Esta espécie foi ressuscitada e pôde se reproduzir após 24 mil anos congelada

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 07 de Junho de 2021 às 16h10
Michael Plewka

A vida na Terra se revela resiliente de muitas maneiras e, frequentemente, algumas espécies chamam atenção dos cientistas por conta de suas características notáveis de sobrevivência nas condições mais improváveis. Um bom exemplo disso é o tardígrado, uma minúscula criatura capaz de sobreviver até no vácuo do espaço. Agora, em uma nova pesquisa, cientistas foram capazes de reviver uma espécie microscópica que permaneceu congelada no solo durante 24 mil anos, na Sibéria. O animal multicelular também se reproduziu, o que pode indicar um mecanismo pelo qual a espécie evita danos às células durante o congelamento.

A espécie em questão é o invertebrado chamado rotífero, um animal microscópico aquático encontrado em corpos de água ao redor do planeta e que chama atenção por conta de sua grande capacidade de sobreviver em condições de congelamento e desidratação. "Nosso relatório é a prova mais dura até hoje de que animais multicelulares podem suportar dezenas de milhares de anos em criptobiose, o estado de metabolismo quase completamente interrompido", explica o biólogo Stas Malavin, do Laboratório de Criologia do Solo do Instituto de Problemas Físico-Químicos e Biológicos em Ciência do Solo, na Rússia.

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Rotífero encontrado na Sibéria (Imagem: Reprodução/Michael Plewka)

Pesquisas anteriores já revelaram que os rotíferos poderiam sobreviver por anos no chamado estado de criptobiose, onde o corpo do animal suspende suas funções biológicas e, assim, entra em um estado de hibernação. No entanto, o maior limite conhecido de sobrevivência dessa espécie era de até uma década. Malavin e sua equipe coletaram amostras do antigo permafrost ártico, uma camada de gelo e rochas permanentemente congeladas. Nessa camada, são encontradas outras espécies como plantas, fungos e até vírus.

A amostra foi coletada a mais de 3,5 metros abaixo do solo do rio Alazeia, ao norte da Sibéria, num material rico em gelo do Pleistoceno Superior. Através da datação de carbono, a equipe de cientistas confirmou a idade aproximada de 24 mil anos. Ao manter essas espécies em culturas em laboratório, os rotíferos se reproduziram por meio da partenogênese, ou seja, uma clonagem assexuada — única maneira pela qual a espécie se reproduz. Então, os animais antigos foram comparados com espécies atuais.

Visão lateral do rotífero (Imagem: Reprodução/Michael Plewka)

Ao selecionar aleatoriamente 144 rotíferos da amostra coletada na Sibéria, a equipe de pesquisadores congelou novamente estes animais a uma temperatura de -15 °C, durante uma semana. Após descongelados, os microorganismos foram comparados com espécies contemporâneas e, surpreendentemente, se revelaram tão resistentes quanto os rotíferos modernos. Com isso, Malavin e sua equipe acreditam que o processo de congelamento é lento, de modo a permitir que as células do animal consigam sobreviver à formação de cristais com o menor dano possível, permitindo que voltem a viver.

A pesquisa também busca identificar uma maneira de proteger células de organismos mais complexos, como os mamíferos. No entanto, o porquê de esses animais conseguirem sobreviver a 24 mil anos congelados, reviverem e ainda se reproduzirem, permanece um mistério. A equipe espera seguir com os estudos na esperança de descobrir qual é este mecanismo. "A conclusão é que um organismo multicelular pode ser congelado e armazenado como tal por milhares de anos e depois voltar à vida — um sonho de muitos escritores de ficção", explica Malavin.

O estudo com mais informações sobre a pesquisa pode ser integralmente acessado na Current Biology.

Fonte: ScienceAlert

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