Apple bloqueia atualizações de popular app de VPN e causa polêmica

Por Alveni Lisboa | 24 de Março de 2021 às 17h25
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A Proton, desenvolvedora do ProtonVPN, veio a público reclamar que a Apple bloqueou as atualizações de seu serviço. Segundo o fundador da empresa, Andy Yen, as razões fornecidas pela equipe de revisão da App Store se concentravam na possibilidade de o aplicativo ser usado para desafiar a autoridade dos governos.

Em um e-mail enviado para a Proton, a Apple teria pedido para o criador da ferramenta “garantir que o aplicativo não seja apresentado de uma forma que incentive os usuários a contornar as restrições geográficas ou limitações de conteúdo”. Isso seria inviável, conforme a empresa, pois tais requisitos prejudicariam sua capacidade de prestar os serviços a quem mais precisa.

Este teria sido o e-mail da Apple para a Próton (Imagem: Reprodução/ProtonVPN)

Como consequência da proibição, os usuários do ProtonVPN para iOS não receberão melhorias de segurança destinadas a protegê-los contra tentativas de roubo de contas, invasões de dispositivos, exposição da identidade de usuário e outros problemas de privacidade. A decisão da gigante da tecnologia veio no mesmo dia em que a ONU recomendou aos moradores de Mianmar que usassem o aplicativo VPN para contornar a censura do país que recentemente sofreu um golpe de estado.

Além dos serviços de VPN, a empresa também oferece um serviço de correio eletrônico anônimo, o ProtonMail. Os serviços de e-mail, até o momento, parecem não ter sido afetados pelo bloqueio da Maçã.

Alegações da Proton

A denúncia publicada pela Proton, segundo Yen, tem ligação com o golpe militar em andamento em Mianmar, que causou a morte e a prisão de milhares de manifestantes pacíficos. A internet do país foi censurada, com bloqueio de redes sociais e ferramentas de comunicação, possivelmente para evitar que cidadãos exponham os acontecimentos internos, o que levou a uma busca massiva dos internautas por serviços de VPN.

Governo de Mianmar tem repelido protestos com violência (Imagem: Reprodução/Ninjastrikers/Wikimedia)

O CEO da Proton sugere que suspender o uso dos serviços no atual momento seria equivalente a “dificultar ativamente a defesa dos direitos humanos”. Ele também acusou a Apple de hipocrisia, sugerindo que a empresa está disposta a desafiar a autoridade dos governos “quando é de seu próprio interesse financeiro”. Como exemplo, ele apontou os processos que acusam a empresa de monopólio e de práticas antitruste.

Andy Yen ainda convidou ativistas e jornalistas do país asiático a fazer uso dos serviços pagos oferecidos pela plataforma sem qualquer custo. A Proton afirma que esta é uma forma de ajudar tais pessoas a denunciar supostas violações humanitárias.

O que é VPN?

As Virtual Private Network (VPN) fornecem uma espécie de capa de invisibilidade para pessoas que vivem sob regimes de censura, permitindo o acesso a notícias externas, uso de aplicativos de mensagens, redes sociais e envio de arquivos. Elas funcionam como um túnel que interliga um país a outro, simulando uma nova conexão de IP.

Proton é um dos serviços de VPN mais usados do mundo (Imagem: Reprodução/ProtonVPN)

Outro uso comum é para burlar as restrições geográficas impostas por serviços e aplicativos. O Geforce Now, serviço de streaming de games da Nvidia, é um exemplo de abuso das VPNs por brasileiros, que usam destes apps para ter acesso à plataforma ainda não lançada no Brasil.

Por outro lado, o VPN também pode ser usado para camuflar o IP no cometimento de crimes virtuais, o que dificulta o trabalho de localização da polícia. Como muitos desses serviços são gratuitos, as pessoas acabam criando contas falsas e as usando para finalidades nada positivas.

O que acha dessa polêmica toda? A Apple está certa em bloquear as atualizações do serviço? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte: Proton  

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