Paulo Guedes defende disputa aberta entre Huawei, Ericsson e Nokia pelo 5G

Por Rubens Eishima | 08 de Julho de 2020 às 10h29
Rubens Eishima/Canaltech

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que seria interessante para o Brasil “deixar funcionar a competição” entre as fornecedoras de infraestrutura 5G. Guedes não repetiu as preocupações em vigor nos EUA com o uso de equipamentos da Huawei e atribuiu o problema à suspeição com relação à origem da COVID-19.

O ministro declarou ao programa O Brasil Pós-Pandemia: a Retomada que não vê problema na participação dos chineses na montagem da rede 5G no Brasil. Para ele, seguindo uma postura mais liberal que outros membros do governo, o ideal seria deixar que os chineses, Huawei e ZTE, “briguem” com os nórdicos, em referência à sueca Ericsson e à finlandesa Nokia:

"Na hora que chegar o 5G, seria interessante deixar a competição funcionar. Deixar a Ericsson de um lado, deixar a Huawei do outro lado, deixar chinês brigar com americano, brigar com os nórdicos e ver quem nos serve melhor. Nessa hora em que devíamos dar um mergulho, vem essa primeira nuvem de suspeita e cria um problema geopolítico no que era algo estritamente econômico", declarou.

Guedes mostrou uma postura mais pragmática e menos politizada do que os Estados Unidos, que recentemente ampliaram as restrições para a adoção de equipamentos da Huawei e ZTE pelas operadoras norte-americanas.

O chefe da pasta da economia tentou associar a atual disputa entre o governo de Donald Trump e a Huawei às teorias conspiratórias sobre uma suposta responsabilidade do governo chinês na atual pandemia da COVID-19:

"Se não houvesse esse problema geopolítico criado agora, essa suspeição com regimes. Porque agora criou-se uma suspeição, na Europa inteira, nos Estados Unidos. 'Será que demoraram a comunicar que essa crise era pandêmica que era um problema sério'. Essa suspeição geopolítica veio em um momento ruim. No momento exatamente em que nós temos que dar um salto quantitativo, tecnológico", apontou.

Para Guedes, “nós vamos dançar com todo mundo, vamos comercializar com todo mundo, querendo investimentos de todo mundo. Vamos investir lá fora, queremos receber investimento”.

“O 5G é exatamente a fronteira da nova revolução digital. Nós precisamos estar atuais”, completou.

Nas mãos do presidente

A decisão final sobre a participação da Huawei na construção da infraestrutura do 5G no Brasil está nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), os testes de campo da nova tecnologia, afetados pela pandemia, vão ajudar o Executivo na tomada de decisões para o leilão das novas frequências de redes móveis, incluindo a liberação das fabricantes chinesas.

As declarações de Paulo Guedes sobre o 5G no Brasil começam por volta de 1h00 na entrevista abaixo:

Fonte: CNN Brasil  

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