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Ataque a silos nucleares dos EUA causaria milhões de mortes

Por| Editado por Patricia Gnipper | 19 de Novembro de 2023 às 12h00

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Departamento de Energia dos Estados Unidos
Departamento de Energia dos Estados Unidos

Pesquisadores da Universidade de Princeton estimam que um ataque aos silos nucleares dos Estados Unidos resultaria em até dois milhões de vítimas, além de colocar 300 milhões em risco. A equipe lançou um projeto com um mapa interativo para ilustrar os danos causados por um eventual bombardeio à chamada "esponja nuclear".

Durante dois anos de investigações, os pesquisadores do Centro de Ciência e Segurança Global (SGS), da Escola de Assuntos Públicos e Internacionais de Princeton, reuniram informações em uma série de artigos na Scientific American, além de podcasts, fotografias e um documentário sobre o tema.

O projeto, intitulado The Missile on our Land, também usa simulações de computador de última geração para estimativas dos impactos que um ataque aos silos causariam. Um dos focos deste extenso trabalho é revelar os riscos que as comunidades mais próximas estão expostas.

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Esponja nuclear nos EUA

Existem 450 silos de mísseis intercontinentais localizados nos estados dos EUA Dakota do Norte, Montana, Colorado, Wyoming e Nebraska. Eles foram construídos na década de 1960 pela Força Aérea, não com a intenção de serem lançados contra algum adversário, mas sim para serem destruídos no solo.

A estratégia, chamada por especialistas de “Esponja Nuclear”, visa espalhar um grande arsenal pelo território para “atrair” o ataque inimigo. Em caso de guerra com a União Soviética, os adversários seriam forçados a bombardear essas áreas para evitar um contra-ataque devastador.

Cada um desses mísseis, apelidados de Minuteman III, transporta uma carga nuclear várias vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. As regiões “esponjas nucleares” são pouco habitadas e a tática evitaria ataques às grandes cidades — claro, com o sacrifício dos habitantes desses territórios. Mas o problema vai além: as consequências se espalhariam por muito mais lugares do que se imaginava.

Nada disso é segredo e o debate é de longa data, mas ganhou ainda mais repercussão após a decisão do governo estadunidense de atualizar o arsenal. A operação vai custar 200 bilhões de dólares e as armas nucleares vão estar instaladas nesses mesmos silos até pelo menos 2070.

Impacto dos ataques nucleares

Dados meteorológicos ajudaram a calcular a precipitação radioativa no país, caso os silos de mísseis fossem atacados por armas nucleares. Eles revelaram que os efeitos seriam sentidos durante todo o ano não só nos Estados Unidos, mas também no Canadá e México.

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As estimativas são de que um ataque pode resultar na morte de 1 milhão a 2 milhões de pessoas ao longo de um ano, “assumindo que consigam abrigar-se com comida e água durante muitos dias”. Por outro lado, o estudo não considera danos às infraestruturas e contaminação de água e alimentos.

No total, a população que poderia estar em algum nível de risco é de 300 milhões de pessoas na América do Norte.

Risco aos povos nativos

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Ella Weber, integrante do SGS, pertence às Três Tribos Afiliadas (ou nação Mandan, Hidatsa e Arikara), da reserva Fort Berthold, no centro de Dakota do Norte. Esta é a única comunidade nativa americana oficialmente reconhecida como “hospedeira” de mísseis nucleares.

A construção dos silos nessa reserva aconteceu no início da década de 1960, alguns anos após esses povos serem obrigados a se mudarem para lá. Na época, a área não era mais considerada parte da reserva, mas isso mudou após uma resolução de 1972, quando os silos já estavam concluídos. Assim, as Três Tribos Afiliadas ficaram “presas” ali, na esponja nuclear.

Weber visitou os silos e divulgou sua pesquisa em um podcast, com objetivo de refletir sobre o passado, o presente e o futuro dos mísseis nas terras de seu povo. “Eu queria aprofundar a história dos mísseis e a política e estratégia nuclear dos EUA para colocar os mísseis nas nossas terras e mantê-los lá”, disse.

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Este trabalho é feito com um grupo de estudantes nativos americanos de Princeton. “As pessoas da tribo gostariam que mais informações fossem compartilhadas com elas sobre os mísseis nucleares, o próximo programa de modernização, os perigos que isso cria e o que pode ser feito”.

Além das publicações online do The Missiles on our Land, três artigos do projeto vão aparecer na edição impressa de dezembro da revista Scientific American.

Fonte: The Missile on our Land, SPIA