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Descobertos templos sobrepostos de Hércules e Alexandre no Iraque

Por| Editado por Luciana Zaramela | 19 de Dezembro de 2023 às 13h34

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Projeto Girsu/Museu Britânico
Projeto Girsu/Museu Britânico

Arqueólogos encontraram, no atual Iraque, dois templos antigos, um enterrado acima do outro, associados a Hércules e a Alexandre, o Grande. O mais recente data do século IV a.C., e é ligado ao monarca macedônio, contendo um tijolo cozido com inscrições em aramaico e grego se referindo do “doador de dois irmãos”, que se acredita referenciar o rei. Alexandre da Macedônia, filho de Filipe II, conquistou a maior parte do mundo conhecido durante seu reinado de 13 anos, entre 336 a.C. e 323 a.C.

O achado do templo mais antigo, mais abaixo, foi feito por cientistas do Museu Britânico de Londres, durante uma escavação em Girsu, megacidade suméria hoje chamada de Tello, no sudeste do atual Iraque, antiga Babilônia. O esforço foi parte do Projeto Girsu, cujo objetivo é descobrir mais sobre a história “em camadas” da antiga cidade.

Dois templos, um só pai

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O antigo templo sumério ficava no “exato mesmo local da nova construção”, segundo contou Sebastian Rey, arqueólogo que liderou a escavação, ao site Live Science. A antiga construção era dedicada ao deus grego Hércules e seu equivalente na Suméria, o deus-herói Ningirsu, também chamado de Ninurta. A escolha de construir um templo no mesmo local, 1.500 anos depois, não foi coincidência, já que o local era importante para os povos da Mesopotâmia.

Segundo Rey, isso é uma prova de que os habitantes da Babilônia, no quarto século a.C., tinham um conhecimento profundo de sua história. Ao escavar o local, os arqueólogos encontraram uma dracma de prata, tipo de moeda grega antiga, abaixo de um altar ou santuário. No local, também estava o tijolo com as inscrições em grego e aramaico. Ela é interessante, de acordo com o cientista, porque contém um nome enigmático, “Adadnadinakhe”, que significa “Adad, doador de irmãos”.

Isso seria um título cerimonial, já que tem um tom arcaico e conotação simbólica. Todas as evidências apontam que o nome seria extraordinariamente raro, complementa Rey. A inscrição em si se refere a Zeus, o deus grego dos céus, simbolizado por um raio e uma águia com frequência.

Ambos estão gravados na moeda, que teria sido cunhada na Babilônia sob a autoridade de Alexandre. Ela também mostra Hércules em um retrato barbeado e juvenil, que lembra muito as representações da face do rei macedônio, no outro lado. Zeus, através do oráculo de Amon, teria admitido Alexandre como seu filho, e passou a ser conhecido como “doador de irmãos” por afirmar o laço fraterno entre Hércules e Alexandre.

Os pesquisadores, no entanto, não têm certeza se o macedônio realmente visitou o local — ele teria, com certeza, tido a oportunidade de passar por Girsu enquanto ficou na Babilônia ou a caminho da cidade de Susa. Após a conquista da Babilônia, Alexandre teve acesso aos cofres da cidade, controlando as riquezas junto a seus generais e usando, acredita-se, a prata babilônica para cunhar as próprias moedas.

No sítio arqueológico, também foram encontradas oferendas geralmente dadas antes de batalhas, como figuras de soldados em argila. Algumas mostram cavaleiros macedônios, fortemente associados ao rei, que pode ter sido importante para o restabelecimento do templo, ou homenageado por ele após sua morte prematura.

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Fonte: Live Science