14 invenções e descobertas feitas por mulheres, mas que são creditadas a homens

Por Natalie Rosa | 10 de Outubro de 2018 às 22h40
Reprodução

Infelizmente, sempre há alguém tentando tirar vantagem em cima de outra pessoa, seja por ganância, competitividade extrema ou, até mesmo, por questões sexistas.

Foi o que aconteceu com algumas mulheres responsáveis por grandes invenções e descobertas que têm impacto em nossas vidas até hoje. Inventoras e gênias como Vera Rubin, Lise Meitner, Katherine Johnson, Mary Anderson, entre outras, não tiveram a oportunidade de serem reconhecidas imediatamente pelas suas criações, mas hoje são relembradas e homenageadas como deveria ter acontecido desde sempre.

Confira abaixo uma lista com 14 mulheres que inovaram a ciência e o mundo, mas que tiveram seus trabalhos creditados a homens por uma série de razões:

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Monopoly - Elizabeth Magie Phillips

O famoso jogo de tabuleiro Monopoly, inicialmente chamado de The Landlord's Game, ou "O Jogo do Senhorio", foi criado por Elizabeth Magie Phillips. O objetivo era demonstrar "na prática" como era o benefício do sistema de economia de terras de Henry George, economista dos Estados Unidos.

Quando o jogo começou a se popularizar, em 1903, Phillips chegou a pedir pela patente, mas acabou sendo impedida por Charles Durow, que garantiu os direitos autorais de sua versão aprimorada chamada, então, Monopoly, inglês para "monopólio". O jogo então foi vendido para Parker Brothers, deixando Phillips ainda mais esquecida.

Sacos de papel com fundo plano - Margaret Knight

Margaret Knight, que trabalhava em uma fábrica de sacos de papel, percebeu que seria muito mais fácil encher e transportar os sacos se eles tivessem o fundo plano. Então, ela decidiu criar uma máquina que formava e dobrava o funo reto dos sacos de papel, produzindo o itens em massa.

Miniatura da máquina inventada por Margaret Knight para fabricar sacos de papel quadrados, com o fundo plano (Imagem: Reprodução)

Quando percebeu que a invenção daria certo, correu para patentear a máquina, mas um homem chamado Charles Annon roubou a sua ideia e obteve sua patente própria. Knight chegou a ir ao tribunal, mas Annon usou em sua defesa a seguinte frase: "nenhuma mulher poderia inventar uma máquina tão inovadora". Felizmente, a inventora conseguiu obter a sua patente em 1871.

Matéria escura - Vera Rubin

Junto com o pesquisador Kent Ford, a astrofísica Vera Rubin dedicou anos de sua vida, entre os anos 1960 e 1970, estudando as galáxias e tentando descobrir como as estrelas eram capazes de se mover tão rápido sem que desmoronassem.

Com seus cálculos, a cientista supôs que havia uma força invisível chamada "matéria escura", ideia que havia sido proposta anteriormente por Fritz Zwicky na década de 1930. A dupla relutou em aceitar a teoria, mas quando Jeremiah Ostriker e James Peebles forneceram estruturas adicionais, tudo mudou.

As evidências de matéria escura coletadas por Rubin iniciaram uma nova era na escala copernicana na teoria cosmológica; no entanto, Rubin nunca foi reconhecida com um prêmio Nobel.

Sutiãs modernos - Caresse Crosby

Aos 19 anos, Caresse Crosby ficou irritada com o seu espartilho durante a preparação para um baile e pediu para que sua empregada buscasse outros materiais como lenços de seda, cordão, fitas e uma agulha de linha. Foi quando, então, ela inventou o sutiã que conhecemos hoje.

A invenção foi patenteada pela jovem em 1914, batizando o produto de "sutiã sem encosto", e iniciou a sua empresa Fashion Form Brassiere Company, em Boston. Mas, pouco tempo depois, acabou vendendo o design por US$ 15.500 para a Warner Brothers Corset Company, que retirou o seu nome do produto.

A Warner conseguiu arrecadar US$ 15 milhões com a invenção de Crosby nos 30 anos seguintes.

Divisão de átomos - Lise Meitner

Lise Meitner, física de origem sueca e austríaca, conduzia pesquisas sobre urânio com o seu parceiro de laboratório Otto Hahn. Na década de 1940, a dupla descobriu que a divisão dos núcleos atômicos durante uma fissão liberava grandes quantidades de energia, e Meitner escreveu a sua primeira explicação teórica sobre o processo.

No entanto, Hahn ficou com o crédito exclusivo da descoberta, recebendo o Prêmio Nobel de Química em 1944.

Caminho da Lua - Katherine Johnson

Katherine Johnson trabalhou na NASA por 35 anos devido às suas extraordinárias habilidades matemáticas, chegando a ganhar uma vaga na equipe que trabalhou na primeira nave espacial lançada em 1961 e no primeiro pouso em solo lunar em 1969 (com a missão Apollo 11).

No entanto, por ser mulher, seus feitios passaram despercebidos por seus colegas de trabalho. Porém, todo o seu trabalho foi reconhecido no filme Estrelas Além do Tempo, de 2016, que homenageou também suas colegas Dorothy Vaughn e Mary Jackson.

Limpador de para-brisa - Mary Anderson

Enquanto visitava a cidade de Nova York, em 1902, Mary Anderson se incomodou com a neve caindo no seu para-brisa e, assim que chegou à sua casa, na cidade de Birmingham, no Alabama, começou os esboços de sua invenção até conseguir uma patente.

Na época, as empresas de manufatura não mostraram interesse e ela não tinha nenhuma conexão na indústria para tornar o seu projeto realidade, fazendo com que sua patente expirasse. Infelizmente, mesmo assim, ela chegou a ver a sua invenção em praticamente todos os carros dos Estados Unidos, sem receber um centavo por isso. O único reconhecimento aconteceu em 2011, quando Anderson entrou para o Hall da Fama dos Inventores.

Genética macrobiana - Esther Lederberg

A professora de microbiologia e imunologia da Universidade de Stanford, Esther Lederberg, dedicou todos os seus esforços em pesquisas sobre a transferência de colônias bacterianas ao lado de seu marido, também cientista, Joshua Lederberg.

Em 1951, Esther descobriu um vírus capaz de infectar bactérias e o casal criou uma bem sucedida técnica de transferência de colônias bacterianas chamada The Lederberg Method, que é usada até hoje. No entanto, somente a Joshua foi oferecido o Prêmio Nobel de Fisiologia de Medicina.

Engenho analítico - Ada Lovelace

Ada Lovelace era uma amante da matemática e, com Charles Babbage, trabalhou na construção de uma máquina analítica. Então, em 1843, ela escreveu notas com detalhes sobre como o dispositivo teceria padrões algébricos "assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas", se tornando, basicamente, a primeira pessoa programadora da história.

Com o passar dos anos, os historiadores não sabiam dizer quem era o autor das anotações, sugerindo que Lovelace não seria capaz de escrevê-las. No entanto, correspondências trocadas entre Lovelace e Babbage deram a entender que as notas eram, de fato, dela.

Cromossomos X e Y - Nettie Stevens

Em 1905, Nettie Stevens descobriu os cromossomos XY ao mesmo tempo em que E.B. Wilson, quando começou a reviver a pesquisa genética de Mendel, mas apenas Wilson foi reconhecido como o descobridor.

Seus relatos, no entanto, eram ligeiramente diferentes. Enquanto Wilson alegava que o sexo era afetado por fatores ambientais, Stevens acreditava ser apenas a genética. Com o tempo, foi descoberto que quem possuía a teoria correta era a cientista.

Fralda descartável - Marion Donovan

A fralda descartável foi inventada por Marion Donovan, nos anos 1940, depois de se incomodar com a quantidade de fraldas de seus bebês que precisava lavar. Inicialmente, a invenção de Donovan era uma capa de fralda à prova d'água que ela criou usando uma cortina de chuveiro, somente depois desenvolvendo a fralda de papel descartável.

A ideia não atraiu muitos consumidores no começo, mas dez anos depois de a ideia ter sido patenteada, Victor Mills roubou a sua criação para começar a Pampers, fabricante de fraldas que existe até hoje, sem dar nenhum crédito para Donovan.

Comunicação sem fio - Hedy Lamarr

Hedy Lamarr não foi só uma atriz norte-americana, mas também uma inventora. Junto com o compositor George Antheil, ela conseguiu desenvolver sua ideia de "salto de frequência", impedindo que rádios militares fossem grampeados.

Ao enviar sua patente para a Marinha dos Estados Unidos, eles a arquivaram. Porém, um tempo depois, começaram a desenvolver tecnologias baseadas no seu projeto sem dar nenhum crédito a Lamarr. Felizmente, em 2000, pouco antes de sua morte, um pesquisador revelou ao mundo a patente original, o que concedeu à inventora o prêmio Electronic Frontier Foundation Award.

Graças à criação de Lamarr, muitas tecnologias existente hoje foram possíveis, como Wi-Fi, Bluetooth e GPS.

Dupla hélice de DNA - Rosalind Franklin

Durante suas pesquisas no king's College, em 1951, Rosalind Franklin começou a tirar raio-X de estruturas de DNA. Então, ela apresentou as imagens que mostravam uma dupla hélice em uma palestra em que James Watson estava presente.

Watson disse não ter prestado atenção na imagem, mas o raio-X foi mostrado novamente a ele pelo supervisor de Franklin. A ideia da dupla hélice sempre foi uma teoria de Watson e seu parceiro Cricks, mas que somente foi confirmada com a pesquisa da biofísica britânica.

A dupla publicou seu estudo sem lhe dar os devidos créditos a Rosalind, recebendo o Prêmio Nobel em 1962, quatro anos após a morte da cientista, que nunca foi reconhecida pela descoberta enquanto esteve viva.

Lei da Paridade - Chien-Shiung Wu

Chien-Shiung Wu desmentiu a Lei da Paridade depois de fazer uma série de experimentos com cobalto radioativo em 1956. Tsung-Dao Lee e Chen-Ning Yang, outros pesquisadores, já haviam teorizado a invalidade da lei, mas apenas Wu conseguiu uma prova.

A dupla recebeu o Prêmio Nobel de Física pela descoberta, mas Wu foi deixada de lado. Ela disse que mesmo que suas pesquisas não tivessem sido feitas com a intenção de receber o prêmio, ainda sentia muito por ter o seu trabalho negligenciado.

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