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O que é um motor dois-tempos e como ele funciona?

Por| Editado por Jones Oliveira | 29 de Março de 2022 às 09h30

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Reprodução/The Garage
Reprodução/The Garage

Explicar a alguém o que é um motor dois-tempos em 2022, época em que só se fala em carros elétricos ou em superesportivos potentes, pode parecer difícil, mas não é nenhum bicho de sete cabeças.

Para quem é jovem e nunca ouviu falar deste tipo de propulsão, vamos começar dizendo que ele equipava alguns carros e motos das décadas de 1960, 1970 e 1980.

Ficou interessado? Então saiba que uma das curiosidades envolvendo o motor dois-tempos é que ele acabava gerando o dobro de potência de um motor de quatro tempos, que precisa de duas voltas completas para completar o mesmo ciclo de admissão, explosão e exaustão.

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Utilizado principalmente em modelos de 1.000 cm³ fabricados no Brasil à época, como os DKW Fissore, Vemaguet e Candango, produzidos pela Vemag, o motor dois-tempos tinha um slogan curioso: 3 = 6.

A fabricante indicava, com isso, que o carro dotado de motor dois-tempos produzia, com apenas 3 cilindros, a mesma potência e desenvoltura de um 6 cilindros. E isso não era propaganda enganosa.

Como funciona um motor dois-tempos?

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Antes de citarmos os problemas que levaram à extinção do motor dois-tempos nos carros, vamos explicar de maneira rápida como ele funcionava.

Um motor dois-tempos é chamado assim simplesmente porque possui um ciclo formado por apenas duas fases: ignição e escape. Ou seja: o motor faz duas rotações do pistão para executar as tarefas de admissão, explosão e exaustão.

Em palavras simples, o que acontece é o seguinte: quando há a compressão e o pistão sobe, a janela de admissão abre e a mistura formada por ar e combustível entra no motor para ficar alojada na parte interior do virabrequim.

Na hora em que a ignição acontece, ela empurra o pistão para baixo e expele os gases de escape pela janela superior. Simples, não? Dê uma olhadinha no vídeo abaixo para entender melhor.

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Por que o motor dois-tempos “morreu”?

O motor dois-tempos produz, efetivamente, cerca de 50% mais potência que os quatro tempos (não o dobro, como a propaganda dizia) e é mecanicamente mais simples de se trabalhar e entender o funcionamento. Por que, então, ele “morreu” com o passar dos anos?

A resposta pode ser embasada em uma série de fatores, mas se resume, principalmente, a dois pontos fundamentais, ambos muito importantes em tempos de cuidados com o meio-ambiente e preços elevados dos combustíveis: nível de consumo e alta emissão de poluentes.

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Além destes dois fatores, outros pontos contribuíram para a quase completa extinção dos motores dois-tempos. São eles:

  • Nível de ruído: mesmo com abafadores e isolamento acústico reforçado, o motor dois-tempos é excessivamente barulhento;
  • Durabilidade: como funciona de forma mais intensa do que os motores de quatro tempo e não possui lubrificação, o motor dois-tempos costuma apresentar problemas com mais frequência, e bem antes dos “rivais”;
  • Sensibilidade a oscilações: este tipo de motor também é muito instável, e acabava apresentando oscilações no desempenho quando ocorriam mudanças bruscas de altitude, temperatura, carga ou quantidade de combustível.

Abandonado pela indústria automotiva, o motor dois-tempos ainda sobrevive em karts, aeromodelos, motosserras, motos aquáticas (jet skis) e cortadores de grama. É um meio dos amantes da nostalgia matarem a saudade, não é mesmo?

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Com informações: UFRGS, FlatOut e Educação Automotiva