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DNA de múmia egípcia de babuíno indica localização de cidade lendária

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Novembro de 2023 às 18h11

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Patrick Ageneau/CC-BY-ND-4.0
Patrick Ageneau/CC-BY-ND-4.0

Com análises de DNA em babuínos de milhares de anos atrás, cientistas descobriram que o misterioso porto com o qual os antigos egípcios comercializavam para obter essa espécie de símio, e que, até hoje, tinha a localização desconhecida. Os babuínos não são nativos do Egito, mas os egípcios adoravam o animal, associado aos deuses Babi (ligado ao submundo) e Thoth, que, por vezes, era desenhado com a cabeça da espécie.

Como animais estrangeiros, era preciso trazê-los de algum lugar, e algumas histórias da época mencionavam que os babuínos vinham de Punte, local misterioso e com ares de lenda. Agora, pesquisas revelam que o reino poderia, sim, ter sido real, ficando na costa da Eritreia. Mas a primatologia que levou à descoberta precisou de anos de estudo para chegar a essa conclusão.

Babuínos, Egito e comércio

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Levados aos templos do Egito, os babuínos tinham seus pontiagudos dentes incisivos removidos, para deixá-los menos perigosos, e eram mumificados com alguma frequência como oferenda aos deuses. A terra fabulosa de Punte, de onde viriam, nunca foi identificada em mapas da época, sobrando para os cientistas a descoberta do local.

Em 2020, um primatólogo usou moléculas dos dentes de um babuíno mumificado para descobrir sua dieta no início da vida, indicando uma região que engloba as atuais Somália, Eritreia e Etiópia. Os babuínos da análise vieram do Império Novo, entre 1550 a.C. a 1070 a.C., providenciando a primeira pista da localização de Punte.

Ao site Live Science, Gisela Kopp, geneticista da Universidade de Constância e autora de um estudo mais recente sobre o tema, comentou sobre as buscas, que investigaram o DNA de um babuíno mumificado entre 800 a.C. e 540 a.C. O material foi comparado geneticamente com outros 14 babuínos dos séculos XIX e XX, com origens conhecidas. Como muitos babuínos foram criados em cativeiro no Egito, a dieta pode não ser uma prova tão precisa de sua ancestralidade, o que é diferente com o DNA.

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Embora 10 babuínos antigos tenham sido examinados, a degradação fez com que apenas um acabasse utilizável, e ele mostrou estar relacionado com animais da costa da Eritreia — mais especificamente, do porto de Adulis.

Registros históricos de cerca de 300 a.C. para a frente mencionam este porto como um local visitado pelos egípcios para comercializar, sendo um centro de comércio de animais selvagens em especial. Com o DNA dos símios, a evidência de comércio com Adulis foi situada alguns séculos antes do que se pensava.

Com isso, surge a ideia de que Punte e Adulis sejam o mesmo lugar. O isótopo estudado em 2020 mostraria o comércio egípcio com o local desde 1550 a.C., e a pesquisa recente sugere que o povo ainda fazia a mesma atividade, com o mesmo local, mil anos depois. Segundo Kopp, Punte pode ter ficado no mesmo local em que Adulis teria sido fundada séculos mais tarde, justificando a questão histórico-geográfica da origem dos macacos.

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Como apenas uma múmia foi estudada, os pesquisadores planejam coletar amostras de mais babuínos e analisar mais períodos históricos, reforçando os achados da pesquisa. Segundo a autora, o trabalho é um dos primeiros estudos de DNA feitos em um primata não-humano, e outras investigações poderiam revelar mais sobre diversas importações do Egito antigo e seu impacto nas populações selvagens do país.

O babuíno, completa Kopp, é o único animal não-nativo ligado às deidades egípcias, e é curioso que tenham sido considerados tão interessantes pelo povo — os animais tendem a roubar colheitas e invadir casas para roubar comida, sendo difícil conviver com eles. Quem convive com babuínos não costuma gostar deles, conclui a geneticista.

Fonte: eLife