O céu (não) é o limite | Novas fotos de Marte enviadas pela China e EUA, e mais!

O céu (não) é o limite | Novas fotos de Marte enviadas pela China e EUA, e mais!

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Agosto de 2021 às 20h00
CNSA/NASA/JPL-Caltech/MSSS/EHT Collaboration

Descobertas fascinantes sobre a Via Láctea, Saturno e o Sistema Solar movimentaram as notícias sobre nosso universo nesta semana — além das novas imagens e notícias das missões em Marte, é claro! Este é o momento da nossa síntese semanal que deixa você por dentro de tudo o que mais importa na astronomia e exploração espacial.

Vamos lá?

Patrulha do rover Zhurong em Marte e novas fotos

(Imagem: Reprodução/CNSA)

A Administração Espacial Nacional da China (CNSA) enviou novas imagens do rover Zhurong, que investiga a região de Utopia Planitia, a maior bacia de impacto do planeta. O veículo robótico completou sua patrulha, a qual durou cerca de 90 dias marcianos (ou seja, cerca de 92 dias terrestres) e rendeu uma coleta de 10 GB de dados brutos, aproximadamente.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

De acordo com a CNSA, o Zhurong ainda funciona perfeitamente bem, consegue se deslocar com estabilidade e ainda tem energia suficiente para prosseguir sua exploração interplanetária. Ele conta com seis instrumentos e duas câmeras para procurar por gelo de água sob a superfície marciana e para estudar a composição de rochas no Planeta Vermelho, até que fique sem energia para continuar suas coletas de dados.

Foto panorâmica de Marte mostra detalhes do Monte Sharp

O rover Curiosity está escalando o Monte Sharp, uma formação geológica de Marte que chega a 8 km de altura e 154 km de largura, e nos enviando fotos incríveis! O melhor é que agora o cenário está livre de poeira por causa do inverno na região, o que permite observar a paisagem com bastante clareza e muitos detalhes.

Após esse registro, o rover começou a se mover por um caminho que fica entre a colina Rafael Navarro Monteain e um monte mais alto que um prédio de quatro andares. Nessa região, o Curiosity pode encontrar rochas que digam algo sobre a mudança drástica do clima de Marte, que transformou o planeta de um lugar úmido em um ambiente hostil à vida.

Buracos negros crescem para dentro!

 (Imagem: Reprodução/EHT Collaboration)

Leonard Susskind, um dos "pais" da teoria das cordas, tem uma ideia interessante para alguns paradoxos que envolvem os buracos negros. Para ele, à medida que consomem matéria e ganham massa, os buracos negros crescem para dentro, e não para fora. Esse detalhe pode indicar que buracos negros conseguem aumentar a entropia, ou seja, não haveria uma perda de informação.

Em outras palavras, enquanto as partículas dentro dele interagem umas com as outras, as informações sobre seu estado inicial tornam-se cada vez mais embaralhadas. Por isso, sua complexidade cresce continuamente, seguindo as leis da entropia que regem o universo. Se essa hipótese se provar real, um dos grandes problemas que intrigam físicos teóricos — o paradoxo da informação — estaria resolvido.

Pedaço de foguete russo parece ter colidido com um satélite militar da China

 (Imagem: Reprodução/Xinhua)

Em março, foi descoberto que o satélite militar chinês Yunhai 1-02, lançado em 2019, havia sido danificado, mas ninguém sabia se isso aconteceu devido a alguma falha do equipamento ou se houve uma colisão com outro objeto. Agora, o astrofísico e rastreador de satélites Jonathan McDowell descobriu que o "culpado" foi um pequeno fragmento de um foguete Zenit-2, da Rússia, usado para lançar um satélite em 1996.

Ao analisar os dados dos objetos em órbita, ele notou que o Yunhai 1-02 e o Objeto 48078 (o pedaço de foguete russo) se deslocaram a apenas 1 km de distância um do outro no dia 18 de março, dia do incidente. Até o momento, 37 detritos da colisão foram catalogados, mas provavelmente existem mais. Essa foi a maior colisão orbital confirmada em uma década e, embora o Yunhai 1-02 tenha sobrevivido, fica o alerta para as autoridades sobre os perigos que o lixo espacial representam.

Estrutura descoberta na Via Láctea pode ser um "braço quebrado" da galáxia

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Há algo estranho com o Braço de Sagitário da Via Láctea. De acordo com os dados do Telescópio Espacial Spitzer e do observatório Gaia, existe um trecho que parece “quebrado” no braço espiral da nossa galáxia. Trata-se de uma formação com uma multidão de estrelas jovens e de "berçários" estelares que parecem “fora do lugar”.

Os pesquisadores ainda não sabem se alguma coisa deslocou esse trecho do próprio Braço de Sagitário ou se é uma formação isolada. Também existe a possibilidade de que haja outras estruturas semelhantes neste braço espiral.

Ingenuity voa pela 12ª vez em Marte e age como "olhos" do Perseverance

O 12° voo do Ingenuity levou pequeno helicóptero da NASA a um deslocamento de aproximadamente 450 m, com 169 segundos de duração, com direito a registros fotográficos da superfície do Planeta Vermelho. Foi uma viagem de ida e volta pelo South Séítah, pois o local é perigoso para tanto para a aeronave quanto para o rover Perseverance.

Contudo, a região tem rochas que chamam muito a atenção da equipe por trás da Missão. Por isso, o Ingenuity serviu como um "espião" e fez um voo de reconhecimento por lá para coletar informações que podem ser úteis no planejamento de exploração do local. Apesar do grande desafio, o Ingenuity se saiu bem, mais uma vez.

Supernovas podem ter ajudado a espalhar elementos radioativos no Sistema Solar

(Imagem: Reprodução/Forbes/Nature Astronomy)

Os sistemas planetários se formam a partir do disco de poeira ao redor de estrelas e, aparentemente, recebem elementos radioativos enviados por explosões de supernovas. Essa não é uma hipótese inovadora, mas um novo estudo conseguiu dados observacionais em um sistema próximo ao nosso que fortalecem ainda mais este modelo teórico.

Eles obtiveram esse resultado em um complexo de formação estelar localizado a apenas 460 anos-luz do Sistema Solar, chamado Ophiuchus. Ele emite raios gama que denunciam a presença de um elemento radioativo chamado alumínio-26. Este elemento não dura muito tempo, mas foi encontrado em meteoritos que caíram na Terra. Como o Sol não pode produzi-lo, a única explicação é que eles vieram de supernovas que explodiram em regiões relativamente próximas, como o Ophiuchus.

Starship pode fazer até 12 viagens a Marte durante 30 anos de vida útil

(Imagem: Reprodução/SpaceX)

O CEO da SpaceX, Elon Musk, disse no Twitter que seu novo sistema de foguete-nave espacial Starship permitirá cerca de 12 viagens a Marte, assim que estiver pronto para as missões interplanetárias. Essa eficiência significa redução de custos em viagens não apenas ao Planeta Vermelho, mas também à Lua. O segredo é a reutilização rápida que a empresa busca oferecer.

Claro, no caso de Marte, a velocidade de reutilização é limitada pela janela de lançamento entre a Terra e o planeta vizinho. Os dois mundos se alinham somente a cada 26 meses, ou seja, fora desses momentos a viagem é inviável. Por isso serão uma dúzia de missões ao longo dos 25 a 30 anos de vida útil da nave.

Anéis internos de Saturno revela mistérios sobre o núcleo do planeta

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)

No grupo de anéis mais internos de Saturno, conhecidos como Anel C, há um curioso e sutil padrão de ondulações em espiral que intrigou os astrônomos desde a missão Cassini. Através de simulações de computador e modelos com diversas configurações para as propriedades do planeta, os pesquisadores conseguiram determinar que o núcleo de Saturno é provavelmente grande e difuso.

De acordo com o estudo, não existe uma divisão muito delimitada entre o núcleo saturniano e o envelope de hidrogênio gasoso externo. Além disso, esse núcleo se espalha, com movimentos que esculpem, através da gravidade, os anéis dezenas de milhares de quilômetros acima. No interior do próprio núcleo, formado por gelo e rocha, as camadas também se fundem de maneira gradual. Isso muda toda a modelagem da física do planeta e nos leva a um novo mistério: essas características impedem a formação de um dínamo e, por isso, não deveria haver um campo magnético. Mas ele existe. Como? Isso os astrônomos ainda terão que descobrir.

Leia também:

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.