Homo erectus de sítio na China pode ser um dos primeiros humanos a viver na Ásia

Homo erectus de sítio na China pode ser um dos primeiros humanos a viver na Ásia

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 22 de Junho de 2022 às 11h40
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Cientistas do Centro Nacional de Investigação sobre Evolução Humana (CENIEH), na Espanha, publicaram, recentemente, um estudo do que pode ser o fóssil humano mais antigo da China. Foram utilizadas técnicas de microtomografia, morfometria geométrica e morfologia clássica para analisar os restos de um maxilar e cinco dentes do crânio do Homo erectus em questão, retirado do sítio de Gongwangling.

O sítio arqueológico em questão fica nas planícies da escarpa norte das montanhas Quinling, na província de Xianxim, centro da China. Quem descobriu o local pela primeira vez foi o cientista Woo Ju-Kang, em 1963, e sua idade foi reavaliada em 2015 por estudos de paleomagnetismo regional. Os fósseis datam de 1,6 milhões de anos atrás, podendo caracterizar um dos primeiros humanos a colonizar o que hoje é a China.

Maxilar e dente do H. erectus que foi, provavelmente, um dos primeiros humanos a viver na China (Imagem: Pan et al./Journal of Human Evolution)
Maxilar e dente do H. erectus que foi, provavelmente, um dos primeiros humanos a viver na China (Imagem: Pan et al./Journal of Human Evolution)

Fósseis hominínios

O estudo dos restos em questão, publicado no periódico científico Journal of Human Evolution, mostra semelhanças entre os dentes de Gongwangling e os de sítios chineses mais recentes, como os de Meipu e da boca do rio Quyuan, mas há variações, o que sugere alguma diversidade entre os H. erectus que colonizaram a Ásia durante o período Pleistoceno.

Há, hoje em dia, uma escassez de informações sobre os primeiros colonizadores da Ásia. Um dos lugares mais prolíficos nesse campo é o sítio de Dmanisi, na República da Geórgia, que traz evidências dos primeiros habitantes do continente, há 2 milhões de anos. Para conseguir conectar os dados do hominínios de Dmanisi com os chineses (que viveram na massa continental de 400 a 800 mil anos atrás), no entanto, são necessários mais dados.

O sítio de Gongwangling, segundo os cientistas, ajuda a preencher esse lapso enorme de tempo e sugere que a Ásia foi habitada por populações sucessivas da espécie H. erectus em diferentes momentos do Pleistoceno.

O crânio em questão tem todas as características da espécie: crânio baixo e bem longo, ossos grossos, parte frontal íngreme, arcos superciliares que formam um tipo de visor duplo sobre os olhos, parietais achatados que formam uma quilha sagital no topo e grossura parietal máxima na base.

Fonte: Journal of Human Evolution

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