo mais, pela luta de um homem pela vida de sua família — algo que pode remeter diretamente a Guerra dos Mundos (especialmente ao de 2005, dirigido por Steven Spielberg).

Atenção! Esta crítica contém spoilers sobre o filme!

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Destruição do mundo que fizemos

Destruição Final: O Último Refúgio, de qualquer forma, não traz novidades nem em sua forma e nem em seu esqueleto narrativo. É o fim do mundo como conhecemos, apesar de visualmente mais barato do que superproduções anteriores. Mas existem cenas bastante interessantes nesse sentido, especialmente aquelas que mostram meteoros em chamas explodindo em destruição.

"Meteoros em chamas explodindo em destruição." (Imagem: Divulgação/Paramount Pictures)

Aliás, existe algo incomum na construção do impacto estético de Greenland: monumentos reconhecíveis, construções simbólicas e quaisquer elementos que atestem a localidade dos acontecimentos não são, ao menos inicialmente, destruídos. Há uma tentativa de tornar o filme menos centrado em estruturas construídas pelo homem e mais focado no próprio homem.

Claro que, com a crescente devastação, o agigantamento das situações e um evento a nível de extinção se aproximando, é natural que o mundo comece a ser ressaltado por Waugh. Por mais que ele se concentre em seu protagonista (interpretado por Gerard Butler) e na relação familiar que este tem com Allison (Morena Baccarin) e Nathan (Roger Dale Floyd), há uma evolução significativa sobre a importância do mundo como ele é e, com isso, um debate — infelizmente ralo — sobre o mundo que fizemos.

A família protagonista, foco inicial. (Imagem: Divulgação/Paramount Pictures)

A profundidade invisível

Tudo o que Greenland tenta é ser mais um exemplar do seu subgênero apocalíptico. Sem a pretensão de ser um marco ou qualquer coisa do tipo, o trabalho de Waugh pode conquistar. Algumas questões expostas nas quase duas horas de duração são tão sem ambição que os acontecimentos simplesmente são como são, sem a necessidade de explicações. Por que a família de John (Butler) foi escolhida para um dos bunkers especiais? Por que tais bunkers foram construídos na Groenlândia? Teria Donald Trump tido a ideia de comprar o território autônomo dinamarquês por sugestão secreta da NASA (fica a teoria da conspiração)? Ou será que ele (Trump) leu o roteiro do filme em questão? Ou o assistiu antecipadamente? — Haja teorias bizarras.

É possível, ainda, que essas respostas se apoiem em metáforas, por exemplo, sobre o privilégio branco da salvação em detrimento dos tantos que as famílias eleitas vão abandonando pelo caminho. Mas, se for o caso, a direção de Waugh pouco consegue ir além da divertida demonstração genérica do caos, ficando qualquer profundidade em último plano — e, consequentemente, invisibilizada.

"Por que a família de John foi escolhida para um dos bunkers especiais?" (Imagem: Divulgação/Paramount Pictures)

É questão de se assumir

No terceiro ato, já nos 20 minutos finais, Destruição Final: O Último Refúgio joga a toalha branca definitiva e se assume como um besteirol. Mas, no final das contas, isso não é um mal sinal: é somente a prova de que ou você tem a competência de um Spielberg para conseguir equilibrar o extermínio com as problemáticas mais sensíveis em um meio absurdo ou você tem a visão de um Emmerich para assumir a beleza da destruição como foco e deixar a sensibilidade para outro momento.

Na busca tímida pela profundidade de Guerra dos Mundos durante os dois primeiros terços de Greenland, Waugh, enfim, desiste e parte para 2012. O final, então, por mais idiota que seja, é a aceitação de si mesmo; é como, finalmente, ir à praia e encarar de frente um tsunami apocalíptico, como em Impacto Profundo — que, afinal, tem produção executiva de Spielberg.

Aceitando o fim. (Imagem: Divulgação/Paramount Pictures)

Tudo está interligado e nos leva ao fim.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech.

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