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Crânio de ganso-gigante de 45 mil anos é encontrado na Austrália

Por| Editado por Luciana Zaramela | 04 de Junho de 2024 às 18h32

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Jacob C. Blokland/Flinders University
Jacob C. Blokland/Flinders University

Há 45 mil anos, um tipo de ganso pré-histórico vivia na Austrália, sem saber voar e com uma poderosa mordida. Apelidada de “ganso-gigante”, a ave da espécie Genyornis newtoni podia chegar a 2 m de altura e pesar cerca de 230 kg. Este peso é 50 vezes maior que o de um ganso moderno, o que dimensiona a diferença.

O ganso-gigante da pré-história já era conhecido desde os anos 1910, quando os primeiros fósseis da espécie foram encontrados numa região árida da Austrália. No entanto, os ossos estavam tão fragmentados que não permitia projetar as características físicas da criatura. Inclusive, chegou a ser apelidada como “pássaro-trovão”.

Agora, um crânio quase completo foi encontrado por pesquisadores da Universidade Flinders, permitindo que os paleontólogos compreendam melhor a espécie e entendam os seus hábitos. Apesar da semelhança com os gansos e dividirem a árvore genealógica em algumas ramificações, não são um ancestral comum dessas aves modernas.

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Ave misteriosa da Austrália

“Pela primeira vez pudemos dar um rosto para essa ave”, afirma Trevor Worthy, coautor do estudo publicado na revista Historical Biology, em nota. “Usando aves modernas como comparativos, somos capazes de preencher os fósseis e trazê-los de volta à vida”, complementa Jacob Blokland, outro autor do estudo.

A espécie australiana é “muito diferente de qualquer outra ave, mas semelhante [esteticamente] a um ganso”, comenta Worthy. No campo comportamental, ainda não se sabe se era tão feroz quantos os gansos, aves usadas como “cães de guarda”. 

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Ganso-gigante da pré-história

Analisando os fósseis da criatura já extinta, uma das coisas que mais chama a atenção é o tamanho incomum da caixa craniana, descrita como “enorme”. Segundo os autores, isso não é uma prova da inteligência fora de série do ganso pré-histórico. Na verdade, essa estrutura cresceu para conseguir sustentar bicos igualmente enormes. 

Genyornis newtoni tinha uma mandíbula superior alta e móvel como a de um papagaio, mas em uma forma [semelhante ao do bico] de um ganso”, explica Phoebe McInerney, outra autora da pesquisa. Aparentemente, a mordida era bastante forte e tinha capacidade de esmagar. Entretanto, era usada prioritariamente para comer plantas e frutas.

Há uma protuberância incomum no começo do bico, na frente dos olhos, com função ainda desconhecida. A hipótese é que tivesse relação com a disputa por fêmeas, durante a temporada de acasalamento

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Espécie adaptados para a água doce

Outra descoberta interessante é que essas aves gigantes da Austrália acumulavam adaptações para ambientes aquáticos. Por exemplo, se mergulhassem ou mantivessem a cabeça submersa, existia uma proteção natural nos ouvidos e na garganta contra um influxo de água. Esses recursos são observados, hoje, em aves modernas que buscam alimento debaixo d’água.

As adaptações para os ambientes aquáticos podem revelar um dos motivos que causaram a extinção do gigante ganso pré-histórico. Na região em que viviam há milhares de anos — no Lago Callabonna, no sul da Austrália —, as massas de água doce foram gradualmente secando e as regiões se tornaram mais áridas, enquanto as águas restantes tiveram aumentos no nível de salinidade. Com a perda de habitat, podem ter entrado em declínio.

A seguir, veja o local de escavação da espécie de ave gigante da Austrália:

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Fonte: Historical Biology e Universidade Flinders