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Brasil já ganhou um Oscar, mas ele foi para outro país

Por| Editado por Durval Ramos | 07 de Março de 2024 às 17h05

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Divulgação/Dispat Films
Divulgação/Dispat Films

Quando se fala do Brasil no Oscar, a gente imediatamente lembra da indicação de Central do Brasil em 1999 — com direito a Fernanda Montenegro (O Auto da Compadecida) como Melhor Atriz — ou de Bacurau ficando de fora da seleção nacional em 2021. A história que não é muito contada por aí, entretanto, é sobre Orfeu Negro e uma estatueta que efetivamente foi vencida por nosso país, mas nunca chegou às nossas mãos.

O longa de 1960, também conhecido como Orfeu do Carnaval, foi gravado no Rio de Janeiro (RJ) e tem Breno Mello (Os Vencidos) e Marpessa Dawn (Sweet Movie) nos papéis principais. A base da obra, aliás, é a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, enquanto todo o restante do elenco e equipe de produção são brasileiros, com direito a participações do sambista Cartola e de Tião Macalé, em seu primeiro papel no cinema.

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Orfeu Negro concorreu como Melhor Filme Internacional na 32ª cerimônia do Oscar, em 1960 — na época, a categoria era chamada “Melhor Filme Estrangeiro”. Apesar de completamente brasileiro e de ser o primeiro longa de língua portuguesa a levar o prêmio da Academia para casa, ele concorreu pela França, por conta da nacionalidade de seu diretor, Marcel Camus (Othalia de Bahia).

Filme francês gravado no Brasil?

Orfeu Negro é uma história tradicionalmente brasileira, ainda que tenha sido inspirada na saga de Orfeu e Eurídice, da mitologia grega. Esse enredo é adaptado em uma favela do Rio de Janeiro em pleno Carnaval, quando Eurídice (Dawn) foge do sertão nordestino e encontra Orfeu (Mello). A paixão entre os dois entra no caminho da noiva dele, Mira (Lourdes de Oliveira) e, também, de um homem misterioso e fantasiado que persegue a protagonista desde que ela deixou sua terra-natal.

Orfeu é sambista e condutor de bonde, enquanto Eurídice representa a história de muitos imigrantes do nordeste do país, que vão à região sudeste em busca de melhores oportunidades. Com trilha sonora repleta de samba e bossa nova, mas críticas sobre a representação estereotipada do Brasil da época, Orfeu Negro se tornaria um clássico do cinema nacional e, como o Oscar demonstrou, também faria história no cenário internacional.

Na época, de acordo com as regras da Academia, os concorrentes a Melhor Filme Estrangeiro eram inscritos na competição de acordo com a nacionalidade de seus realizadores — Camus era francês, assim como a produtora Dispat Films. Por isso, o longa foi inscrito como uma produção franco-brasileira não somente no Oscar, mas também no Festival de Cannes e Globo de Ouro, onde também foi vitorioso entre 1959 e 1960.

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Assim, todas as estatuetas acabaram sendo creditadas na conta da França e o Brasil segue, até hoje, sem jamais ter vencido um Oscar — ou seja, mais uma vez os europeus levaram nosso ouro embora. Além de Central do Brasil, outros três filmes já concorreram como Melhor Filme Internacional: O Pagador de Promessas, de 1963, O Quatrilho, de 1996, e O Que é Isso, Companheiro?, lançado em 1998.

Tais normas, aliás, seguem até hoje, assim como as controversas relacionadas a que país pertence cada filme. O exemplo mais recente é A Sociedade da Neve, de 2024, com elenco predominantemente argentino e uruguaio para contar a história do Milagre dos Andes, mas dirigido pelo espanhol J.A. Bayona. Na cerimônia, ele concorre pela Espanha.

Filmes brasileiros (ou não) que concorreram ao Oscar

Cidade de Deus é o filme nacional com maior número de nominações ao Oscar, tendo concorrido em 2004 aos prêmios de Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia. Ainda, vale lembrar as indicações de O Menino e o Mundo a filme de animação, Uma História de Futebol, na categoria de curta-metragem, e Democracia em Vertigem, a mais recente participação brasileira no Oscar, na categoria de documentário.

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Situações similares à de Orfeu Negro também já ocorreram ao longo da história. O Beijo da Mulher-Aranha, por exemplo, recebeu quatro indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, mas não foi considerado um longa nacional já que seu diretor, Héctor Babenco, é argentino, naturalizado em nosso país. Em 1993, a brasileira Luciana Arrighi subiu ao palco do Oscar para receber o prêmio de Melhor Direção de Arte pelo filme Retorno a Howard’s End, uma produção inglesa.