Falta de semicondutores não deve ser solucionada tão cedo, diz CEO da Intel

Falta de semicondutores não deve ser solucionada tão cedo, diz CEO da Intel

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | 07 de Maio de 2021 às 11h54
Felipe Ribeiro/ Canaltech

Algumas montadoras no Brasil interromperam a fabricação de automóveis por conta da falta de semicondutores, essenciais para os sistemas eletrônicos dos carros. Mesmo que haja um certo otimismo por parte das empresas de que tudo voltará ao normal com o avanço da vacinação e a retomada da economia global, Pat Gelsinger, CEO da Intel, tratou de jogar um balde de água fria nessa expectativa.

Para o executivo, o fato de os Estados Unidos concentrarem apenas 12% de toda a produção de semicondutores no mundo contribui para que a normalização dessa situação se dê apenas em "alguns anos". "Temos alguns anos até que possamos atender a essa demanda crescente em todos os aspectos do negócio. Qualquer pessoa que olhe para a cadeia de abastecimento diz: 'isso é um problema'. Esta é uma indústria grande e crítica e queremos mais [produção] em solo americano", disse Gelsinger durante uma entrevista para o 60 Minutes da CBS.

Ele deu essa declaração em alusão ao que ocorre no mercado hoje em dia. Boa parte da produção de semicondutores está em Taiwan. O aumento da demanda por conta da maior produção de equipamentos eletrônicos e o natural desenvolvimento da indústria automotiva e de informática, somado às necessidades de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), contribuíram para esse cenário.

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Já Jim Farley, CEO da Ford, tem outra opinião sobre o tema. Para ele, ao menos na indústria automotiva, a normalização do fornecimento de semicondutores deve ocorrer no início do terceiro trimestre de 2021. Dois mercados diferentes, visões distintas.

Ford Territory é um dos modelos da Ford à venda no Brasil. Ele, no entanto, é importado/ Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

A Intel luta para aumentar sua própria produção de chips reformulando suas fábricas, mas esse processo levará vários meses para ser concluído. Enquanto isso, em meio a uma enxurrada de cortes de produção, Jim Farley recentemente participou de uma cúpula da Casa Branca com outras montadoras, fabricantes de chips, o presidente Joe Biden e membros de sua equipe. Na reunião, Biden prometeu que o congresso está tratando do assunto e o financiamento para apoiar a produção está em andamento, embora dois grupos da indústria automobilística estejam pressionando o Senado por uma resolução mais célere.

No Brasil, Chevrolet, Volkswagen, Honda e Fiat tiveram suas linhas de produção afetadas por conta da falta de semicondutores.

Fonte: Ford Authority

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