Construído há 12 mil anos, templo Gobekli Tepe segue intrigando arqueólogos

Construído há 12 mil anos, templo Gobekli Tepe segue intrigando arqueólogos

Por Danielle Cassita | 09 de Fevereiro de 2021 às 19h00
Nico Becker/German Archaeological Institute

Durante o período da Era Glacial, um grupo de caçadores-coletores começou a construir o que viria a se tornar o primeiro templo conhecido no mundo em um território que, hoje, é a Turquia. O templo de Gobekli Tepe foi construído há aproximadamente 12 mil anos e é tão complexo que, mesmo hoje, os arqueólogos seguem trabalhando em escavações em busca de mais estruturas. Contudo, a verdadeira natureza do templo continua um mistério.

Descoberto em 1994, tanto o projeto quanto a idade do Gobekli Tepe dominaram a imaginação pública a ponto de a misteriosa construção ser investigada em reportagens e documentários. Nisso, há cientistas que especulam que o templo poderia muito bem ter sido um observatório astronômico, uma teoria sustentada por alguns pontos específicos. 

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O primeiro deles é a localização do templo, que estaria alinhada à estrela Sirius devido à cultura do povo daquele período: eles veneravam a estrela, assim como outras culturas da mesma região fizeram em épocas seguintes. Além disso, eles propõem que os pilares nos arredores do templo teriam registrado um impacto de cometa que teria ocorrido no fim da Era Glacial. Então, se algum destes dois cenários se provar verdadeiro, o templo poderia ser considerado o observatório mais antigo do mundo.

Por outro lado, as equipes que vêm trabalhando nas escavações atualmente não enxergam evidências relacionadas ao céu e às estrelas: para eles, embora o local esteja em bom estado de conservação, alguns pilares do templo foram removidos e outros foram mudados de lugar. Os pesquisadores estão tentando reconstituir as localizações originais deles, mas é difícil definir qual seria a configuração inicial e mais ainda se essa configuração teria algum significado astronômico. 

O pilar 43, cujo significado segue desconhecido (Imagem: Reprodução/Klaus Schmidt/German Archaeological Institute)

Embora muitos deles tenham sido escavados, ainda há vários pilares que continuam enterrados, sendo que os que já foram descobertos apresentam gravações de animais. Mesmo assim, em 2017, uma dupla de engenheiros químicos alegou uma relação entre os desenhos dos animais e as posições das estrelas há milênios de anos. Para eles, o pilar com o desenho de uma gaivota teria registrado a data de um impacto devastador de um cometa que teria ocorrido há 13 mil anos.

Contudo, os arqueólogos escavando o templo não concordam com esse cenário, porque a "presunção de que os padrões familiares das estrelas são estáveis ao longo do tempo e das culturas não é convincente", porque é bem pouco provável que aqueles povos teriam reconhecido exatamente as mesmas constelações que os egípcios, árabes, gregos e outros povos registraram. 

Por fim, um último motivo destacado por levantar dúvidas sobre a possível relação entre a construção e as estrelas envolve a própria construção do templo: "existe uma possibilidade significativa de estarmos lidando com estruturas com teto, o que iria limitar o funcionamento como um observatório do céu", explicam os cientistas. No fim, apesar de ainda não haver evidências convincentes de o Gobekli Tepe ter sido um observatório astronômico, isso não significa que o assunto esteja encerrado; podem existir evidências esperando para ser descobertas. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Mediterranean Archaeology and Archaeometry.

Fonte: Astronomy

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