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Cientistas descobrem evidências de uso controlado de fogo de 800.000 anos atrás

Por| Editado por Luciana Zaramela | 02 de Julho de 2022 às 17h00

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twenty20photos/Envato
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Traços do uso de fogo de 800.000 mil anos atrás foram identificados por cientistas na Galileia, um achado que representa uma das primeiras vezes registradas da utilização controlada de fogo da história. Os suspeitos em questão são hominínios de até 1 milhão de anos atrás, época em que o Homo habilis estava começando sua transição até se tornar Homo erectus.

A ciência chama as teorias ao redor disso de "hipótese do cozinheiro", pela qual se acredita que o fogo foi instrumental à nossa evolução, não apenas permitindo que nossos ancestrais se mantivessem quentes, pudessem fabricar armas e afastar predadores, mas também cozinhar a comida para matar patógenos e melhorar a digestão e valor nutricional dos alimentos.

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Onde há fumaça, há fogo

A parte complicada dessa hipótese é a falta de evidência. Para a arqueologia, encontrar evidências de pirotecnologia se baseia principalmente na identificação visual de mudanças resultantes da combustão de objetos, na maioria das vezes representadas pela mudança de cor. Métodos como esse encontraram evidências de uso generalizado de fogo de até 200.000 anos, mas não mais do que isso.

Poucas evidências de fogo de 500.000 anos foram encontradas: apenas cinco sítios arqueológicos ao redor do mundo providenciam essas provas. Utilizando inteligência artificial e espectroscopia, pesquisadores do Weizmann's Plant and Environmental Sciences Department notaram o uso de fogo em ferramentas de pedra em Israel, datando de 200.000 a 420.000 anos atrás.

Após bons resultados desse método pioneiro, o mesmo foi utilizado para verificar exposição ao fogo em artefatos da Pedreira Evron, um sítio paleolítico no oeste da Galileia que abriga ferramentas de pedra e fósseis de animais que datam de 800.000 a 1 milhão de anos atrás. Destes, 26 ferramentas de pedra lascada demonstraram exposição a várias temperaturas diferentes, algumas chegando a mais de 600 ºC.

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Aliando isso a outra técnica de espectroscopia, 87 restos mortais de animais também foram analisados, revelando que as presas de um elefante extinto também exibiam mudanças estruturais decorrentes de aquecimento. Empolgados com os achados da nova tecnologia, os cientistas planejam utilizar o método em outros sítios do paleolítico inferior para descobrir evidências não-visuais de uso de fogo, podendo iluminar mais ainda as origens do fenômeno como ferramenta e sua evolução com nossos ancestrais.

Fonte: PNAS