Do Windows 95 ao Windows 10: conheça a história do menu Iniciar

Por Sérgio Oliveira | 07 de Agosto de 2015 às 10h13

O Windows 10 chegou e trouxe consigo um velho conhecido adorado por praticamente todos os usuários do sistema operacional da Microsoft: o menu Iniciar. Deixado de lado no Windows 8, o simpático menu voltou nos braços do povão depois de muita reclamação e um boicote gigantesco dos usuários, que preferiam permanecer usando o Windows 7 por causa do recurso e por mais um punhado de outras coisas.

Também não é para menos. O menu Iniciar se fez presente na vida de muitas pessoas, sobretudo aquelas que tiveram seu primeiro contato com computadores e cresceram com o sistema operacional de Redmond nas décadas de 1990 e 2000. O que pouca gente sabe é que já se vão duas décadas desde a criação dele e de lá para cá muita coisa mudou.

O nascimento e recepção

Antes de existir o menu Iniciar, os usuários do Windows tinham que se virar para encontrar seus programas e arquivos utilizando o Gerenciador de Programas, uma espécie de Windows Explorer rupestre que organizava os aplicativos em grupos numa grande janela. Embora fosse útil naquela época, a Microsoft logo viu a necessidade de reorganizá-lo e fazer com que aquilo fosse mais amigável e ocupasse menos espaço.

Pode-se dizer que o Gerenciador de Programas era uma espécie de Windows Explorer com várias limitações. Apesar disso, recurso consegui organizar os programas em grupos numa janela gigantesca

Pode-se dizer que o Gerenciador de Programas era uma espécie de Windows Explorer com várias limitações. Apesar disso, recurso consegui organizar os programas em grupos numa janela gigantesca (Imagem: Reprodução/Wikimedia)

E foi ai que os engenheiros e desenvolvedores da empresa apresentaram a ideia de incluir um pequeno botão no canto inferior esquerdo da tela com o nome "Iniciar". A partir dele, os usuários poderiam encontrar todo e qualquer programa e documento armazenados no PC sem ter que percorrer pastas e dar incontáveis cliques na interface do sistema.

Além disso, o menu era capaz de aninhar várias pastas uma dentro da outra, coisa que o Gerenciador de Programas não conseguia - ele só podia armazenar os programas num primeiro grupo, sendo incapaz de criar um subgrupo, ou subpasta. Por fim, o menu ainda trazia acesso rápido às principais configurações do sistema; um sistema de buscas por arquivos bastante rústica, mas funcional; e atalhos para a documentação do software, execução de comandos e desligamento do computador.

O menu Iniciar estreou no Windows 95. Ocupando pouquíssimo espaço em telas de baixíssima resolução, a novidade agrupava não apenas os programas, mas documentos, arquivos e configurações num só lugar

O menu Iniciar estreou no Windows 95. Ocupando pouquíssimo espaço em telas de baixíssima resolução, a novidade agrupava não apenas os programas, mas documentos, arquivos e configurações num só lugar (Imagem: Reprodução)

A enorme quantidade de opções aliada ao pouco espaço que a interface do menu Iniciar ocupava na tela e sua capacidade de deixar o usuário escolher que caminho percorrer, além de poder visualizar simultaneamente o passo a passo seguido até ali, foi a fórmula para o sucesso da ideia. Não demorou muito e logo os usuários do Windows 95 já estavam acostumados com a novidade e, graças a toda sua organização e iconografia, se sentiam à vontade em utilizá-la, sem receio.

As primeiras modificações

Mesmo com todo o sucesso do menu Iniciar no Windows 95, a Microsoft viu que havia espaço para melhorias e decidiu implementar as primeiras modificações no Windows 98.

Na época do lançamento do último sistema da fabricante da década de 1990, vimos a adição de atalhos para os sites favoritos marcados pelo usuário no Internet Explorer na nova seção "Favoritos". Além disso, a partir dali os programas mais importantes poderiam ser alocados na parte superior do menu, acima da seção "Programas", a fim de agilizar o acesso a eles.

O Windows 98 passou a permitir que programas e recursos do próprio sistema fossem colocados acima da seção

O Windows 98 passou a permitir que programas e recursos do próprio sistema fossem colocados acima da seção "Programas". Além disso, nova área "Favoritos" listava sites marcados pelo usuário no Internet Explorer, oferecendo acesso rápido a eles (Imagem: Reprodução/MSDN Microsoft)

O Windows 2000 foi outro que trouxe alguns incrementos para o menu Iniciar, que recebeu acesso rápido às ferramentas administrativas do sistema no intuito de facilitar a vida sobretudo dos profissionais de TI.

O Windows 2000 não trouxe grandes novidades em relação ao 98, mas adicionou acesos rápido às ferramentas administrativas do sistema para facilitar a vida dos profissionais de TI

O Windows 2000 não trouxe grandes novidades em relação ao 98, mas adicionou acesos rápido às ferramentas administrativas do sistema para facilitar a vida dos profissionais de TI (Imagem: Reprodução)

É fácil entender que tais adições estão relacionadas sobretudo à grande onda de popularização e influência da Internet no dia a dia das pessoas naquela época. Contudo, se analisarmos essa estratégia com mais cautela, podemos afirmar que esse, na verdade, foi o primeiro passo rumo ao menu Iniciar interconectado que estamos vendo atualmente no Windows 10. É claro que é necessário guardar as devidas proporções, já que a tecnologia da época não possibilitava termos algo tão interativo e requintado como estamos vendo agora. Mesmo assim, foi o começo, o primeiro passo, rumo a realidade que presenciamos agora.

Franca expansão e evolução

A chegada do Windows XP em 2001 marcou uma grande mudança não apenas no visual do sistema em geral, mas também no menu Iniciar. A partir dali, o menu passou a ser mais "parrudo", contando com duas colunas exibindo uma combinação dos programas instalados no computador e outra com atalhos para as principais funcionalidades do sistema, como Painel de Controle e Desligar.

Além disso, o sistema que viria a ser o mais popular da história da Microsoft promovia, acima de qualquer coisa, a personalização do menu Iniciar. Se antes era possível clicar e arrastar atalhos para reorganizá-los na estrutura do menu, agora era possível afixar aplicações em regiões de acesso mais rápido. Além disso, o usuário ainda era capaz de definir o tamanho dessa lista de aplicativos afixados, não sendo mais obrigado a aguentar um menu Iniciar agigantado por causa da quantidade de programas instalados no PC.

O Windows XP mudou drasticamente o visual do menu Iniciar, que agora era exibido em duas colunas e oferecia inúmeras possibilidades de personalização

O Windows XP mudou drasticamente o visual do menu Iniciar, que agora era exibido em duas colunas e oferecia inúmeras possibilidades de personalização (Imagem: Reprodução/MSDN Microsoft)

O Windows 7 também contribuiu para a evolução do menu Iniciar, principalmente por substituir o recurso "Pesquisar" por uma barra de buscas integrada àquela região. A decisão foi tomada especialmente por causa da mudança do hábito do usuário de internet, que cada vez mais navegava nela a partir de mecanismos de busca. Portanto, nada mais justo do que trazer essa realidade também para dentro do Windows, onde o usuário poderia optar por não navegar mais entre pastas em busca de seus arquivos e programas.

Fora as transparências e cores correspondentes à utilizada no sistema, o menu Iniciar do Windows 7 continuou praticamente intacto. A grande novidade foi a integração de uma barra de pesquisa no canto inferior em substituição ao antigo botão

Fora as transparências e cores correspondentes à utilizada no sistema, o menu Iniciar do Windows 7 continuou praticamente intacto. A grande novidade foi a integração de uma barra de pesquisa no canto inferior em substituição ao antigo botão "Pesquisar" (Imagem: Reprodução)

O grande desastre

Embora a Microsoft vendesse a nova tela de início do Windows 8 como uma reformulação completa do menu Iniciar, a verdade é que ela nunca convenceu e deixou muitos usuários confusos e irritados. Entre as queixas, a que mais se destacava é que aquilo nem de longe lembrava o menu Iniciar, que sempre se destacou por sua organização e excelente navegabilidade.

A ideia de que aquela tela funcionaria como uma espécie de segunda área de trabalho independente e ocuparia toda a tela do computador também desagradou. Para piorar ainda mais a situação, a Microsoft sumiu com o botão do menu do canto inferior esquerdo da tela e substituiu toda a iconografia clássica por pastilhas enormes e coloridas, que de vez em quando exibiam alguma espécie de conteúdo interativo.

Como não podiam ser agrupados em pastas, as Live Tiles acabaram poluindo a já confusa Tela Inicial do Windows 8 e irritando uma infinidade de pessoas, que não gostavam de rolar a tela em busca do programa desejado

Como não podiam ser agrupados em pastas, as Live Tiles acabaram poluindo a já confusa Tela Inicial do Windows 8 e irritando uma infinidade de pessoas, que não gostavam de rolar a tela em busca do programa desejado (Imagem: Reprodução/MSDN Microsoft)

Recursos e funcionalidades básicas, como o botão para desligar o computador, também foram limados da vista do usuário, que agora precisava promover uma verdadeira caça atrás deles. A facilidade de agrupar vários atalhos em pastas e subpastas, motivo pelo qual a Microsoft decidiu implementar o menu Iniciar no Windows 95, também foi deixada de lado, o que fazia a tela inicial ficar lotada de ícones espalhados por todos os cantos.

Tantas mudanças não foram bem recebidas e, num uníssono, os usuários pediram pelo retorno do menu Iniciar como eles estavam acostumados.

Reconstruindo a reputação

O coro de insatisfação fez Redmond repensar sua estratégia. Para acalmar os ânimos do grande público, a empresa ensaiou um retorno do menu Iniciar no Windows 8.1, mas a adição continuava não agradando. Naquele momento ficou claro que muitos usuários só seguiriam atualizando seus sistemas com o lançamento de um novo Windows que corrigisse as falhas do antecessor.

Ainda assim, simplesmente retornar ao que vimos no Windows 7 não significaria corrigir os erros do Windows 8, mas sim mais um outro passo atrás que ninguém queria ver. Na época, já era evidente que os dispositivos móveis haviam promovido uma verdadeira revolução na forma como os usuários interagem com a interface dos sistemas. Não dava mais para negligenciar essa realidade e continuar insistindo apenas no teclado e mouse, sendo necessário oferecer possibilidades de interação por meio do toque, bem como conteúdo dinâmico, trazido diretamente da internet, por exemplo.

A Microsoft já havia compreendido isso quando trouxe as Live Tiles no Windows 8, mas era necessário mudar aquilo e trazê-lo para um visual mais próximo do clássico menu Iniciar. E foi aí que surgiu a ideia de mixar as duas ideias, o novo e o tradicional, no novo menu Iniciar do Windows 10.

A grande sacada do Windows 10 é mixar o que de melhor foi apresentado no Windows 8 numa interface familiar similar a que nos acostumamos a ver nos últimos 20 anos

A grande sacada do Windows 10 é mixar o que de melhor foi apresentado no Windows 8 numa interface familiar similar a que nos acostumamos a ver nos últimos 20 anos (Imagem: Captura de Tela / Sergio Oliveira)

É bem verdade que ele pode parecer estranho principalmente aos olhos daqueles mais tradicionalistas, mas nada como uns bons minutos para aprender como tudo aquilo funciona e perceber que ali há o melhor do Windows 8 casado com o que já estávamos acostumados nas versões anteriores do Windows. Tudo é bem fluido, personalizável e estranhamente familiar.

Arriscar o que mudará daqui para frente é difícil - basta olhar para as duas últimas décadas para constatarmos o quanto o menu Iniciar mudou. Mas uma coisa é certa: as mudanças não poderão interferir naquilo para que o menu Iniciar foi concebido, que é facilitar o dia a dia dos usuários do Windows.

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