Publicidade

O que aconteceu com o MSN? Entenda o fim do fenômeno dos anos 2000

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

Compartilhe:
Imagem gerada pelo Gemini
Imagem gerada pelo Gemini

Emoticons, status de humor e “o que estou ouvindo”: esses são apenas alguns recursos que fizeram o MSN marcar época no mundo inteiro nos anos 2000. Sendo ou não a primeira interação de muitos usuários com redes sociais, o mensageiro ficou na memória de milhões de pessoas.

A plataforma foi lançada pela Microsoft em julho de 1999, com o nome MSN Messenger Service, e tinha como objetivo competir com o AOL Instant Messenger. O aplicativo passou por diversas mudanças visuais e atualizações de recursos, chegando a ser rebatizado como Windows Live Messenger em 2005.

O serviço se difundiu entre uma grande parcela dos internautas e, no seu pico, em 2009, chegou a atingir a marca de 330 milhões de usuários ativos mensais. O sucesso também foi expressivo no Brasil: em 2007, o país liderou o ranking global, com 30,5 milhões de usuários ativos.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade
“O MSN era mais do que um app de mensagens. Ele trazia elementos que expressavam a identidade do usuário: status, ‘o que estou ouvindo agora’, foto em evidência. Coisas que hoje parecem normais, mas que eram inovadoras para a época. No Brasil, isso encaixou muito bem, porque tendemos a ser mais sociais e expansivos na forma como nos mostramos e nos comunicamos”, afirma o diretor de operações da PM3 e professor de pós-graduação e MBA na FIAP, Raphael Farinazzo, em entrevista ao Canaltech.

Apesar de todo esse sucesso que cativou os usuários, fatores internos da gigante de Redmond e mudanças no comportamento relacionadas à interação com plataformas digitais levaram ao fim da histórica rede social.

Compra do Skype e unificação de serviços

O principal marco temporal do fim do MSN foi a aquisição do Skype pela Microsoft, em 2011, pelo valor de US$ 8,5 bilhões. Na época da conclusão da compra, Tony Bates, então presidente da divisão Skype da empresa, afirmou que a estratégia era concentrar esforços em uma única plataforma.

“Unir forças com a Microsoft é a melhor maneira de acelerar nossa missão e capitalizar nossa posição na interseção das comunicações sociais, móveis e de vídeo. Em resumo, queremos transformar as comunicações”, afirmou Bates em comunicado divulgado na época.

As companhias realizaram a migração da base de usuários para a plataforma do Skype e, em abril de 2013, a maior parte dos usuários globais perdeu o acesso ao MSN — com exceção das contas na China, onde o serviço foi encerrado apenas em outubro de 2014.

O professor e head B2B da Alura e da FIAP, Gustavo Torrente, acredita que essa migração foi um erro estratégico que, desde o início, não foi bem recebido pelos usuários.

“A migração para o Skype, na minha visão, foi um tiro no pé. O Skype passou a ser percebido como muito formal, mais corporativo. O MSN tinha um apelo emocional muito forte. Houve uma falha de leitura ao achar que uma simples troca de marca e produto resolveria esse vínculo emocional”, pontua o especialista em sistemas e marketing.
Continua após a publicidade

Mudança no comportamento digital

O declínio do serviço de mensagens da Microsoft coincidiu também com uma mudança profunda no comportamento digital. A transição do hábito de “sentar na frente do computador” para conversar para o uso constante de smartphones, em qualquer lugar, marcou uma nova era na comunicação digital.

Especialistas apontam que, enquanto o MSN permanecia focado em sessões longas e interações contínuas — mesmo com a versão mobile do app , os smartphones passaram a favorecer mensagens rápidas e mais espaçadas ao longo do dia.

Continua após a publicidade

No ensaio Chat Wars, publicado na revista N+1 em 2014, o ex-engenheiro da Microsoft David Auerbach, que trabalhou no MSN desde o código original, afirmou que esse momento de transição representou um impasse dentro da companhia.

“O Messenger permaneceu em um limbo por muitos anos. Era incomum por ser praticamente indestrutível (devido à grande quantidade de usuários) e ao mesmo tempo inassimilável”, escreveu, em referência à dificuldade de integrar a plataforma aos planos futuros da Microsoft diante das mudanças no cenário digital.

Segundo Farinazzo, soma-se a isso o fato de que o mensageiro se perdeu quando a empresa passou a apostar no acúmulo de funções como estratégia de evolução.

“Anúncios, integrações forçadas, funcionalidades acumuladas sem coerência. Isso aumentou a carga cognitiva do usuário. Esse fenômeno é recorrente em tecnologia: apps tendem a ficar mais complexos, enquanto novos concorrentes surgem simplificando, com menos opções, menos distrações e menos decisões”, ressalta o docente.
Continua após a publicidade

O legado do MSN

Mesmo que uma das causas do fim do MSN tenha sido a dificuldade de adaptação a um novo contexto digital, o aplicativo deixou contribuições importantes para as plataformas de mensagens instantâneas.

“Mesmo com a chegada de outros apps, o MSN deixou um legado. As empresas perceberam que não precisavam reinventar a roda”, afirma Torrente.
Continua após a publicidade

Diante disso, aplicativos como o WhatsApp, assim como plataformas como Discord e Slack, herdaram recursos cujas bases foram estabelecidas pelo serviço da Microsoft.

“Presença online, lista de contatos ativa, status, grupos, emojis. Slack e Discord levaram isso para o trabalho e para comunidades; o WhatsApp cresceu no uso pessoal. O MSN não superou a barreira da transição, mas ajudou a estabelecer conceitos básicos da comunicação digital”, conclui Farinazzo.

Confira também no canaltech:

Continua após a publicidade

VÍDEO: Como USAR o WhatsApp de forma mais EFICIENTE