Facebook permitiu anúncios que comparavam vacinas ao Holocausto e ao nazismo

Facebook permitiu anúncios que comparavam vacinas ao Holocausto e ao nazismo

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 03 de Dezembro de 2021 às 12h55
Pexels/Anton

O Facebook aprovou campanhas com posts antivacinas e desinformação sobre a covid-19. Segundo a rede de notícias CNN, embora atue no combate e repressão a conteúdos, a rede social permitiu que vários anúncios com mensagens contrárias à vacinação fossem veiculados. Um dos anúncios teria comparado as vacinas aos venenos usados para matar judeus no Holocausto, enquanto outro promovia vendas de camisetas com mensagens que faziam comparação entre os imunizantes e o nazismo alemão de 1941.

Essas propagandas teriam sido criadas por empresas especializadas em anúncios para redes sociais, mas não está claro quem seriam os clientes. Uma dessas companhias, chamada Ride the Wave, gastou US$ 280 mil (R$ 1,5 milhões) com a Meta, o que pode significar anúncios no Facebook, Instagram e Messenger. Já a Next Level Goods aplicou exatos US$ 500 mil (R$ 2,8 milhões) para impulsionar a venda de camisetas com conteúdo "antivax".

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Os anúncios teriam sido direcionados para regiões nas quais há maior tendência de ceticismo quanto à aplicação das dosas, como os estados localizados na parte central dos Estados Unidos, e para pessoas mais propensas a comprar esse tipo de produto. Não foram divulgados o percentual de engajamento nem o público total alcançado pelos anúncios.

Em resposta dada à CNN, a Meta disse que os anúncios foram banidos por violarem as políticas de desinformação da companhia. A companhia disse ainda que alguns podem ter passado porque a rede não revisava manualmente todas as propagandas inseridas. O culpado seria a abordagem mais branda da plataforma com a moderação de conteúdos de páginas comerciais, que não costumam ser tão problemáticas quanto aquelas associadas a políticos ou movimentos sociais.

Facebook e a desinformação sobre covid-19

Recentemente, o gigante das redes sociais garantiu que baniria conteúdos com alegações falsas de que a covid-19 traria consequências para crianças, causaria Aids ou outros boatos espalhados por grupos contrários ao uso. A Meta disse ter removido mais de um milhão de conteúdos falsos apenas no Brasil do Instagram e Facebook, mesmo após ter dito ser impossível acabar com as fake news.

A Meta está no centro das discussões por atitudes relacionadas à privacidade, desinformação e inércia no combate às notícias falsas. O Facebook Papers, uma coleção de documentos relevados pela denunciante Frances Haugen, ex-funcionária da companhia, causou alvoroço nos usuários e autoridades. Uma das pesquisas vazadas mostrava que o Facebook sabia da existência de conteúdos de ódio e mentiras na rede, mas não teria feito nada para manter o engajamento elevado.

Fonte: CNN  

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