Fiscais fazem blitz e fecham o cerco contra motoristas do Uber em São Paulo

Por Redação | 08 de Julho de 2015 às 15h53
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O Uber passa por um período turbulento no Brasil. Após um projeto de lei aprovar a proibição do aplicativo na cidade de São Paulo, a ferramenta agora está sendo ecurralada por fiscais da prefeitura da capital paulista, que estão em busca de motoristas que fazem uso da plataforma. E a procura por esses profissionais se intensificou, a começar pelo aeroporto de Congonhas, onde já foram apreendidos oito veículos vinculados à startup.

De acordo com a Folha de São Paulo, a fiscalização no aeroporto conta com a ajuda dos maiores rivais do app: os taxistas. Toda vez que suspeitam de algum automóvel, eles pedem para o motorista do carro estacionar atrás de um táxi, que por sua vez fica parado e, assim, evita as chances de fuga do condutor. Se mesmo assim ele tentar escapar, guardas civis e outros taxistas ajudam a fechar o trânsito.

Cinco veículos acabaram apreendidos em Congonhas nesta terça-feira (7), mas em nenhum deles os passageiros fizeram uso do Uber. Os donos dos carros foram multados em quase R$ 2.000 e, para liberar o veículo, precisarão pagar outros R$ 521, além de R$ 41 a cada 12 horas que o veículo ficar retido com as autoridades. Até o momento, aproximadamente cem fiscais atuam no monitoramento desses carros, e qualquer automóvel suspeito é parado pela blitz.

Fora o risco de apreensão, o cerco ao Uber está cada vez mais fechado, uma vez que o aplicativo já não funciona mais na região do aeroporto. Quando o usuário tenta chamar uma corrida pela ferramenta, se depara com a mensagem de que o local não é atendido devido a "desafios operacionais", segundo palavras da empresa. Embora não admita, o app está bloqueado naquela região — a primeira de muitas, se depender da ação dos fiscais e taxistas.

Desde que o Uber chegou a São Paulo, 25 automóveis foram confiscados pela prefeitura. Estima-se que mais de 1.200 veículos estejam cadastrados no sistema da startup.

Os protestos contra o Uber no Brasil começaram em abril deste ano, quando taxistas de quatro capitais brasileiras organizaram manifestações pedindo o fim de serviços considerados por esses profissionais como plataformas "clandestinas" de carros particulares. No final do mesmo mês, a Justiça de São Paulo havia concedido liminar em favor do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores das Empresas de Táxi do Estado de São Paulo (Simtetaxis), determinando a suspensão das atividades do aplicativo no Brasil sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Mesmo assim, a Justiça arquivou o processo que pedia o fim das operações do aplicativo em território nacional sob a alegação de que "somente o Ministério Público poderia instaurar inquérito civil para apuração da irregularidade do aplicativo, uma vez que a ação do Simtetaxis deveria ter sido encaminhada pelo órgão".

Na semana passada, vereadores de São Paulo aprovaram o projeto 349/2014, que veta o funcionamento do Uber na cidade. Mais uma vez, os taxistas alegaram que o app representa uma ameaça para os trabalhadores da categoria, que precisam ser avaliados em vários processos antes de legalizar seu serviço, além de pagar impostos e passar por outras limitações.

Em comunicado oficial, o Uber declarou que "os usuários têm o direito de escolher o modo que desejam se movimentar pela cidade", principalmente agora que se fala tanto em mobilidade em uma metrópole como São Paulo. "Acreditamos que é possível criar novas oportunidades de negócio para milhares de motoristas parceiros e ao mesmo tempo oferecer novas opções de mobilidade urbana", destacou a startup.

Fonte: Folha de São Paulo

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