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Caranguejos estão vestindo lixo plástico no lugar de conchas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 29 de Janeiro de 2024 às 11h26

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David Clode/Unsplash
David Clode/Unsplash

De forma totalmente inusitada e até bizarra, os caranguejos eremitas estão usando lixo no lugar de conchas naturais, como tampas de plástico e outros objetos de metal e de vidro erroneamente descartados pelos humanos no mar. O comportamento é aparentemente generalizado e já foi observado nas Américas.

A nova estratégia de sobrevivência dos caranguejos eremitas, que são parte da família Coenobitidae, foi apontada por pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia, em artigo recém-publicado na revista Science of The Total Environment.

A seguir, confira o vídeo de um desses caranguejos eremitas andando com a sua concha artificial — no caso, um vaso de plástico preto —, feito por Shawn Miller, do projeto Okinawa Nature Photography:

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Caranguejos com conchas de plástico

“Os caranguejos eremitas precisam proteger seu abdômen macio. Eles geralmente fazem isso se escondendo em conchas deixadas por crustáceos mortos”, explica Marta Szulkin, professora da universidade e uma das autoras do estudo, em nota.

A troca das conchas naturais apontam para alguns problemas que podem estar ocorrendo no habitat dessas espécies, como o excesso de lixo plástico. Aqui, vale destacar que a fauna marinha é o grupo mais impactado pela poluição plástica no globo.

Por que trocar uma concha natural?

Em paralelo, é possível que o número de conchas naturais também esteja diminuindo, o que dificulta ainda mais a procura pelo modelo ideal. Neste cenário, usar o lixo humano pode ser a opção mais estratégica, lembrando que, conforme essas criaturas crescem, é preciso trocar de conchas — a busca é quase constante por uma armadura protetora.

Outros fatores que devem ser considerados é se o menor peso das conchas artificiais favorece essa escolha. O uso de uma concha de plástico pode ajudar na camuflagem em ambientes poluídos.

Também é possível que os odores e os químicos liberados por plásticos atraiam os caranguejos. Por fim, potenciais vantagens em rituais de acasalamento podem afetar a “decisão”.

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Todas são hipóteses que devem ser melhor avaliadas em estudos futuros. Estes devem traçar um panorama sobre o impacto do novo comportamento na evolução dos caranguejos eremitas.

Análise do novo comportamento

Para medir a prevalência do novo comportamento, os pesquisadores analisaram registros da vida dessas criaturas feitos por profissionais e fotógrafos entusiastas, através de fotos postadas no Google, Facebook, Flickr e Youtube, além de artigos científicos.

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“Nas fotografias, descobrimos um total de 386 indivíduos usando ‘conchas artificiais’ — principalmente tampas de plástico, mas também feitas de gargalos quebrados de garrafas de vidro ou extremidades metálicas de lâmpadas”, detalha Szulkin. 

“De acordo com nossos cálculos, 10 em cada 16 espécies de caranguejos eremitas terrestres do mundo utilizam esse tipo de abrigo. Esse comportamento incomum é observado em todas as regiões tropicais da Terra”, completa a pesquisadora.

Fonte: Science of The Total Environment, Universidade de Varsóvia e Okinawa Nature Photography