Desconfiança de investidores provoca queda de 5% em ações da Tesla

Por Carlos Dias Ferreira | 09 de Agosto de 2018 às 20h30
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Poucas coisas na vida devem ser mais incertas do que o capital especulativo. Que o diga certo bilionário excêntrico. Depois de ver as ações da Tesla catapultadas em 11% (e de ter sua fortuna aumentada em US$ 1,4 bilhão) por conta de uma única mensagem no Twitter, Elon Musk assistiu recentemente aos mesmos papeis caírem abaixo do valor original pré-tweet — sendo negociados no último pregão a $350.69, uma queda de 5%.

O período de alta histórica foi interrompido por uma desconfiança geral de Wall Street em relação à capacidade de Musk de levar a cabo o fechamento de capital insinuado na mensagem. Além disso, o método “atípico” utilizado para divulgar as intenções também motivou questionamentos por parte da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Basicamente, o que os envolvidos queriam saber era se o empresário realmente tinha real interesse e também condições para efetivar a manobra anunciada aos quatro ventos.

Outra coisa pegou mal para Musk e a Tesla aos olhos dos investidores foi um levantamento feito pelo site Bloomberg, segundo o qual os comentários públicos feitos pelo empreendedor já vinham sendo investigados pela CVM há um bom tempo. Algo que, justiça seja feita, já havia sido indicado no relatório financeiro mais recente da empresa, no qual admitia ter “recebido pedidos de informações de órgãos reguladores e autoridades governamentais”.

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Agência de avaliação de risco engrossa o coro

As ações de Elon Musk também fizeram pelo menos uma agência de avaliação de risco estadunidense levantar a sobrancelha. Em nota oficial, a Moody destaca o “efeito negativo” da privatização do capital da Tesla, citando uma carta enviada por Musk depois que o famigerado tweet foi ventilado.

Para a Moody’s, os trancos e barrancos enfrentados pela Tesla atualmente com a produção do Model 3 — definido pelo próprio Musk como uma “inferno de fabricação” — e também o US$ 1,2 bilhão em notas conversíveis com vencimento para março do ano que vem devem tornar imprescindível o financiamento via capital público.

Mesmo com aumento das receitas previsto para o segundo semestre, Tesla provavelmente precisará recorrer ao mercado de capitais para financiar a produção do oneroso Model 3. (Foto: reprodução/Tesla Motors)

“Ainda que a receita da companhia deva aumentar durante o segundo semestre de 2018 e também ao longo dos próximos anos, conforme aumento na produção do Model 3, nós ainda acreditamos que a Tesla precisará acessar o mercado de capitais a fim de coletar os fundos necessários para a sua operação e poder reembolsar as notas conversíveis em maturação”, escreveu a agência.

Até o momento, nem Elon Musk e nem a Tesla comentaram o ocorrido. Seja como for, isso provavelmente tira do empresário o posto de 31ª pessoa mais rica do mundo. Não se pode ter tudo, aparentemente.

Fonte: Reuters

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