Estudo traz evidências da mais antiga inversão dos polos magnéticos da Terra
Por Danielle Cassita • Editado por Patricia Gnipper |

Um novo estudo liderado por Alec Brenner e Roger Fu, geólogos da Universidade de Harvard, sugere que, há 3,25 bilhões de anos, a crosta terrestre teve movimentos parecidos com aqueles das placas tectônicas. Os resultados trazem também as evidências mais antigas da inversão dos polos magnéticos do nosso planeta.
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Para o estudo, eles trabalharam com o cráton Pilbara, na Austrália, uma das mais antigas e estáveis partes da crosta terrestre. Através de novas técnicas e equipamentos, os pesquisadores mostraram que parte da superfície mais antiga da Terra se movia a 6,1 cm por ano e a 0,55º a cada um milhão de anos. Eles determinaram a direção e como a mudança da crosta aconteceu, junto da influência magnética dos polos terrestres.
A velocidade é mais que o dobro da taxa que estudos anteriores apontavam e, junto da direção, coloca as placas tectônicas como a explicação mais aceita para isso. “Esta evidência nos deixa eliminar com muito mais confiança as explicações que não envolvem as placas", disse Brenner, coautor do estudo.
Os resultados permitem argumentar contra outros fenômenos capazes de causar mudanças na superfície terrestre, mas sem fazer parte das placas modernas. Como a maior velocidade é inconsistente com características dos outros processos, os resultados correspondem melhor ao movimento das placas.
Além disso, os autores descrevem o que pode ser a mais antiga evidência de quando os polos magnéticos sul e norte trocaram de lugar entre si. A mudança é algo comum no histórico geológico da Terra, e ocorreu 183 vezes nos últimos 83 milhões de anos. Já a inversão estudada traz informações importantes sobre como era o campo magnético da Terra há 3,2 bilhões de anos, sugerindo que ele era estável e forte o suficiente para proteger a atmosfera terrestre contra os ventos solares.
Esta característica, junto dos resultados das placas, indica pistas das condições sob as quais as primeiras formas de vida surgiram por aqui. De forma geral, o estudo indica que o movimento das placas tectônicas ocorreu relativamente cedo na Terra, e que as primeiras formas de vida surgiram em um ambiente com condições mais estáveis.
Em estudos futuros, Fu e Brenner planejam seguir analisando o cráton Pilbara, além de outras antigas crostas no mundo para encontrar evidências antigas do movimento moderno das placas e das mudanças dos polos magnéticos da Terra. “Poder finalmente ler estas rochas muito antigas de forma confiável abre muitas possibilidades de observação para um período que, muitas vezes, é mais conhecido pela teoria do que pelos dados”, observou Fu.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences; Via: Harvard