Xiaomi estreia com baixa na Bolsa de Hong Kong

Por Felipe Demartini | 09 de Julho de 2018 às 09h45
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A entrada da Xiaomi na Bolsa de Valores de Hong Kong não foi o passeio que dirigentes da própria empresa estavam esperando há alguns meses, quando anunciaram o movimento. Em seu primeiro dia de pregão, as ações da companhia chegaram a apresentar queda de 5,8%, recuperando um pouco de seu valor ao longo do dia, mas ainda assim encerrando as transações com baixa de 1,2%.

Originalmente, a ideia da Xiaomi era abrir as negociações com cotas a, pelo menos, HK$ 17 cada, ou cerca de US$ 2,17. Logo antes do início das negociações, entretanto, os papéis da companhia já estavam valendo HK$ 16,60, ou aproximadamente US$ 2,12, em uma tendência de baixas que se seguiu durante toda a negociação. Não foi um dia difícil para o mercado como um todo, com o índice da Bolsa de Hong Kong, o Hang Seng Index, tendo fechado a 1,32%.

Não ajudou no clima de decepção, também, a notícia de que a Xiaomi conseguiu levantar, em sua oferta inicial de ações, menos da metade do que esperava. A companhia, ainda assim, obteve seu ideal de ter o maior ganho financeiro desde o IPO do Alibaba, em 2014, que tem o recorde nesse quesito, com US$ 20 bilhões. Entretanto, para a fabricante de gadgets, foram US$ 4,7 bilhões obtidos, contra uma expectativa de US$ 10 bilhões.

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O que teria levado a Xiaomi, então, a um primeiro dia decepcionante? Segundo analistas, trata-se de uma mistura entre um valor inicial alto demais e as tensões entre empresas chinesas e o governo dos Estados Unidos, principalmente no mercado de tecnologia. Ameaças de banimentos comerciais, suspensões em prédios públicos e mudanças de fornecimento por conta de questões relacionadas à segurança nacional se tornaram uma pedra no sapato não apenas da companhia que é assunto deste texto.

Outros pontos citados por analistas como explicações para o desempenho fraco das ações estão relacionadas às próprias finanças da Xiaomi. Os investidores estão receosos com uma estagnação dos números da companhia, devido ao fato de muitos de seus produtos, principalmente smartphones, estarem no segmento de entrada, o que significa baixas margens de lucro. Além disso, outro questionamento está relacionado à expansão internacional, muito dependente de parceiros comerciais e menos de uma presença efetiva em mais países.

O CEO da Xiaomi, Lei Jun, tocando o gongo que formaliza o início das negociações na Bolsa de Hong Kong (Imagem: Reprodução/AP)

O CEO da Xiaomi, Lei Jun, reconheceu o timing ruim em declaração feita após o fim do primeiro dia de negociações, afirmando que o fluxo do mercado internacional realmente não favoreceu a companhia. Ele, entretanto, manteve o otimismo e disse acreditar que, mesmo com condições que julgou “longes das ideais”, a fabricante irá se provar lucrativa e interessante para os investidores, sendo capaz de se distinguir das outras da mesma forma como acontece na concorrência com seus produtos.

Com isso, refutou a afirmação de que a companhia teria recebido uma avaliação alta demais. Para Jun, o caráter abrangente da empresa, que fabrica os mais diferentes tipos de equipamentos e gadgets, além de ter atuação nos mercados de streaming e internet, justifica o otimismo e, também, o posicionamento da Xiaomi como uma das principais companhias orientais do mercado de tecnologia.

Para o executivo, agora é hora de focar no longo prazo e é nele que a Xiaomi vai se provar uma empresa lucrativa. Na visão do CEO, o preço diário das ações é muito afetado pelas condições sazonais do mercado, como aconteceu nesta estreia no pregão, mas a expectativa é que as coisas melhorem dia a dia, chegando ao patamar esperado tanto pela própria companhia quanto por analistas e investidores.

Fonte: CNBC

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