Primeiros estágios da formação de um planeta são registrados por telescópio ALMA

Por Patrícia Gnipper | 26 de Junho de 2019 às 21h30

Astrônomos do Observatório Astronômico Nacional do Japão, que estavam estudando a estrela T Hydrae — um jovem astro localizado a menos de 200 anos-luz da Terra —, detectaram o que acreditam ser os primeiros estágios da formação de um novo planeta. E usando o radiotelescópio Atacama Large Millimeter Array (ALMA), a equipe conseguiu tirar fotos do que parece ser um disco de gás e poeira girando onde, provavelmente, "nascerá" o planeta.

Estrelas bastante jovens, em seus estágios iniciais de vida, são cercadas por discos planos de poeira e gás que giram lentamente. Com o passar do tempo (muito tempo!), esse material acaba se aglomerando para formar objetos, como planetas, com o que sobrou do disco de gás eventualmente sendo levado pelo vento solar. Tal processo pode levar milhões de anos para acontecer — então é impossível acompanharmos o nascimento de um planeta desde seus primórdios até sua formação completa.

A bolha de gás e poeira encontrada ao redor da estrela T Hydrae, cuja extensão é equivalente à distância entre o Sol e Júpiter (Foto: ALMA/ESO/NAOJ/NRAO)

Mas com a ideia em mente de que discos em torno de jovens estrelas justamente podem gerar novos planetas, cientistas conseguem observar esses aglomerados de gás e poeira na esperança de encontrar sinais de que um novo planeta está surgindo em nossa galáxia.

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Esses discos ao redor de estrelas jovens não brilham muito na luz visível. Contudo, eles brilham em ondas de rádio, e por isso mesmo o radiotelescópio ALMA foi capaz de fazer a observação. Dessa maneira, descobriu-se uma bolha de material tão extensa quanto a distância entre o Sol e Júpiter, mas esta bolha está em desacordo com algumas teorias da astronomia.

É estranho que um disco do tipo forme apenas um único protoplaneta, já que modelos e estudos de outros sistemas estelares indicam que é mais provável a formação de múltiplos planetas nesse tipo de disco ao redor de novas estrelas. Ainda, espera-se que tais bolhas sejam mais arredondadas — esta observada na estrela T Hydrae tem um formato mais alongado.

Então, é possível que o que se acredita que seja um novo planeta em formação seja, na verdade, apenas um vórtice giratório de gás, algo semelhante a um furacão se formando na atmosfera terrestre. Mas os astrônomos estão confiantes de que o observado se trata realmente de um planeta em formação, ainda que com algumas estranhezas.

A equipe agora vai estudar a mesma estrela com outros telescópios, além do ALMA, como o Subaru, do Japão, para medir a temperatura do disco e procurar pistas que permitam a conclusão quanto ao que está acontecendo ali naquela bolha. O estudo inicial foi publicado no Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Discover Magazine

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