A verdadeira história do corpo preservado do "masturbador de Pompeia"

A verdadeira história do corpo preservado do "masturbador de Pompeia"

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 15 de Junho de 2022 às 14h20
Parco Archeologico di Pompei/Divulgação

A fama do "masturbador de Pompeia" é uma que poucos de nós gostaríamos de levar para a posteridade no momento da morte. No ano 79 a.C., essa antiga cidade romana foi incinerada e enterrada pelas cinzas do Vesúvio, vulcão do Golfo de Nápoles, petrificando os corpos de mais de 1.000 habitantes no momento da erupção.

O homem em questão, cuja figura ficou moldada em uma posição bem sugestiva, com a mão fechada na posição de agarrar algo na altura da virilha, ainda pode ser visto no mesmo local e pose em que estava há 2.000 anos. Em 2017, o Parque Arqueológico de Pompeia compartilhou a infame imagem no Instagram, o que imortalizou a figura em um meme. O que a ciência, no entanto, tem a dizer sobre ele?

Uma das imagens pintadas no Lupanar de Pompeia, bordel hoje aberto como ponto turístico da cidade (Imagem: Wknight94/CC-BY-3.0)
Uma das imagens pintadas no Lupanar de Pompeia, bordel hoje aberto como ponto turístico da cidade (Imagem: Wknight94/CC-BY-3.0)

Pompeia, a cidade devassa

Qualquer turista que visite Pompeia fica estarrecido com o que vê: o local é conhecido por ser surpreendentemente liberal, com figuras penianas esculpidas em inúmeros pavimentos e paredes, algumas penduradas sobre fogões e portas de forma convidativa. Apesar das histórias de que seriam uma espécie de guia para ajudar a chegar aos bordéis, a verdade é que o pênis representava sorte e proteção aos antigos romanos.

Mas isso não isenta a cidade de ter bordéis famosos e muito frequentados. À época, a prostituição não era apenas legal, como também era a norma social aos homens — e algumas mulheres abastadas —, que apareciam em estabelecimentos do tipo com frequência. O comportamento sexual era visto como algo natural, como comer ou defecar. Existiam regras para sua prática, claro, mas o sexo encarado com muito mais naturalidade, um aspecto imutável da vida.

O Lupanar de Pompeia, aliás, é um bordel aberto atualmente, escavado em 1862 — funcionando apenas como curiosidade turística, é claro. Seus dois andares são cheios de inscrições lascivas, como Hic ego puellas multas futui ("muitas garotas transaram aqui") e Felix bene futuis ("Sortudo, terás uma boa transa"). Além disso, desenhos mostram como os romanos eram bons conhecedores das mais criativas posições.

E o homem com o membro nas mãos?

Sendo o sexo e os pênis tão bem vistos na antiga cidade, então será que o famoso masturbador de Pompeia estava protegendo seu membro, ou se divertindo com ele? Segundo a ciência, a verdade é mais triste. O homem em questão morreu em um fluxo piroclástico quente — é sério —, um calor vulcânico que ferve o sangue, pode explodir cabeças e faz com que os membros do corpo flexionem, tanto no impacto quanto após a morte.

Muitos dos corpos, além do suposto auto-indulgente, foram encontrados em posições estranhas, como se agarrassem ou apalpassem alguma coisa. É muito provável que ele não tenha morrido exatamente na pose em que foi encontrado, revelando a natureza trágica do evento milenar.

Mais do que uma curiosidade, o desastre vulcânico nos proporciona uma janela incomparável ao mundo antigo. As cidades de Pompeia e Herculano, também vítima de fluxos piroclásticos, seguem como pontos de interesse acadêmico e turístico a todos os interessados em história e sexualidade humana — e seus segredos estão longe de serem totalmente descobertos.

Fonte: Phys.org

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