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Paulo Amaral/Canaltech
O mundo automotivo está cada vez mais eletrificado, e uma prova incontestável desse novo cenário é que ícones da indústria, como a Volkswagen Kombi e o Ford Mustang, já ganharam versões elétricas, consideradas mais amigas do meio-ambiente.
A reportagem do CT Auto passou um tempo de posse do Ford Mustang Dark Horse, o mais visceral do portfólio à venda no Brasil e, ao final dos testes, chegou à uma conclusão simples: embora os carros elétricos tenham chegado para ficar e colaborar para um mundo menos poluído, o bom e velho V8 não pode morrer jamais.
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Confira a seguir o review completo com as nossas impressões a respeito do sexagenário muscle car da Ford.
Prós
Desempenho
Tecnologia embarcada
Dirigibilidade
Contras
Espaço traseiro
Ford Mustang Dark Horse é bruto, mas tecnológico
Engana-se quem pensa que a experiência a bordo do Mustang Dark Horse foi resumida às acelerações de “fazer a alma sair do corpo” ou aos muitos olhares curiosos, viradas de pescoço e, claro, fotos e vídeos que o carro (e eu, por tabela), se tornou protagonista por onde passou.
Embora os 507 cv de potência e os 57,8 kgf/m de torque sejam impressionantes e, em conjunto com o câmbio automático de 10 velocidades, capazes de fazer o lendário motor Coyote 5.0 V8 chegar de 0 a 100 km/h um décimo de segundo mais rápido que o sedan coupé elétrico BYD Seal (3,7s x 3,8s), o Dark Horse não é apenas bruto. Ele também é muito tecnológico.
O muscle car da Ford tem boa parte do seu preço, extremamente seletivo (em torno de R$ 650 mil), justificado pela infinidade de itens que compõem os pacotes tecnológicos, voltados tanto para aprimorar a dirigibilidade em si quanto para garantir segurança, conforto e entretenimento aos ocupantes.
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Dark Horse “enxerga” buracos na via
A lista de recursos e acessórios é enorme, mas algumas tecnologias saltam aos olhos, não apenas por se mostrarem extremamente úteis no dia a dia, mas também por não serem encontradas facilmente em carros de outros segmentos.
Entre as mais impressionantes durante os testes do CT Auto podemos destacar o Pothole Mitigation que, em bom português, foi traduzido como “detecção automática de buracos”. Ele faz com que o Dark Horse “enxergue” as imperfeições da pista por meio de sensores e torne a suspensão mais rígida, reduzindo, assim, os impactos que tanto incomodam carros esportivos calçados com pneus de perfil baixo.
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Outras tecnologias interessantes, e até então não vistas em outros esportivos que testamos, compõem o pacote batizado como Track Apps, que mostra na tela da central multimídia e do painel de instrumentos as métricas relacionadas a desempenho, cronometragem e frenagens.
O acesso ao pacote de desempenho é feito por meio de um botão, físico, abaixo da central, que conta com a figura de um cavalinho. Ao pressioná-lo, o menu também dá ao piloto o direito de escolher não apenas o modo de condução, mas também o tipo de som que sairá dos quatro bocais do escapamento, inclusive um mais “silencioso” para quem quiser ao menos tentar ser discreto.
O Mustang Dark Horse conta ainda com GPS embarcado, comandos de áudio e voz no volante, sistema de som premium Bang & Olufsen com 11 alto-falantes e 1 subwoofer, conectividade via Ford App, status remoto do veículo, localização via celular, suspensão adaptativa e muito mais.
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O Mustang Dark Horse se destaca pelo visual agressivo e pelo ronco do V8, mas, o que poucos veem, é que ele também é repleto de tecnologias.
— Paulo Amaral
Experiência ao volante: como anda o Mustang Dark Horse?
Depois de listar alguns dos muitos features tecnológicos do Mustang Dark Horse, chegou a hora de testemunhar sobre o que é, sem dúvida, o ponto alto da experiência de sentar-se ao volante de um carro com mais de 500 cv de potência: a dirigibilidade. E ela pode ser resumida em uma só palavra: inesquecível.
A engenharia da Ford trabalhou duro para deixar o icônico muscle car ainda mais visceral, mas não se esqueceu de que o carro teria de ser preparado para rodar nas ruas, e não nas pistas de corrida. Não à toa, a primeira recomendação recebida no momento do empréstimo foi a de não desligar os controles de tração e estabilidade.
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Não vou negar que, vez ou outra, os pensamentos intrusivos venceram a batalha e me fizeram pisar mais forte com o pé direito para ouvir o ronco do motor invadir a cabine como um bom V8 deve fazer quando é devidamente “conjurado”. E foi exatamente nesses momentos que o propulsor mostrou que merece a “vida eterna”, mesmo com a expansão da eletrificação.
O Mustang Dark Horse tem uma dirigibilidade fantástica. A direção, que nessa versão está 25% mais responsiva, é sensível o suficiente para responder aos mínimos movimentos, transmitir os comandos para as rodas e apontar a frente. A estabilidade em curvas mais fechadas, foi irretocável, como todo carro de tração traseira bem construído deve apresentar, e o equilíbrio deu o tom dos passeios à bordo do ícone, tanto nas ruas quanto em rodovias.
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A estabilidade também contou com a colaboração do aerofólio traseiro, que não é meramente figurativo, como alguns desavisados podem pensar, pois tem funções aerodinâmicas importantes. Além do aerofólio, os pneus de perfil baixo (255x40xR19 na dianteira e 275x40xR19 na traseira) são outros pontos importantes para a dirigibilidade equilibrada.
Nem mesmo o consumo de combustível pode ser apontado como ponto negativo da experiência. Afinal, o Mustang Dark Horse registrou, na viagem entre São Paulo e Jundiaí, impressionantes 9,2 km/l. A média baixou para 4,8 km/l em perímetro urbano, repleto de lombadas, mas, mesmo assim, ficou dentro do esperado para um carro com motor V8 e 507 cv de potência.
Os números oficiais do Inmetro, por sua vez, apontam para médias de 6,2 km/l na cidade, melhor do que a obtida nos testes com o CT Auto, e 8,3 km/l na estrada, mais baixa do que a alcançada em nossas mãos.
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O único "senão" da experiência ficou por conta do espaço interno para os ocupantes do banco traseiro, que é praticamente inexistente. Como não é um "carro família", e sim um esportivo, porém, nem isso desabonou o prazer à bordo do ícone da Ford durante esse período.
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Ford Mustang Dark Horse (Review)
Paulo Amaral/Canaltech
O Mustang Dark Horse não nasceu para ser guiado, e sim pilotado.
— Paulo Amaral
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Ford Mustang Dark Horse: vale a pena?
Os rivais mais clássicos do Mustang Dark Horse no mercado, Chevrolet Camaro e Dodge Challenger, não são vendidos no Brasil. Assim, o ícone da Ford tem como maiores competidores por aqui dois modelos de marcas alemãs, ambos considerados de um segmento mais premium: o Porsche 911 Carrera e a BMW M3.
Os dois europeus custam mais caro que o modelo norte-americano (ambos na faixa de R$ 860 mil) e, embora tenham predicados suficientes para também impressionar os gearheads, não entregam tanto conteúdo assim a mais que o "Cavalo Negro" para justificar a diferença de mais de R$ 200 mil. E o que isso significa, de maneira prática?
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Isso significa que, se você está em busca de um carro esportivo com design arrojado, desempenho compatível com um modelo de pista, recheado de tecnologia e, de quebra, mais acessível (dentro de um universo de milhares de reais), a compra do Ford Mustang Dark Horse faz, sim, total sentido.
O icônico muscle car está à venda no Brasil em 6 cores distintas e, segundo o site oficial da marca, custa a partir de R$ 649 mil.
*A unidade do Mustang Dark Horse avaliada nesse review foi gentilmente cedida ao Canaltech pela Ford do Brasil